Fangirl_15: So This Is What MetaFiction Looks Like

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(ARC copy given by NetGalley)
Author: Aimee Roseland
Publication:  8th July 2014
Review by Lady Entropy

Chloe is in love with Lucien.

He’s enigmatic, compassionate, generous and intelligent. Likes classical music just as much as kicking ass and knows his way around a kitchen, though he’d never admit it. He’s gorgeous yet humble and can’t see past his own scars.

The only problem is that Lucien is a character in a novel.

The Dark Riders is one of the best selling paranormal romance series of all time, and it was destined to have eight installments, one for each of the brothers-in-arms. Except the writer died. Worse yet, book seven was finished by some poser that thought killing off one of the main characters would bring a more modern twist to the finale.

Chloe is absolutely devastated by the news that one of her “friends” is dead and that the series is canceled. A midnight escape from the locked office lands her in a deserted parking lot after hours where an unseen force has been waiting.  This supernatural assault strands her in an alternate reality where the Dark Riders are real and the horrible ending created by the publisher hasn’t happened yet.

The greatest strength of this book is how meta it is: an almost obsessive fangirl of a famous romantic urban fantasy series (coughBrotherhoodoftheBlackDaggercough) lives a boring life, wishing she lived in the books she so much loves. Her favourite author dies, leaving another author nobody likes, to complete the series and ruining it forever. And, then, she wakes up inside her beloved series, and proceeds to impress everyone with her secret knowledge of the world, gets adopted into the family and a life of luxury, and ends up finding her amazing powers (and romance with her favourite male character (coughZsadistcough) and never being the victim ever again.

As far as wish-fulfillment fantasies go this is the typical one (a better life + superpowers + wealth + a clique + hooking up with favourite character + being seen as beautiful), but I actually found myself liking how it was pulled off. Now, I know a lot of readers will be turned off by what amounts to Brotherhood of the Black Dagger self-insertion fanfiction (let us not kid ourselves, it is what this is, to the point where I was already addressing the book characters by their BoTBD counterpart’s names in my head — despite the nod to the Dark Hunter series). However, it is still written in a way that I could not fault the writer for, and I still empathized with the main character – certain parts were heartwrenching (I can totally relate to seeing someone taking a favourite book series of yours, and handing it to someone who basically ruins it while desperately trying to get more money out of it – the Chronicles of Amber comes to mind.)

I think the author tapped into a very specific aspect of being a fan of a series of books and managed to put into words things that we all felt before, and that is, I feel, the strong suit of the book.

Ultimately, I think I would recommend this to BotBD fans, because if you take away that particular aspect of the novel, it ends up losing most of its entertaining value, and you miss most of the nods to the main series.

Death bringer: ohhhh yeaaa!

Death Bringer (Soul Justice #2)
Kate Pearce
Publisher: Carina Press
On sale date: Oct 21, 2013
eISBN: 9781426896538
File size: 609KB
78,000 words
ePrice $2.99

Link to Soul sucker review: https://illusionarypleasure.wordpress.com/2013/04/08/soul-sucker/

Kate’s Pearce Death Bringer…oh boy did I have trouble writing this review… mostly because I was afraid it wouldn’t be a review, rather me fangirling around sending strange and stalker kisses to the book. Not that I fangirl a lot… but you know we all have our guilty pleasures…
So let’s just say that I adore this “duology?”, while the first one lacked in some parts, man this one was all packed and ready to go! Action, romance, erotica and deaths!! You know what I love more than dismembered characters? Blood and deaths (and now that sounded a little too creepy)! Continue reading

Rio Equilibrium

Rio Equilibrium
Ricardo Tomaz Alves
Chiado Editora
Link para o livro no Goodreads

Exemplar cedido pelo autor para uma crítica honesta.

DISCLAIMER:
– Adoro livros de anjos;
– Adoro estudar sobre religiões;
– Adoro mitologia oriental;
– Não me digam que o livro no fim melhora ou nos próximos porque sinceramente… I don’t give a damn! É a crítica deste livro e nada muda isso.

Rio Equilibrium é um livro ainda muito verde onde o autor comete erros básicos fruto de, ou falta de leituras assíduas, ou de pesquisa no campo da escrita criativa. Escrever não é fácil, terminar um livro também não, contudo criar uma história que entretenha e nos motive a continuar é um desafio. A escrita vive de emoções muitas vezes, e emoção é algo que falha neste livro.
Começamos com uma explicação extensa de como Rio Equilibrium foi criado, sem necessidade nenhuma. Tudo que seja backstory não deve ser atirada no início do livro. Aborrece imenso o leitor com detalhes que não servem para nada, apresenta personagens que não vão aparecer mais na história e faz com que a acção seja nula. Isto no início de um livro dita logo a morte do mesmo. O autor tem 50 páginas para “razzle dazzle” um editor. Se o aborrece, o mais certo é o editor não apostar. Continue reading

As Histórias de Terror da Entrada do Túnel

As Histórias de Terror da Entrada do Túnel 
Chris Priestley
Edição: 2013
Páginas: 208
Editora: Arte Plural Edições

As Histórias de Terror da Entrada do Túnel é a prova que a literatura portuguesa infanto-juvenil ainda está a milhas de distância da literatura anglo-saxónica.

Nomeado para um Edgar Allan Poe para melhor novela YA, Chris Priestley perpetua autores como Neil Gaiman e Tim Burton. Pejado de simbolismo e um hino ao conto, As histórias de terror não são feitas para assustar crianças, mas sim adultos. Com um imaginário sem limites para a maldade e uma excelente componente visual (graças às ilustrações de David Roberts), o leitor acompanha pequenas histórias narradas pela morte sobre ambições desmedidas, curiosidade e imprudência, o ciúme e o ressentimento, Priestley consegue através da sua escrita sofisticada claramente vitoriana agradar a adultos e crianças.

Com um dos melhores inícios: “It was the first railway journey I had ever made alone.”, o comboio torna-se numa espécie de limbo onde todos os passageiros dormem e a personagem encontra-se sozinha com a senhora de branco que se entretém a contar histórias de terror (visto que são as únicas que sabe, muito provavelmente porque as presenciou) antes de atingir o clímax do livro. Durante a viagem não se compreende se o objectivo da senhora é entreter Robert ou dar-lhe uma oportunidade para ele mudar. Ao mesmo tempo que aterroriza, as histórias servem para ele reflectir o final das personagens. Robert pensa e arrepia-se, chegando ao ponto onde as histórias chegam sem ele as querer ouvir, mas seduzido pela aparência da mulher, não tem coragem de negar.

A senhora de branco encorpora a estética macabra vitoriana, onde a morte atrai e repele ao mesmo tempo. Se ela, numa primeira visão é linda e educada, aos poucos vamo-nos apercebendo que ela é muito mais macabra do que parece:

‘I detest flies,’ she said. ‘You would think that I’d have become used to them by now, but I never have.’

Plácida, Priestley consegue através da sua escrita maravilhosa captar a essência e personalidade da Morte, que nos aterroriza mas maravilha ao mesmo tempo.

O mais curioso é que esta história poderia ser a de Robert. Através das histórias contadas pela mulher e pela moral que Robert tira delas, ele apercebe-se do seu destino caso continue a ser um “little brat” para a sua madrasta que o adora. A personagem tem assim espaço para poder evoluir e tirar das histórias uma lição em cada uma.

No fim, as pontas soltas atam-se para os mais jovens e os adultos sorriem lerem um livro intemporal devido aos seus temas e personalidade das personagens.

Robert está entusiasmado: pela primeira vez, vai viajar sozinho de comboio! Está a caminho de um novo colégio e vai finalmente deixar para trás o tédio das férias, passadas em casa com a sua irritante madrasta. De início, a viagem ameaça ser bastante aborrecida, sobretudo quando o comboio fica parado, durante horas, à entrada de um túnel profundo e escuro. Mas, felizmente, Edward (I think it’s Robert here) conta com a companhia de uma mulher, esguia e elegante, totalmente vestida de branco, que o vai entretendo com histórias? histórias cada vez mais arrepiantes e perturbadoras. À medida que o tempo vai passando, o comboio continua misteriosamente parado?

Anjos Negros – Ligação

Ligação
Anjos Negros #1
Soraia Pereira
186 páginas
E-book

*Ruiva inspira e expira* Ora vamos lá…
Em primeiro lugar quero dizer que li este livro com muitas coisas na consciência: que a Soraia publicou o livro da forma mais inocente e desinformada; que este livro não teve um editor nem um revisor e que foi o seu primeiro livro.
Dito isto, o veredicto final é de: déjà-vu.

Senti-me a ler o primeiro livro da Irmandade da Adaga Negra (*chuckles*) desde o início até ao fim, devido à plot ser quase copy/paste. Mas esse detalhe à parte, vamos por partes e ver o que é preciso desenvolver:

Personagens:
Este campo foi o que achei mais berrante. Jessica é uma inutil. Ponto. Não tem nenhuma utilidade para além de andar sempre a esvair-se em sangue. Lá tem umas falas engraçadas para o leitor não a querer esvrentar, mas de sumo não tem nada. Zero. É uma Bella sem os dramas. A autora podia ter pegado no passado dela como orfã e ter desenvolvido os sentimentos dela, de solidão, de abandono. Basicamente, ela só serve para estar lá e fazer a plot avançar… Atençao eu não quero uma personagem a matar toda a gente, simplesmente uma que faça mais do que simplesmente estar às portas da morte.
Leonardo é doido. Ponto. Comporta-se como um adolescente com as hormonas aos saltos quando a vê (God knows why… Ok sabemos depois e a desculpa é tão… Cliché que eu só dizia: oh mulher, o que fostes fazer!) Tem ataques de raiva e a nível de Anjo Negro, não é nada demais. Basicamente uma típica personagem masculina cliché paranormal.
Uma personagem que adorei? A’larick! Finalmente alguém normal, ou vá psicopata. Gostava tanto que a Soraia escrevesse um livro sobre ele, onde não o metesse como “bom” ou a “cair por uma mulher”.

Plot/história:
A plot começa bem mas depois não tem meio. É um livro com princípio e fim, onde foi parar o meio? Não há. O meio é um emaranhado de situações desconexas que se arrastam até ao climax onde no final (quase 50 paginas do fim) volta-se à acção. Até lá o meio consiste na Jessica a esvair-se em sangue, o Leonardo e a ir salvá-la, ela a fugir e ele a ir salvá-la outra vez (a sério quantos litros de sangue é que a mulher tem?) Eu sei que meios são muito complicados (eu ainda há pouco lutava contra eles, mas depois de ler uns livros entendi a dinâmica). Os inícios têm sempre um bom fôlego porque é um livro novo e o final, bem todos queremos arranjar um final para a nossa história… Agora o meio? Para os autores é sempre a parte complicada e a que merece mais trabalho. Havia muita coisa a acontecer no final que devia de ter sido puxada para cima, de forma a não estagnar.
De resto é bastante similar ao primeiro livro da Ward da Adaga Negra.

Setting & World build:
Esta foi a parte na qual fiquei muito desiludida. Basicamente a história passa-se em casa do Leonardo por isso porquê Nova Iorque se 95% da acção é em casa e isso muito sinceramente não importa. Faltou mais urbano, mais sítios, mais descriçoes.
O World build aparece todo no fim aos pontapés em forma de tell por parte das personagens, o que embora não sendo a situação ideal, até fecho os olhos porque worldbuild pode sempre ser melhorado à medida que se vai avançando e ir acrescentando novas coisas, DESDE que o autor tenha tudo planeado. Por isso, fico à espera que os Anjos Negros evoluam para algo original e novo.

Escrita:
Precisa de ser bastante afinada. Não falo de erros (à medida que ia lendo anotava), mas há tiques de fala que soam “outdated”, como por exemplo o uso e abuso da palavra “meu” (que queres, meu? Meu, está tudo bem?) e “tá”. Outro detalhe é o product placement excessivo e chato: o Leonardo vestia Armani, tinha um carro Xpto-racer, cheirava a não sei quê… A sério? A miuda é uma orfã que tem um apartamento minusculo e o narrador mete-se a dizer as marcas das roupas? A menos que as companhias paguem ao autor, por favor não façam product placement. Beber uma Coca-cola, fumar um Malboro até entendo, mas vestir uma saia H&M ou andar numa vespa modelo XYZ… E descrever o quarto todo ao pormenor demorando por vezes parágrafos inteiros com decoração, se o pessoal achou os Maias seca, também vai achar aqui.

Em suma, Ligação é um primeiro manuscrito que precisa de muito trabalho, mas que com tempo e revisões ia ao sítio. Temos de nos lembrar que o mercado português precisa muitas vezes de algo “novo” para se sentir revigorado. Acho que a Soraia ainda vai a tempo de mudar muita coisa e inovar em vários aspectos (tanto nas personagens ou no setting). É importante que os autores não se deixem influenciar demasiado pelo que está publicado e aproveitem esses livros para melhorar e não apenas seguirem (e isto aplica-se a TODOS os autores). Irei ler o segundo com esperanças que alguns destes aspectos tenham melhorado (e se a Soraia algum dia tiver pachorra para rever este primeiro com olhos de lince, estarei aqui para ajudar).

O oceano no fim do caminho

O Oceano no fim do caminho
Neil Gaiman
Tradução: Rita Graña
Páginas: 184
Coleção: Via Láctea Nº 113
P.V.P.: 13,90€
ISBN: 978-972-23-5199-7

Há algo que tenho a certeza quando termino de ler as narrativas de Gaiman: quero que os meus filhos cresçam a ler os livros dele. Gaiman está para os livros como a Pixar está para os filmes, consegue ao mesmo tempo encantar crianças e adultos. O oceano no fim do caminho representa os dois lados de um ser humano: o infantil, onde a imaginação é uma arma poderosa para sobreviver à infância e o adulto, que sente uma nostalgia dos seus tempos de infância e quer voltar a sentir a inocência.

O oceano no fim do caminho consegue capturar o pior do nosso mundo imaginário infantil: os monstros, com o pior do mundo adulto: a angústia, o sacrifício por aquele que mais amamos e a perda, dando no fim uma sensação de falsa esperança. Recuperamos temas já característicos da obra de Gaiman como a identidade e a morte.

No Oceano, a personagem principal não possui nome. Essa ausência de uma marca de identidade forte, já tinha aparecido na “Estranha vida de Nobody Owens”, onde, como o nome indica, o rapaz era um “nobody”. No entanto somado a esse “ninguém” havia um apelido. No Oceano não. De certa forma, esta ausência de identidade que marca o protagonista contribui para uma sensação de que ele é mais do que uma personagem, é um símbolo, que encerra em si todo o espírito do que fomos uma vez na nossa infância. E tal como na infância fantasia e realidade estão diluídas, Gaiman aproveita essa distorção para criar uma história simples mas ao mesmo tempo complexa. Aliado a essa complexidade, surge Lettie, que é uma sidekick poderosa, uma espécie de amiga imaginária para os mais pessimistas (ou realistas) e talvez para os mais optimistas a amiga que sempre quisemos ter. Lettie vem de uma família poderosa e antiga que protege o nosso mundo dos monstros. A família Hempstock aufere uma aura de sabedoria e calma, assegurando que o protagonista não está a enlouquecer quando vê os monstros, por exemplo quando Urusula (uma suposta pulga) aparece e tenta seduzir o pai. Ursula detesta o protagonista porque ele consegue ver quem ela é, mas na verdade ela não é um monstro, mas sim provavelmente uma mulher que apenas está a ter um affair com o pai e, por isso, torna-se num monstro na cabeça da personagem.

Mais do que Lettie e o rapaz, o Oceano é ele próprio uma personagem presente. Situado no fim de um caminho, o Oceano representa a ponte entre os dois mundos (dos vivos e dos monstros), mas simultaneamente é uma espécie de limbo. O “lane” (traduzido para português e brasileiro como “caminho”) representa a “lane” da vida. Não é por acaso que o homem se suicida no fim do caminho e sempre que a protagonista perde alguém importante, regressa a casa das Hempstock e ao fim desse caminho. Neste lugar, o tempo é uma mistura de memórias mal misturadas, onde o protagonista regressa para reviver os bons momentos da sua infância (mesmo que seja imaginária) e fugir da sua vida aborrecida e banal.

O fim do caminho não tem qualquer utilidade para os adultos a não ser alimentar-se de memórias e o oceano de vidas. Lettie marca o protagonista numa espécie de ritual de passagem de criança inocente e feliz a alguém que começa a conviver com a perda. Mesmo sabendo que Lettie não está em casa, o protagonista volta sempre para poder voltar a ser feliz e inocente, tendo possivelmente, a consciência que isso nunca será possível, mas mantendo a esperança. Se toda a história que ele nos conta é verdadeira, isso nunca iremos saber.

Este livro é tanto um conto fantástico como um livro sobre a memória e o modo como ela nos afeta ao longo do tempo. A história é narrada por um adulto que, por ocasião de um funeral, regressa ao local onde vivera na infância, numa zona rural de Inglaterra, e revive o tempo em que era um rapazinho de sete anos. As imagens que guardara dentro de si transfiguram-se na recordação de algo que teria acontecido naquele cenário, misturando imagens felizes com os seus medos mais profundos, quando um mineiro sul-africano rouba o Mini do pai do narrador e se suicida no banco de trás.

A queda de Artur

Ficha Técnica:
A queda de Artur
J. R. R. Tolkien
Christopher Tolkien
Editora Publicações Europa-América
Dezembro 2013
P.V.P: 22,25€
Edição bilingue
Mais informações: http://www.europa-america.pt/

TOLKIEN E A FACETA MENOS CONHECIDA DO PÚBLICO

A Queda de Artur não é um livro, é um poema inacabado de Tolkien, onde o autor tentou contar uma versão fiel ao estilo medieval da história do Rei Artur. Fortemente influenciado por Thomas Malory e Geoffrey of Monmouth (Le Morte d’Arthur), Tolkien delineou os versos usando a métrica característica do Old English e o verso aliterativo (escrita marcada pela aliteração). Para os mais distraídos, Tolkien já tinha feito uma incursão pelos versos aliterativos através do épico Sir Gawain and the green Knight, que retrata a história de um cavaleiro da Távola Redonda do Rei Artur, depois de ele e toda a corte serem desafiados por um cavaleiro verde a dar-lhe um golpe com a condição de passado um ano e um dia o cavaleiro poder retribuir esse golpe. Continue reading

Luz e Sombras (The Grisha #1)

Luz e Sombras
Leigh Bardugo
1001 mundos
312 páginas

Bem este livro foi uma desilusão, muito por culpa das constantes 4-5 estrelas que via no Goodreads (sim a culpa de ter sido uma decepção é toda minha enquanto leitora e não da autora). A verdade é que até estava toda expectante em relação ao world-build e à personagem principal, que no fim, tudo pareceu demasiado corrido e com pouca profundidade. Mas vamos por partes, primeiro o que achei que estava aquém.

– Love interest: o love interest está pouco ou nada desenvolvido. Alina e Maly não têm nada em comum (tirando que são ambos órfãos) e por algum motivo ela começa a gostar dele. Assim, sem mais nem menos. As cenas do regimento militar são muito poucas e nem dá para entender muito bem o que está a acontecer. Entende-se que Alina protege o seu “amigo de infância”, mas não se entende porque é que ela começa a gostar dele;

– O World-build: Uma série YA que não se passa nos EUA é bom, certo? É, e a cena do worldbuild ser inspirado mais na cultura russa é interessante. Contudo tudo parecia tão atirado à minha cara como tipo: olha acontece isto e nós vestimos isto e fazemos isto… Cool, I guess? Somos literalmente atirados para um mundo rico com tantos detalhes a acontecer ao mesmo tempo, que tive de alterar o meu poder de absorção para o máximo. O bom do world-build é que tem um potencial enorme e a autora pode vir a desenvolvê-lo, mas com calma!

– A cena dos Grisha e da escola á-la Harry Potter: srsly? Fiz um facepalm tão grande quando me vi subitamente transportada para “uma escola” onde a Alina faz sempre birra por “não querer ter o poder” e não o querer usar. Miudinha irritante! Porque é que os chosen-one são sempre meninas que nunca querem ser os escolhidos? Com tanto pessoal a querer salvar o mundo, calha sempre aos chatos! Para já não entendi a necessidade desta parte, mas espero que a autora explique mais à frente.

Agora aspectos positivos:
– O vilão! O vilão!: Amo-o, adoro-o! Quero destruir o mundo com ele e criar o apocalipse juntos! Ele é giro (embora supostamente velho), muito mau, terrível, manipulador e eu apaixonei-me perdidamente por ele. Só me apeteceu dizer: deixa a gaja que não quer o poder e vamos ser evil e cruéis juntos!

– A plot: Tirando a cena da escola Harry Potter, que pareceu enfiada a martelo, os twists (para quem não leu a sinopse) deixam-nos de queixo caído a querer ler mais para ver se o vilão vai ganhar.

Aviso já que só vou ler esta série enquanto o Darkling aparecer, se ele morrer faço beicinho, viro fangirl histérica e nunca mais pego na série. Portanto, se querem ter o queixo caído, adoram vilões mesmo vilões e não se importam com personagens clichés meias tontinhas, esta série é para vocês! Se não gostam de personagens meias tontas, leiam por causa do vilão à mesma. E quero ver quem é que também quer virar má e se juntar ao Darkling!

Só ela consegue vencer as trevas… Rodeada por inimigos, a outrora grande nação de Ravka foi dividida em duas pelo Sulco de Sombra, uma faixa de escuridão quase impenetrável cheia de monstros que se alimentam de carne humana. Agora, o seu destino pode depender de uma só refugiada. Alina Starkov nunca foi boa em nada. Órfã de guerra, tem uma única certeza: o apoio do seu melhor amigo, Maly, e a sua inconveniente paixão por ele. Cartógrafa do regimento militar, numa das expedições que tem de fazer ao Sulco de Sombra, Alina vê Maly ser atacado pelos monstros volcra e ficar brutalmente ferido. O seu instinto leva-a a protegê-lo , e ela revela um poder adormecido que lhe salva a vida, um poder que poderia ser a chave para libertar o seu país devastado pela guerra. Arrancada de tudo aquilo que conhece, Alina é levada para a corte real para ser treinada como um membro dos Grishas, a elite mágica liderada pelo misterioso Darkling. Com o extraordinário poder de Alina no seu arsenal, ele acredita que poderá finalmente destruir o Sulco de Sombra. No entanto, nada naquele mundo pródigo é o que parece. Com a escuridão a aproximar-se e todo um reino dependente da sua energia indomável, Alina terá de enfrentar os segredos dos Grisha… e os segredos do seu coração.

Ghostwhisper versão gira e menos lame

Primeira campa à direita

Darynda Jones
Editora: Círculo de Leitores
272 páginas
Sinopse:
Charley encaminha para a luz. O seu dom nem sempre é claro e linear. Por vezes, basta apontar o caminho aos que vagueiam sem aceitar a morte. Mas noutros casos, quando a morte foi violenta ou resultou de um crime, ela não consegue deixar de se envolver na busca da verdade. Por isso, alia a sua faceta de ceifeira com a profissão de detetive privado. Primeira Campa à Direita, o primeiro livro da série, coloca-nos face a uma ambiguidade constante entre o bem e o mal, entre a vida e a morte – entre o desejo de ajudar e a força maligna que sempre acompanha (e tenta) Charley, a protagonista.
Primeira campa à direita não começa da forma mais entusiasmante, é preciso habituarmo-nos de certa forma ao estilo de escrita (mais estilo tradução) da autora e nem pensamos muito na história. O que é uma pena porque a autora na língua original, o inglês, o estilo de escrita dela é muito engraçado, as piadas são giras, algumas brincam com as segundas intenções de algumas palavras e para quem gosta de línguas, humor inteligente é sempre bem-vindo. No início Jones mistura crime com investigação, humor e um pouco de erotismo, ingredientes que fazem com que este primeiro livro seja uma introdução bastante satisfatória para uma série de pelo menos 6 livros.
Charley Davinson é uma “ceifeira negra” e detective provada que ajuda a polícia a investigar homicídios e o novo caso é mais complicado que ela pensa. Para piorar as coisas ainda sonha com um homem que a seduz e a chama por “Dutch”.
O caso do homicídio passa um bocado ao lado a nível de policial e evidencia-se mais as capacidades paranormais de Charley de falar com os mortos que é mais ajuda do que analisar pistas. Só mesmo o mistério do homem negro ou “Mauzão” é que leva o leitor a continuar e é este mistério que leva ao clímax que faz com que este livro valha muito a pena. O clímax certo para haver uma continuação: Segunda campa à esquerda que se foca nessa revelação de quem é o homem mau e qual a sua relação com a ceifeira negra.
Charley é uma personagem bastante adorável, adora café, tem sentido de humor contudo a narrativa encontra-se demasiado centrada nela. O resto das personagens são quase como figurinos que a ajudam e até mesmo o Mauzão quando aparece só no fim conseguimos ter um vislumbre da sua personalidade e ficamos confusos (com o cliffhanger). Por isso, no segundo livro espero ver mais personagens secundárias desenvolvidas e saber como é que Charley vai seguir a sua vida.
PS: É uma pena esta série estar a ser traduzida pela Círculo de Leitores que pelos vistos só através do site deles ou ser sócio é que se pode comprar o livro. Não gosto nada disso. Gostava que o pessoal fosse a uma livraria e visse o livro e o comprasse. Aposto que ia vender muito mais em Portugal 😦

Soberba Tentação

Soberba Tentação
Andreia Ferreira
Editora: Alfarroba
295 páginas

Sinopse:

Depois de descobrir que o sobrenatural não representa um medo irracional e que as criaturas caminham lado a lado com os humanos, Carla tem de enfrentar as consequências do seu envolvimento com o Caael.
Os demónios já deixaram marcas na vida da Ana e da Raquel e a Carla começa a sentir algumas dificuldades em encontrar-se.
Entre lacunas na memória, sentimentos e novas preocupações, surge uma existência virada do avesso com a linha da vida mais ténue do que nunca.
Com a ausência do Caael, assomam revelações que levantam um plano ancestral de uma disputa entre iguais. A Carla vê-se num tabuleiro de xadrez, como um rei isolado, com a rainha a jogar contra ela.

A crítica ao primeiro livro é o post mais visto de todos os tempos aqui no blogue… vocês até pensariam: será que o segundo vai ser assim? Nah, I don’t think so.
Depois de um início fraco, o segundo livro da trilogia começa a aquecer e a ter um objectivo. Se tivesse lido os livros antes de serem publicados, tinha sugerido à autora unir os dois livros de forma a que o leitor soubesse desde o início qual o propósito da saga. No entanto, continuamos com um problema – o facto de Carla ser uma personagem inútil e muito fraca para principal. Claro que nem todas as personagens têm de ser badass, mas sinceramente neste segundo livro ela, mais que nunca, chora e é inútil tendo de ser protegida por outras pessoas, porque ela não faz nada. Pessoalmente, não tenho nada contra personagens fracas: num conto de Angela Carter a personagem principal cai na armadilha como mulher do Barba Azul e só é salva pela mãe no fim que mata o marido. Mas ao menos durante a lua-de-mel, a personagem apercebe-se no que se meteu e quer sair. A Carla mesmo depois de saber tudo sobre a natureza de Caael, continua feita burra do tipo “Ai não me acredito! Ai não pode ser.” Bitch, eu disse que ele queria sacar-te os rins! Conheceste o rapaz assim do nada e pensavas que ia ser amor eterno? God, you’re dumb! 
Julgo que a autora não tem qualquer encanto e simpatia por ela, a Carla tem demasiadas falhas e aliás isso nota-se quando sabemos da profecia que é o verdadeiro twist e só mostra como ela nem sequer devia de ser a personagem principal, mas sim o Caael ou o Ricardo. Seria muito fixe vermos a história pela neutralidade do Ricardo, que começa como uma secundária, mas torna-se bem mais fixe que Carla ou até Caael.  Caael, que neste segundo livro, está ausente (tal como o Edward no Lua Nova e tirando a revelação do twist nada mais se passa) para que Carla se aproxime de Ricardo.
Sinceramente, adorava que no terceiro a Carla parasse de chorar de uma vez por todas e pegasse numa arma e sacasse os rins ao Caael e dissesse “Where’s your God now?” (momento épico!), ok pronto isso era se eu escrevesse a história, mas hey ia ser um final lindo. A Carla tornada num monstro sem sentimentos por causa da manipulação de Caael, o Caael a ficar em pânico porque os seus planos iam falhar e o Ricardo… bem esse está bem como está, mas também gostava que ele ajudasse a Carla a mostrar-lhe um mundo sem sentimentos, run by insticts como por exemplo: vingança. Gostava que o Ricardo se tornasse seu mestre e guia para ela se tornar um monstro. Oh come on, admitem ia ser um grand finale, negro, com calafrios, anjinhos góticos a cantarem… ok, ok já parei!
Ainda não me habituei muito ao estilo de escrita da autora, até porque houve momentos que ri-me com a escolha de palavras, especialmente quando há coisas como “Tinha folhas agarradas ao cabelo e tirou-as com tanta pressão que arrancou madeixas.” (173), what? Primeiro, ouch quem é que arranca cabelos a tirar folhas? E segundo ela não fez pressão, fez força é diferente. Ou então “Tocou-lhe, abraçou-o com o outro dedo e ergueu-o.” (200) What do you mean abraçar com o dedo? Ou então usa e abusa da purple prose “A lua convertera-se num desenho difuso pintado no céu quando o azul começou a preencher o horizonte.” Tradução para o pessoal: anoiteceu. Ou: “soltou uma onomatopeia.” Porque claramente dizer a onomatopeia é demasiado mainstream! 
Also tem algumas gralhas e erros e notas do autor que nem deviam de existir, porque sinceramente se o autor acha que os leitores não sabem quem é o Harry Potter ou o Casper então não referenciem. Os leitores não são burros ao ponto de não saberem ir ao Google e se for alguém de idade (tipo 60 anos porque até a minha mãe de 50 sabe quem é o Harry Potter e o Casper e sabe muito bem o que são “cotas”), não sei porque raio é que as notas estão lá. As de tradução, claro devem estar lá para quem não sabe inglês, agora o resto não. Big no, no!
E pronto aqui vai o resumo:
Pontos positivos: há um objectivo/ há mais Braga como setting/ o Ricardo fica uma personagem fixe;
Pontos negativos: continua a parecer Twilight/ a Carla continua burra como tudo, mas todos gostam dela porque… não sei. Ela não é nada likeable, mas pelos vistos deve ter umas boas prateleiras;
A melhorar: revisão do português e menos purple prose.

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