Quickies #7

Soul sucker
Kate Pearce
Editora: Carina Press
Publicado em 8 de Abril de 2013

A Kate Pearce é, como diria a sra. do Forest Gump, como uma caixa de chocolates. Nunca sabemos muito bem o que encontrar com os seus livros. Pode ser algo muito bem pesquisado ou algo repetitivo. Felizmente Soul sucker, embora seja paranormal, não utiliza a fórmula das duas sagas mais conhecidas da autora. Ao contrário do que pensei (visto não ter indicação em nenhum lado), Soul sucker pertence a uma série, cujo nome ainda desconheço. A personagem de Ella vem contrariar bastante a tendência de personagens femininas fracas. Ela é forte, independente e decidida, o que não impede Pearce de lhe colocar alguma tragicidade – sendo uma soul sucker e empath, how cool is that? – quando chega o seu 27º aniversário, poderá enlouquecer e morrer. Isso se decidir não escolher um mate que a ajudará a manter equilibrada. Ella não está minimamente interessada em escolher um parceiro que nunca viu nada vida, quando andam a morrer empaths com a sua memória eliminada. Morosov, um agente russo, da agência irá ajudá-los. Morosov tem o mesmo temperamento que Ella e os dois a trabalhar juntos dão uma dinâmica fantástica ao romance. Quando Pearce não se foca tanto no romance e mais na acção, os livros tendem a ser bons. Ella é uma personagem bem construída, trágica e é possível simpatizar.
Existem pontas soltas que a autora já afirmou colmatar e desenvolver no segundo livro, especialmente tendo em conta o passado e a família de Morosov. 
Vale bem a pena investir apenas $2 (2,20€) por este e-book. Quem me dera a mim que os portugueses fossem assim tão baratinhos!

50 shades of Gay
Jeffery Self
Editora: Riverdale Avenue Books
Publicado em Fevereiro de 2013

Este livro é daqueles que, sendo fanfic, a única coisa que tem de mal é – ser uma fanfic. Self é um autor até competente quando não está a parafrasear a brainless da L. James e 50 shades of gay se tivesse um argumento original até seria bastante bom! Isso, e tirando o facto destas histórias com sexo hétero como gay acharem por bem ter sexo em seco, só porque sim: ora bem é aqui e agora, um pouco de vaselina e está pronto to go! Tirando o facto do Taylor dizer a célebre frase “I don’t have sex, I fuck.” Ao qual só me apetece dizer: filho, what’s the difference? Se ainda fosse: eu não faço amor, eu fodo (e acabei de ler isto em brasileiro na minha cabeça, não sei porquê), ok eu entendia a diferença. Agora assim, sinceramente parece uma forma de dizer que ele só o quer usar para serem sexbuddies e não haver compromisso porque senão ia ser um livro curto! Mesmo assim, quando digo que é melhor quando Self não se inspira em L. James, refiro-me mesmo ao BDSM. Apesar de haver partes de Grey em Taylor, ele próprio manda Alex pesquisar o que é BDSM, integrar-se do assunto e decidir se quer avançar ou não e mesmo depois de avançar dá-lhe um documento com os soft limits e hard limits. Algo que sabemos que o Mr. Grey nunca fez. A verdade é que estes detalhes deram alguma veracidade a esta componente.
Outra coisa que achei fraco foi as constantes referências a marcas/actores/filmes (meio product placement). Isto é a minha opinião, mas como editora e leitora, acho terrível quando falam de uma marca que eu não conheço (e se calhar outras pessoas não) e fico confusa. Também é uma forma de preguiça aguda dizer que são uns ténis All stars ou que a personagem parecia-se com Grace Kelly, visto que o leitor só tem de visualizar algo parecido com a mulher e o autor escusa de descrever. Mas isso é uma nota pessoal, enquanto leitora e editora não gosto muito.

Malice Striker

Jianne Carlo
Editora. Etopia Press
Publicado em Outubro de 2012

Depois de ler o Death Blow e descobrir que a autora estava nomeada para um Romance review award decidi dar uma segunda e terceira oportunidade. De facto parece-me que o Death Blow é daqueles livros maus de uma autora que até nem é má.

When Scotland’s King Kenneth orders his death and kidnaps his sister, the Viking Brökk—the Malice Striker—plans his vengeance: he’ll steal the king’s bastard daughter from Sumbarten Abbey and use her to buy his sister freedom.

Isto é na verdade uma forma fixe de começar o livro – a irmã de Brökk sendo raptada dá-lhe um motivo para retaliar e começar a acção. Ele precisa de algo para libertar a irmã.

But his schemes go awry when his liege lord commands him to wed Skatha.

Isto na verdade pareceu-me um pouco surpreendente também no livro, mas ao longo da narrativa entende-se o porquê. E dá também um motivo para haver logo no início um casamento. Não há insta-romance apesar de tudo poder indicar para esse caminho.

For if the Viking discovers her secrets, the laws of his people will force him to cast her aside…or kill her.

Basicamente o grande segredo é – e isto não é bem spoiler porque está logo nas primeiras páginas – Skartha é cega. Desde o seu 11º aniversário que deixou de ver e isso muda tudo no livro. Skartha precisa das suas aias para guiarem-na por sítios que não conhece, mas desembaraça-se bem com os seus deveres e embora no início se acanhe e seja uma figura pequena e frágil, eventualmente começa a ganhar mais garra. Brökk, por outro lado, sofreu um desgosto grande de amor e ainda por cima viu a sua irmã de 7 anos a ser raptada. Mesmo assim, não chega a ser um homem cruel. O amor nasce dos dois depois do casamento e é construído através de várias peripécias. Contudo, julgo que Carlos é uma péssima autora de acção. Ela de facto consegue envolver o leitor na história do casal, mas quando chega a detalhes de acção, tudo acontece rápido demais e não se dá atenção aos planos de batalha/acção. Há que haver balanço e não esquecer cenas deste tipo só porque é um livro light romântico com um pouco de factos históricos. Vou ter de tirar a prova dos nove com o livro que foi nomeado para os Romance review awards com os livros Alpha me not e Demon seed.

Vikings e vampiras: é, não primamos pela originalidade

Death blow
Jianne Carlo
Viking Vengeance #2
Editora: Ethopia Press
E-book (publicado a 8 de Dezembro de 2012)

Um romance erótico com vikings no período de transição para o Cristianismo, mas com espaço para a exploração de alguma mitologia nórdica. Essa parte (a parte das curses) foi a mais interessante e o kicking-point fantástico. Infelizmente o romance peca por personagens bipolares e com Alzheimer. A personagem principal, Nyssa é uma guerreira descendente da Deusa Ægir, que tanto brada aos céus que é forte, como quando mata alguém começa a chorar e diz que é fraca. Ou então diz que é independente e depois acarreta tudo o que Konáll manda. Konáll é o típico estereotipo de macho: mandão, demasiado protector, mas que no fundo só quer passar a imagem de amar a Nyssa demasiado e que ela é uma tonta que não sabe tomar conta dela. Kudos pela imagem mental quando lia uma cena de sexo em que Konáll antes de ter um orgasmo repetia três vezes (sim, eram só três vezes) a palavras “mine”. Não sei se isto é muito prático, e que raios um homem tem na cabeça quando está em cima da senhora e dizer “minha, minha, minha”. Mas um dia descobrirei o motivo de ele ter going all Neandertal para cima dela. I may even try it… já estão a imaginar pedirem aos vossos namorados: Olha quando tiveres a chegar aquele ponto, repetes três vezes a palavra mine, ok? Os vilões são fracos e mal explorados e a resolução é encontrada demasiado facilmente.
Em suma, um livro giro para se passar umas horas e rir um bocado, mas que tinha todos os potenciais para uma boa história. Começa bem, perde-se a meio.

Dark Shadows

Vampirella Tp

Patrick Berkenkotter, Marc Andreyko, Jose Malaga (Ilustração)
Editora: Dynamite Entertainment
114 pages
Publicação em 7 de Maio de 2013

Oh que saudades da minha Vampirella! Daquele gore todo, de ver vampiros e sentir o terror da espinha. Mas eu já não tenho 14 anos (tenho mais dez, ai as cruzes! … punny, aren’t we?) e ao ler este volume como Advanced Copy, gostei mas não posso dizer que seja um número muito bom. O pacing é demasiado rápido e tudo se desenrola com facilidade. Ai o apartamento está revirado, então é claro que foi o não sei quantos! Ai é? É verdade, eu não tenho vampire senses, mas tipo é tudo demasiado rápido e parece que o vilão é que vai ter com a Vampirella e quase que a empurra para ele. Os diálogos estão bem feitos e a personagem Vampirella continua adorável como sempre. O seu ajudante, Barnabas Collins (qualquer semelhança com o filme do Tim Burton não é coincidência, se não sabem a história do Barnabas go read it!) é um sidekick adorable, mas o início parece trapalhão a fazer show/tell de algo que devia de ser mais desenvolvido.
Não sei se este volume agradará a todos, mas certamente que agradará aos fãs da série que esperam ler mais sobre a personagem da Vampirella. Resumindo: bons diálogos, boas personagens, pacing rápido, initial incident demasiado abrupto, bom ending.

Zombies, Maria Madalena e surpresa!

Death has come up into our windows
The Zombie bible #1
Stant Litore
Editora: Dante’s Heart

Um livro que me deixou um pouco desgostosa, talvez por ter duas palavras fundamentais para se tornar num dos meus livros favoritos: Zombie e Bible! O livro é pequeno e aborrecido, talvez devido à falta de estrutura e de objectivo por parte da personagem principal. As últimas páginas dão um tom completamente diferente do aborrecido e fazem-me pensar que se calhar o segundo e terceiro estarão mais desenvolvidos com acção. Tem uma cena muito boa com o Deus Chemosh, mas de resto é um início de série morno.

A crítica em inglês: https://madwomaninattic.wordpress.com/2013/03/04/zombie-bible-i/

Daughter of Jerusalem
Joan Wolf
Editora: Worthy Publishing
(a ser editado em Abril de 2013)

Uma história alternativa da vida de Maria Madalena, desde a sua infância até à morte de Jesus. Embora as primeiras páginas fossem desanimadoras, devido ao carácter Mary Sue de Maria Madalena, com o desenrolar da história e das constantes mini-tragédias que formam o seu carácter, o livro acaba por ser uma boa leitura, mesmo para quem não é muito ligado a religião. Tem um ritmo bastante veloz, mas o mais curioso no livro é a mudança de Maria Madalena do canon para a adaptação de Joan Wolf. Uma mulher que está longe da imagem de prostituta, mas ainda assim uma mulher que erra, sofre com os erros e com as escolhas que faz e que se arrepende.

A crítica em inglês: https://madwomaninattic.wordpress.com/2013/03/08/daughter-of-jerusalem/

Prophecy
The League of Illusion #2
Vivi Anna
Editora: Carina Press
(editado a 4 de Março de 2013)
A crítica em inglês: https://madwomaninattic.wordpress.com/2013/03/12/the-league-of-illusion/

Depois da desilusão do primeiro, let us rejoice, brothers and sisters! Este segundo livro é bem melhor que o anterior, dando a ideia que Vivi Anna já se habituou à noção de Steampunk. Nota-se uma maior envolvência dos elementos do steam com a acção.Ainda falta desenvolver o worldbuild, contudo esse nunca foi o forte de Vivi Anna, confesso. Continuo leal à promessa de ler tudo da mulher (sendo um guilty pleasure), e tenho de admitir que é das poucas autoras que consegue transformar uma cena de um beijo em algo completamente romântico e que me mete as bochechas a ferver. As personagens têm pouco espaço de manobra, sendo que Rhys já conhecemos e sabemos que é teimoso e sério e Corina conseguimos simpatizar com ela por causa do espírito da sua mãe, que muitas vezes mete-se ao barulho. A química entre o casal é boa e há sempre a noção que precisam um do outro para que haja sucesso.
A única coisa que eliminava era os elfos que me pareceram deslocados e sem sentido num livro de steampunk (embora haja elfpunk, neste caso acho que não havia necessidade).
Foi um bom livro de passagem para o terceiro e talvez último livro da série, já que o primeiro termina com o falhanço e este com o sucesso da quest dos nossos heróis.

Quickies… perdi o número

Demência
Célia Loureiro
Editora: Alfarroba
Páginas: 400

Sinopse:

No seio de uma aldeia beirã, Olímpia Vieira começa a sofrer os sintomas de uma demência que ameaça levar-lhe a memória aos poucos. A única pessoa que lhe ocorre chamar para assisti-la é a sua nora viúva, Letícia. Mas Letícia, que se faz acompanhar das duas filhas, tem um passado de sobrevivência que a levou a cometer um crime do qual apenas a justiça a absolveu. Perante a censura dos aldeões, outrora seus vizinhos e amigos, e a confusão mental da sogra, Letícia tenta refazer-se de tudo o que perdeu e dos erros que foi obrigada a cometer por amor às filhas. O passado é evocado quando Sebastião, amigo de infância de Olímpia, surge para ampará-la e Gabriel, protagonista da vida paralela que Letícia gostaria de ter vivido, dá um passo à frente e assume o seu papel de padrinho e protector daquelas três figuras solitárias…

Não entendo o “hype” (e por hype refiro-me a pessoas darem 5 estrelas e dizerem que o livro é muito bom – Eu gostei do livro a nível pessoas, mas isto não é uma opinião, é uma crítica rápida) deste livro. Ponto. Em todas as outras opiniões as únicas falhas que apontaram foram relativas à incorrecção do português. Contudo, acho que isso é quase o minímo. O livro apresenta algumas incoerências factuais. A estrutura do livro é caótica e embora a autora tenha feito muito “show” este era seguido de um tell. Quando me refiro à estrutura caótica, refiro-me à estrutura mais tradicional. Não há um climax da história e normalmente o leitor está no presente e é enviado para o passado. Esta sucessão de acontecimentos misturada torna-os previsíveis e estraga o efeito surpresa, pelo menos para um leitor mais experiente. Um ponto positivo reside na história. É preciso coragem para escrever sobre temas delicados, mas a estrutura não dá a mão ao leitor. As personagens são do nosso quotidiano, bem que podiam ser qualquer uma da nossa família. A autora utilizou (de forma inconsciente) uma técnica fácil para simpatizar de imediato com a personagem principal. Coloca-se a personagem no fundo da “cadeia alimentar”, a personagem tem de estar em dificuldades económicas, sem casa, com filhas, sem emprego e viver de favores. Pessoalmente detesto essa técnica, pelo menos logo do início da narrativa. Porquê? Porque não apresenta nenhum desafio para o leitor. É tão fácil simpatizar com alguém que está em baixo, e odiar aquelas pessoas más que têm prejudice em relação à personagem principal que podemos esquecer outras coisas. O que nos leva aos temas. Os temas são um ponto positivo: Alzheimer, violência doméstica, prejudice, o meio rural fechado e atribulado. A autora tinha mais que espaço de manobra para fazer algo que toca nas pessoas. No geral penso que o livro precisava do toque de um editor. Não de beta readers, mas de editores profissionais de forma a analisar tudo e rever e, muitas vezes fazer o que pessoas não têm coragem, contrariar o autor. Ainda assim, se a Célia estudar escrita pode vir a ter um bom livro de futuro, porque as ideias estão lá, falta apenas consolidá-las.

Adrift on the Sea of Rains
Ian Sales
Formato: Kindle Edition
Páginas: 125 (com glossário)
Editora: Whippleshield Books (26 April 2012)

Sinopse:

A nuclear war has killed everyone on Earth, leaving stranded on the Moon nine astronauts at Falcon Base. With them they have a “torsion field generator”, a mysterious device which they hope will find them an alternate Earth which has not succumbed to nuclear armageddon. But once they’ve found such an Earth, how will they make the trip home? They have one Lunar Module, and that can only carry four astronauts to lunar orbit…

Peguem no sentimento que vos é mais querido: a esperança. Pronto, peguem nisso atirem ao chão, atirem sobre ela várias vezes, pisem-na, esbofeteiam até à exaustão e têm um novo sentimento. O sentimento com que o leitor sai deste pequeno livro de FC. O conceito não é novo, mas a prosa brilhante de Sales faz com que valha a pena.

Goodbye, he tells Falcon Base. Be well, be patient.
It’s been an honour, sir, says Scott. And he sounds
like he really means it.

O meu coração teve um mini-AVC. 
De salientar ainda que a prosa de Sales é das poucas que dão para sentir a solidão e o desespero das personagens.
Embora o texto esteja pejado de siglas, tem no final um glossário, que complementa a leitura,

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