Rio Equilibrium

Rio Equilibrium
Ricardo Tomaz Alves
Chiado Editora
Link para o livro no Goodreads

Exemplar cedido pelo autor para uma crítica honesta.

DISCLAIMER:
– Adoro livros de anjos;
– Adoro estudar sobre religiões;
– Adoro mitologia oriental;
– Não me digam que o livro no fim melhora ou nos próximos porque sinceramente… I don’t give a damn! É a crítica deste livro e nada muda isso.

Rio Equilibrium é um livro ainda muito verde onde o autor comete erros básicos fruto de, ou falta de leituras assíduas, ou de pesquisa no campo da escrita criativa. Escrever não é fácil, terminar um livro também não, contudo criar uma história que entretenha e nos motive a continuar é um desafio. A escrita vive de emoções muitas vezes, e emoção é algo que falha neste livro.
Começamos com uma explicação extensa de como Rio Equilibrium foi criado, sem necessidade nenhuma. Tudo que seja backstory não deve ser atirada no início do livro. Aborrece imenso o leitor com detalhes que não servem para nada, apresenta personagens que não vão aparecer mais na história e faz com que a acção seja nula. Isto no início de um livro dita logo a morte do mesmo. O autor tem 50 páginas para “razzle dazzle” um editor. Se o aborrece, o mais certo é o editor não apostar.

De uma atmosfera de anjos passa-se para uma na Terra onde Equilibium cresce no Japão. E aqui o autor começa a literalmente despejar tudo o que sabe sobre artes marciais. Durante quase 100 páginas. Não acontece muito mais coisas: lutas, treinos, explicações sobre artes marciais. O leitor quer estar atento mas isto não serve de nada para a história… qual é a história? Ah sim, Lucífer quer matar Equilibrium… Não digo que seja uma má história. Simplesmente o autor não a aproveita! Rio podia ter qualidades, mas não tem. Lucífer está reduzido a diálogos banais demasiado teatrais mas nada faz… As personagens são de papel. Não têm profundidade, estão lá porque o autor decidiu que elas estariam lá.
Lucífer poderia querer matar Rio, mas que personalidade é que ele teria? Seria um louco? Seria um demónio que só quer criar o caos? Como é que ele cria o caos? O autor deixou-se levar pela sua adoração ao mundo das artes marciais que esqueceu tudo o resto e compartimentou a acção e esqueceu-se que isto é um livro para outras pessoas lerem.

O que me leva ao terceiro erro: notas de rodapé. Senti que o autor estava com um síndrome de superioridade e a tratar os leitores como burros ao explicar em nota de rodapé o que é Quioto, a Bíblia, o Corão, um arcanjo, um querubim, Harakiri (que sinceramente meter como nota de rodapé sinónimo de Seppuku é, bem idiota! Se o autor julga que a pessoa sabe o que é Seppuku, então porque não colocou Seppuku em vez de Harakiri?). O livro não é uma enciclopédia. Eu se não souber o que é algo, vou à Wikipedia e consulto.

O setting é quase inexistente, as descrições básicas e tudo muito pouco profundo. Não há ponto de partida nem de chegada. Não há um início nem um meio do livro. Sabemos que estruturar um livro é uma tarefa difícil e escusamos de escrever todos livros profundos, mas há que ter um fio condutor para o leitor seguir e muitas vezes o próprio autor esquecia esse fio e escrevia as cenas que queria.

Infelizmente o livro é isto: muito tell, muita explicação de arte marcial, pouca ou nenhuma acção, personagens que pouco ou mais se retém do que o nome e a parte da Bíblia mais mitológica é pouco aprofundada e demasiado banal para sequer ter um relevo importante. É um livro sobre arte-marciais PONTO. Do que li por alto do resto do livro aparecem ninjas, cowgirls, vikings, jornalistas e detectives … não entendi muito bem o motivo, são simplesmente jogados na história e depois metem-se no caminho da personagem principal porque o autor assim o quer.

Escrever um livro não é fácil, mas meter tanta coisa junta resulta numa salgalhada. Entendo a devoção o autor pelo mundo Japonês (a sério), mas este livro não precisava de anjos, nem de mitologia nem de nada disso! Se fosse um simples livro onde as artes marciais estivessem em destaque seria um livro espectacular devido à quantidade de informação que o autor detém. E isso seria facilmente colmatado com uma plot simples onde o Rio não seria um “escolhido”, mas sim um herói “acidental” cujo objectivo principal seria encontrar o responsável pela alteração do equilíbrio do mundo. Nada de anjos, nada de mitologia, só isso! Claro que para o herói ser acidental teria de haver algum acontecimento que despoletasse esse sentimento de ele querer descobrir: normalmente é a morte de um familiar/mestre. Algo simples mas que deixava ao autor espaço para desenvolver a personagem principal sem encher o livro de detalhes que o leitor mal consegue reter.

Há imensos livros de escrita criativa em inglês que podem ajudar o autor a ter uma noção do que evitar ou então peçam a bloggers betas para lerem os vossos manuscritos e dar uma opinião sincera. Se calhar o autor quis lançar-se na fantasia, visto que o livro anterior era um romance pequeno sobre o nosso Portugal. Contudo para escrever sobre fantasia é preciso ler muita coisa antes, estudar o que é preciso fazer, como queremos que as nossas personagens sejam. Escrever é um “pain in the ass” ás vezes, mas nenhum autor vai longe se não se debater com uma história e andar às voltas com ela. Escrever é pensar e reflectir muito antes de passar para o papel e embora isso nem sempre seja divertido, o resultado é quase sempre satisfatório.

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2 thoughts on “Rio Equilibrium

  1. pco says:

    Mas porque é que te dás ao trabalho? Masoquismo? Pagam-te? Amor aos livros? Repara que não te estou a ‘condenar’.. é mesmo curiosidade. Até porque as tuas revisões de livros são excelentes leituras ‘per se’. 🙂

    • Adeselna Davies says:

      Hello,

      como disse num grupo do Facebook, o autor contactou-me para eu ler o livro e escrever uma crítica honesta 🙂 Aceitei. Tenho de salientar que o autor, o Ricardo, foi excelente na recepção da crítica 🙂 Esta semana tive problemas com uma autora norte-americana. Ignorou a minha crítica porque não lhe dei 5 estrelas e ainda me veio abordar a perguntar porque é que lia os livros dela se só dava 2-3 estrelas e estava a arruinar a média dela de 5 estrelas… passei-me como podes imaginar XD Nunca mais vou ler nada dela (e olha que eu era uma leitora assídua, dos 5 que ela publicou só não tinha lido um!) Enfim não tenho feitio para aturar divas 🙂

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