As Histórias de Terror da Entrada do Túnel

As Histórias de Terror da Entrada do Túnel 
Chris Priestley
Edição: 2013
Páginas: 208
Editora: Arte Plural Edições

As Histórias de Terror da Entrada do Túnel é a prova que a literatura portuguesa infanto-juvenil ainda está a milhas de distância da literatura anglo-saxónica.

Nomeado para um Edgar Allan Poe para melhor novela YA, Chris Priestley perpetua autores como Neil Gaiman e Tim Burton. Pejado de simbolismo e um hino ao conto, As histórias de terror não são feitas para assustar crianças, mas sim adultos. Com um imaginário sem limites para a maldade e uma excelente componente visual (graças às ilustrações de David Roberts), o leitor acompanha pequenas histórias narradas pela morte sobre ambições desmedidas, curiosidade e imprudência, o ciúme e o ressentimento, Priestley consegue através da sua escrita sofisticada claramente vitoriana agradar a adultos e crianças.

Com um dos melhores inícios: “It was the first railway journey I had ever made alone.”, o comboio torna-se numa espécie de limbo onde todos os passageiros dormem e a personagem encontra-se sozinha com a senhora de branco que se entretém a contar histórias de terror (visto que são as únicas que sabe, muito provavelmente porque as presenciou) antes de atingir o clímax do livro. Durante a viagem não se compreende se o objectivo da senhora é entreter Robert ou dar-lhe uma oportunidade para ele mudar. Ao mesmo tempo que aterroriza, as histórias servem para ele reflectir o final das personagens. Robert pensa e arrepia-se, chegando ao ponto onde as histórias chegam sem ele as querer ouvir, mas seduzido pela aparência da mulher, não tem coragem de negar.

A senhora de branco encorpora a estética macabra vitoriana, onde a morte atrai e repele ao mesmo tempo. Se ela, numa primeira visão é linda e educada, aos poucos vamo-nos apercebendo que ela é muito mais macabra do que parece:

‘I detest flies,’ she said. ‘You would think that I’d have become used to them by now, but I never have.’

Plácida, Priestley consegue através da sua escrita maravilhosa captar a essência e personalidade da Morte, que nos aterroriza mas maravilha ao mesmo tempo.

O mais curioso é que esta história poderia ser a de Robert. Através das histórias contadas pela mulher e pela moral que Robert tira delas, ele apercebe-se do seu destino caso continue a ser um “little brat” para a sua madrasta que o adora. A personagem tem assim espaço para poder evoluir e tirar das histórias uma lição em cada uma.

No fim, as pontas soltas atam-se para os mais jovens e os adultos sorriem lerem um livro intemporal devido aos seus temas e personalidade das personagens.

Robert está entusiasmado: pela primeira vez, vai viajar sozinho de comboio! Está a caminho de um novo colégio e vai finalmente deixar para trás o tédio das férias, passadas em casa com a sua irritante madrasta. De início, a viagem ameaça ser bastante aborrecida, sobretudo quando o comboio fica parado, durante horas, à entrada de um túnel profundo e escuro. Mas, felizmente, Edward (I think it’s Robert here) conta com a companhia de uma mulher, esguia e elegante, totalmente vestida de branco, que o vai entretendo com histórias? histórias cada vez mais arrepiantes e perturbadoras. À medida que o tempo vai passando, o comboio continua misteriosamente parado?

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About Adeselna Davies

Occasionally works as an English and German teacher, also loves to read all kind of books and wish someone would pay her to read and write reviews forever. She is also a magazine designer and writes short-stories.

One response to “As Histórias de Terror da Entrada do Túnel

  1. Quero ;_; por causa da capa, por causa da opinião, por causa das ilustrações

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