Anjos Negros – Ligação

Ligação
Anjos Negros #1
Soraia Pereira
186 páginas
E-book

*Ruiva inspira e expira* Ora vamos lá…
Em primeiro lugar quero dizer que li este livro com muitas coisas na consciência: que a Soraia publicou o livro da forma mais inocente e desinformada; que este livro não teve um editor nem um revisor e que foi o seu primeiro livro.
Dito isto, o veredicto final é de: déjà-vu.

Senti-me a ler o primeiro livro da Irmandade da Adaga Negra (*chuckles*) desde o início até ao fim, devido à plot ser quase copy/paste. Mas esse detalhe à parte, vamos por partes e ver o que é preciso desenvolver:

Personagens:
Este campo foi o que achei mais berrante. Jessica é uma inutil. Ponto. Não tem nenhuma utilidade para além de andar sempre a esvair-se em sangue. Lá tem umas falas engraçadas para o leitor não a querer esvrentar, mas de sumo não tem nada. Zero. É uma Bella sem os dramas. A autora podia ter pegado no passado dela como orfã e ter desenvolvido os sentimentos dela, de solidão, de abandono. Basicamente, ela só serve para estar lá e fazer a plot avançar… Atençao eu não quero uma personagem a matar toda a gente, simplesmente uma que faça mais do que simplesmente estar às portas da morte.
Leonardo é doido. Ponto. Comporta-se como um adolescente com as hormonas aos saltos quando a vê (God knows why… Ok sabemos depois e a desculpa é tão… Cliché que eu só dizia: oh mulher, o que fostes fazer!) Tem ataques de raiva e a nível de Anjo Negro, não é nada demais. Basicamente uma típica personagem masculina cliché paranormal.
Uma personagem que adorei? A’larick! Finalmente alguém normal, ou vá psicopata. Gostava tanto que a Soraia escrevesse um livro sobre ele, onde não o metesse como “bom” ou a “cair por uma mulher”.

Plot/história:
A plot começa bem mas depois não tem meio. É um livro com princípio e fim, onde foi parar o meio? Não há. O meio é um emaranhado de situações desconexas que se arrastam até ao climax onde no final (quase 50 paginas do fim) volta-se à acção. Até lá o meio consiste na Jessica a esvair-se em sangue, o Leonardo e a ir salvá-la, ela a fugir e ele a ir salvá-la outra vez (a sério quantos litros de sangue é que a mulher tem?) Eu sei que meios são muito complicados (eu ainda há pouco lutava contra eles, mas depois de ler uns livros entendi a dinâmica). Os inícios têm sempre um bom fôlego porque é um livro novo e o final, bem todos queremos arranjar um final para a nossa história… Agora o meio? Para os autores é sempre a parte complicada e a que merece mais trabalho. Havia muita coisa a acontecer no final que devia de ter sido puxada para cima, de forma a não estagnar.
De resto é bastante similar ao primeiro livro da Ward da Adaga Negra.

Setting & World build:
Esta foi a parte na qual fiquei muito desiludida. Basicamente a história passa-se em casa do Leonardo por isso porquê Nova Iorque se 95% da acção é em casa e isso muito sinceramente não importa. Faltou mais urbano, mais sítios, mais descriçoes.
O World build aparece todo no fim aos pontapés em forma de tell por parte das personagens, o que embora não sendo a situação ideal, até fecho os olhos porque worldbuild pode sempre ser melhorado à medida que se vai avançando e ir acrescentando novas coisas, DESDE que o autor tenha tudo planeado. Por isso, fico à espera que os Anjos Negros evoluam para algo original e novo.

Escrita:
Precisa de ser bastante afinada. Não falo de erros (à medida que ia lendo anotava), mas há tiques de fala que soam “outdated”, como por exemplo o uso e abuso da palavra “meu” (que queres, meu? Meu, está tudo bem?) e “tá”. Outro detalhe é o product placement excessivo e chato: o Leonardo vestia Armani, tinha um carro Xpto-racer, cheirava a não sei quê… A sério? A miuda é uma orfã que tem um apartamento minusculo e o narrador mete-se a dizer as marcas das roupas? A menos que as companhias paguem ao autor, por favor não façam product placement. Beber uma Coca-cola, fumar um Malboro até entendo, mas vestir uma saia H&M ou andar numa vespa modelo XYZ… E descrever o quarto todo ao pormenor demorando por vezes parágrafos inteiros com decoração, se o pessoal achou os Maias seca, também vai achar aqui.

Em suma, Ligação é um primeiro manuscrito que precisa de muito trabalho, mas que com tempo e revisões ia ao sítio. Temos de nos lembrar que o mercado português precisa muitas vezes de algo “novo” para se sentir revigorado. Acho que a Soraia ainda vai a tempo de mudar muita coisa e inovar em vários aspectos (tanto nas personagens ou no setting). É importante que os autores não se deixem influenciar demasiado pelo que está publicado e aproveitem esses livros para melhorar e não apenas seguirem (e isto aplica-se a TODOS os autores). Irei ler o segundo com esperanças que alguns destes aspectos tenham melhorado (e se a Soraia algum dia tiver pachorra para rever este primeiro com olhos de lince, estarei aqui para ajudar).

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About Adeselna Davies

Occasionally works as an English and German teacher, also loves to read all kind of books and wish someone would pay her to read and write reviews forever. She is also a magazine designer and writes short-stories.

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