Eu, Malala

Eu, Malala
A Minha Luta pela Liberdade e pelo Direito à Educação
Malala Yousafzai/ Christina Lamb
Editorial Presença
Tradutores: Maria de Almeida/ António Carlos de Andrade/ Cristina Carvalho
Mais informações consulte o site Presença

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O que aprendi sobre mim mesma ao ler “Eu, Malala”
Tenho vinte e cinco anos. Um mestrado. Mantenho um relacionamento estável de sete anos. Eduquei uma irmã mais nova. Durante estes sete anos tentei escrever muita coisa. Escrevi muita coisa. Publiquei pouca. Comecei a dar aulas. Reflectia sobre muita coisa durante as aulas. No exame dos professores escrevi um texto sobre a importância do aluno na sala de aula enquanto individuo com uma personalidade a ser formada. Li partes do Alcorão. Li livros sobre o Médio Oriente. Li muitos artigos sobre o Iraque. E no entanto, quando terminei de ler “Eu, Malala” apercebi-me que não sou nada, não sei nada, nunca lutei por nada. Ao mesmo tempo que fico com uma sensação no peito de desconforto. Olho para os meus alunos desinteressados em aprender e quero esbofeteá-los, meter-lhes este livro à frente e explicar que há tantas crianças no mundo que gostariam de ter uma professora e aprender e não podem. Porque proíbem. Não deixam. Dizem que as mulheres não precisam de educação. E a vida delas é governada por ignorantes que querem manter-se no poder e por isso precisam das gerações futuras também ignorantes. A educação é uma arma. Quanto mais sabemos, mais reflectimos e menos nos deixamos ser influenciados por mentiras e manipulações ocas. E é isso que os nossos estudantes não entendem. Mostram-se desinteressados face a políticas corruptas, mas não entendem que eles têm o poder na mão. Um povo culto e inteligente terá sempre o poder na mão.

A menina que só queria ir à escola
Durante as páginas iniciais, tal como todos os autores do Médio Oriente, Malala expressa um profundo lamento pelo seu país, sempre governado por corruptos, mas com tradições e cultura extremamente rica, que são destruídas devido aos talibãs.
Malala não gosta dos Talibãs. O seu pai também não. Nenhum escritor do Médio Oriente gosta. Alimentam-se do terror, da violência, do ódio e acima de tudo de uma falsa religião. Malala mostra-nos um islão muito parecido com o Cristianismo. Não matarás. Alá nunca referiu que as mulheres devem andar de cabeça tapada. Alá nunca prometeu uma vida rica no Além para os suicidas. Porque matar é pecado e matar inocentes mesmo em nome de Alá continuará a sê-lo. Malala lamenta que a imagem que o seu país passa é de uma terra de terroristas. De criminosos. Mas não o é. As pessoas de Swat são afáveis, muitas delas ignorantes. Malala refere que o seu pai nunca bateu na mãe, afinal ele ama-a, mas nem todos os homens são assim e eu pensei: ó meu amor, até aqui no Ocidente quantos maridos não batem nas mulheres? Quantos homens não se acham acima de nós e que têm direito de nos baterem? O pai é a sua principal influência, lutou muito quando jovem e a filha herdou dele a inteligência e coragem. Malala denuncia o que vai mal no seu país, mas acima de tudo elogia e explica como as coisas aconteceram.

Esquecemo-nos sempre que Malala tem apenas 16 anos. Gosta de Justin Bieber e de Twilight. Malala não pensa como uma menina de 16 anos. Mas isso somos nós a ser ingénuos. A idade não importa, aos 16 anos viveu mais que qualquer um de nós aos vinte e cinco. Ela é um símbolo. Podia ter virados as costas e ter seguido o regime de terror. Podia ter ficado calada e não ter sofrido o atentado, mas não o fez. O silêncio é uma forma de aceitar e cooperar com o terror e Alá diz que a coragem é uma virtude resultante da fé. Malala não quer que as pessoas associem a palavra do seu Deus ao terror, como uma crente quer que as pessoas aprendam que há uma outra versão, que ela aprendeu na escola. Que o Deus dela, tal como o Cristão também é bondoso e espalha uma mensagem de bondade, bondade essa que Malala decidiu acolher e transmitir para o Mundo.

Portugal e o Médio Oriente
“Eu, Malala” relembra-nos dos Terraços de Teerão, relembra-nos do Menino de Cabul e tal como o último lembramo-nos de Portugal. Da nossa cultura tão rica posta de lado, da corrupção que atira o nosso país para a crise económica. Não temos violência física, mas sofremos de violência económica e social. Não temos terroristas de longas barbas, mas temos políticos que nos tiram dinheiro para encher os bolsos deles. Temos más políticas educativas. Afinal o que nos separa do Médio Oriente? Se nos tirassem os direitos tinhamos estômago para lutar ou continuaríamos passivos e regredíamos?

A rapariga que sobreviveu
Malala é o símbolo do outro lado. O lado que raramente aparece nos filmes americanos, onde estes são os heróis e o inimigo, os terroristas. Malala representa the girl who lived e que se destacou do mundo para lutar contra as forças do mal, em prole dos direitos básicos do ser humano. Ninguém nos pode tirar a educação, ninguém nos tira os nossos pensamentos, as nossas dúvidas e a esperança de que o mundo vá mudar. No final do livro sentimos que Malala viveu demasiado, demasiado cedo. Queremos abraçá-la a chorar e dizer que uma menina daquela idade não deveria de ter passado por tudo aquilo, que deveria de ter visto o Twilight e todos os filmes cheesy que prometem a esta menina um “feliz para sempre”. Porque afinal ela tem 16 anos… e se olhasse lá para fora via os corpos de pessoas que lutaram e perderam a batalha. Pessoas que nunca serão recordadas porque o que passa nas televisões é o nosso lado. O lado do Ocidente e o Oriente fica esquecido e rotulado como perigoso quando os heróis do quotidiano são expostos para uma menina aprender o que lhe acontecerá se quiser lutar.

cf00c-flores_entrevistaÉ um bocado escusado dizer que adorei o livro e como é óbvio vai ficar na minha estante para ser passada de filhos para netos e de netos para bisnetos. Se conseguirem poupar uns trocos asseguro-vos que ESTE é o livro que devem comprar. Não foi à toa que entrou nos melhores livros de 2013 em muitos blogues e jornais. O livro está repleto de memorable quotes e ainda lições de vida.

Sinopse:
No dia 9 de outubro de 2012, Malala Yousafzai, então com 15 anos, regressava a casa vinda da escola quando a carrinha onde viajava foi mandada parar e um homem armado disparou três vezes sobre a jovem. Nos últimos anos Malala – uma voz cada vez mais conhecida em todo o Paquistão por lutar pelo direito à educação de todas as crianças, especialmente das raparigas – tornou-se um alvo para os terroristas islâmicos. Esta é a história, contada na primeira pessoa, da menina que se recusou a baixar os braços e a deixar que os talibãs lhe ditassem a vida. É também a história do pai que nunca desistiu de a encorajar a seguir os seus sonhos numa sociedade que dá primazia aos homens, e de uma região dilacerada por décadas de conflitos políticos, religiosos e tribais.

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