Continuação Tidy Friday

Oh dear Lord, sou tão trenga que me esqueci de fazer copy/paste das primeiras palavras da novela! Como é óbvio isto é um first draft muito first. Não vou enviar assim o livro aos betas quando ele estiver pronto, mas gosto sempre de acompanhar o processo de escrita e edição aos poucos. Bem aqui fica.

Capítulo I

Nas pequenas vilas não existem segredos. Todos sabem de quem é a nossa casa, o que fazemos e onde passeamos aos Domingo. Com o tempo, as caras mudam, mas permanece tudo na mesma fechado. Ninguém quer sair da vila, ninguém novo entra. Os mitos perpetuam-se, alguns com a passagem do tempo ficam esquecidos, outros somos nós os responsáveis por mantê-los. As velas são deixadas de propósito nas praias como sinal das bruxas da Madalena para impedir que caiam no esquecimento. As gárgulas de Arcozelo foram destruídas com o tempo, outras mudaram-se para os edifícios da capital quando Arcozelo arranjou a Santa. Todos temos um papel a cumprir. O meu é proteger a minha terra. Talvez por isso Arcozelo seja uma pacata vila no meio de Gaia, que quando falo dela a reacção das pessoas é: onde? Nasci para ficar aqui até que a minha presença não seja desejada… Qual achas que é o teu papel?
… Amar-te!

Ricardo acordou com o telemóvel a vibrar… Seis da manhã… Pff duas horas de sono. Não se lembrava de ter colocado o alarme para tão cedo. Outra vez aquele sonho… A mesma voz feminina. Já era a terceira vez que sonhava com ela. Devia de haver algum tipo de explicação psicológica. Talvez ele estivesse a enlouquecer de vez. Ele explicava-lhe quem eles eram… Para quem ele trabalhava, porque é que ele trabalhava e ela depois de cara tapada aproximava-se, abraçava-o e dizia que o amava. Puto, é o que acontece quando só dormes duas horas! Podia ser uma gárgula, mas precisava das suas oito horas de sono diárias como qualquer humano nojento. Isabel. Ou seja trabalho… A menos que ela quisesse companhia, o que Ricardo sinceramente duvidava.
– Pelo amor da Santa, diz-me que não tens um cadáver para mim! – De barriga para cima, com a mão a cobrir a testa conseguia ouvir os sinos da igreja e o galo a cantar.
– Ah, aí é que te enganas meu querido, não tenho uma cadáver para ti! Tenho dois! Parece Natal, amor dois cadáveres fresquinhos no Senhor da Pedra para ti. Estou a ir para lá.
– E eu tenho de ir lá ter?
– O que achas, espertinho? Queres ver quem chega lá primeiro?- Nem por isso, se estás a dizer isso é porque já estás a chegar. – Ouviu Isabel a arrancar provavelmente num semáforo. O barulho do motor indicava que estava com um carro potente. – E para além disso, eu nunca conseguiria chegar a tempo com o meu Renault.
– Vossa excelência é tão humilde que vai para o trabalho de carro em vez de usar as asas! Ah e já agora tens mesmo de ir hoje… a babysitter chegou. Pelo que o patrão disse é humana.
Ricardo levantou-se da cama de imediato afastando os cobertores.
– Humana? – A sua voz ao telefone soou como um rugido.
– Pois, eu também tive a sensação que não ias gostar. Mas o patrão disse que nós não nos sabemos portar como seres normais por isso enviou-nos uma humana, muito competente, segundo ele, claro.-
Ricardo apanhou a t-shirt do chão e o casaco da cadeira.
– Estou a sair de casa, encontramo-nos lá. Eu quanto encontrar o José dou-lhe uma palavrinha! Ele sabe bem que não podemos admitir mais humanos na PP!
– Então dizes isso tu, já que te sentes especialmente suicida hoje. Até já.
Ricardo desligou o telemóvel. Esperava que sinceramente não fosse nenhuma cunha, já que o patrão sabia bem quais as regras de admissão dos humanos na Polícia Paranormal. Admitir uma humana assim era não só irresponsável, como ainda suicida. O José não estava a entrevistar mortos-vivos para supervisores? Não era ele que dizia que eles tinham um intelecto bastante apurado? E agora uma humana! Meu Deus e se a rapariga não souber quem nós somos! Ricardo pegou nas chaves e saiu de casa. Que início de dia.
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