A travessia

A travessia
WM. PAUL YOUNG
Páginas: 304
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04235-4

Sinopse:

Anthony Spencer é um empresário de sucesso, um homem orgulhoso e egocêntrico que não olha a meios para conseguir os seus objetivos. Um dia, o destino prega-lhe uma partida: um AVC deixa-o nos cuidados intensivos, em estado de coma.
Entre a vida e a morte, Anthony vê-se num mundo que espelha a dor e a tristeza que tem dentro de si. Confuso, sem compreender exatamente onde está e como foi ali parar, viaja pela sua consciência para compreender quem realmente é e descobrir tudo o que tem perdido ao longo da vida: a esperança, a amizade genuína e o amor verdadeiro, sentimentos que há muito o seu coração deixara de sentir.
Em busca de uma segunda oportunidade, Anthony fará uma jornada de redenção e encontro com o seu verdadeiro ser.
A travessia é um misto de momentos alegres, com momentos de reflexão e ainda alguns de sermão religioso, mas que no fim a mistura assenta bem para aqueles leitores que quiseram sair da “Comfort zone”. Este livro não dá para ter uma só review, é daqueles que várias pessoas com diferentes pontos de vista vou ora adorar ora odiar. Para um religioso este livro pode ser espectacular porque mostra uma viagem de redenção e de como Deus está sempre presente nas nossas vidas. Para um ateu, a viagem já é menos fascinante, talvez porque existem períodos de narrativa só concentrados em explicar coisas a Tony, que na mente de um ateu são impossíveis. Contudo, se tivermos em conta que Jesus e Deus nesta viagem são apenas personagens fictícia criadas pelo sub-consciente de Tony, a leitura muda de figura. 
A travessia vai depender totalmente da mente do seu leitor, não obstante existem factores que nunca pensei vir a ler num livro de um best-seller: infodump e tell no início do livro. Ainda que o narrador nos diga que Tony é uma pessoa horrível e desprezível, não sentimos nada disso. Nunca vimos Tony a fazer nada de mal porque no início tudo nos é dito. No entanto Young rapidamente se arrepende de ter começado o seu livro aos trambolhões e brinda-nos com uma personagem espectacular: Maggie. Ao contrário de Tony, Maggie não é caracterizada de forma directa, mas sim através das suas acções. Ela é respondona, amiga do seu amigo e carinhosa – talvez por querer representar algo totalmente oposto a Tony, estes dois acabaram por se tornar numa dupla boa e dinâmica, algo que a narrativa estava a implorar desde o início.
A moral da história é universal: talvez por isso tenha achado o livro bom a nível de moralismo e de lições de vida, mas a parte “ficcional” ficou aquém. Provavelmente Young queria escrever um livro sobre religião mas sem se tornar maçudo, ou então queria escrever um livro de ficção mas com religião para apelar a mais leitores. Em ambos os casos não é preciso Jesus nem Deus para uma pessoa aprender a endireitar-se e olhar pelos outros. Ou talvez o Jesus de Tony nunca existiu e fora apenas uma imagem criada pelo subconsciente dele em forma de algo socialmente aceite para que este aprendesse os valores básicos da solidariedade. Para o leitor interessa apenas que Tony tenha aprendido a sua lição ainda que o fim seja aberto para, de igual forma, haver diferentes interpretações. Mesmo no fim tudo irá depender do que é o leitor acredita e da forma como ele julgou a personagem de Tony: será que ele merece uma segunda oportunidade? Se Deus e Jesus foram mesmo personagens tiradas da imaginação da personagem então essa segunda oportunidade será impossível de conceder visto que a religião nunca sobrepões a ciência. Se, por outro lado, quisermos mostrar a misericórdia de Deus, então aí sim, Tony poderá ter uma segunda oportunidade, pois nada de bom advirá com a primeira opção. A primeira é mais realista e dependerá se somos pessoas de fé ou de ciência.
Ainda que com falhas a nível ficcional, o forte da Travessia é mesmo a mensagem, tentando passar uma mensagem universal de redenção e de bondade, fazendo uso de simbolismos ora religiosos ora metafísicos para ateus, e ora tentando convencer-nos que a fé salva vidas ou que a própria vida encarrega-se de castigar os maus. A pessoa está no centro da acção e é ela a responsável pela sua viagem ou travessia do seu subconsciente, de forma a conseguir aquilo que o seu consciente não conseguiu alcançar. Uma coisa é certa: nunca irão ler uma opinião semelhante deste livro.
  • Mensagem universal e bonita;
  • Um livro que pode ser lido com diferentes pontos de vista.
  • Infodump e tell exagerado;
  • Algumas partes referentes a religião parecem sermões e a narrativa estaca.
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About Adeselna Davies

Occasionally works as an English and German teacher, also loves to read all kind of books and wish someone would pay her to read and write reviews forever. She is also a magazine designer and writes short-stories.

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