Quando estou contigo

Quando estou contigo
Beth Kery
Editora: Saída de Emergência
384 páginas
Tradutoras: Teresa Martins de Carvalho & Nanci Marcelino
Eu bem digo que os cozinheiros estão na moda… mas ninguém se acredita em mim!
Li este livro já há algum tempo, mas como quero torcer o pescoço das tradutoras e se escrevesse a review antes, isto ia ser um exercício de correcção de tradução em vez de crítica, achei melhor esperar um tempo e praticar o meu tiro ao alvo e ter umas sessões de yoga! Por isso passado quase um mês, consigo pensar em “Quando estou contigo” como uma história sobre redenção e confiança.
Lucien Lenault é um herdeiro autoexilado de uma família abastada. Decidido a triunfar sozinho, tornou-se um restauranteur famoso da elite gastronómica de Chicago. O primeiro olhar que lança à arrebatadora chef estagiária que contratou para o seu restaurante deixa-o chocado. Ela é Elise Martin, filha de um abastado estilista francês. Mas ela é também detentora de um segredo que poderá fazer explodir os seus planos cuidadosamente elaborados.
Começo por dizer que o twist final fez com que a minha reacção fosse a equivalente a uma adolescente histérica depois de dar o primeiro beijo… do tipo: OMG, I totally did not see that coming… or was I? Pois, pois. Lucien, um bad boy que tem imensos restaurantes e descobre numa noite que a dispensa foi assaltada quando o seu chef está a tentar seduzir a nova estagiária… Elise, que já conhecia Lucien e pelos vistos odeiam-se. Ele acha que ela é imprevisível e precisa de rédea curta, Elise só quer ser uma chef conhecida e provar a Lucien que é boa naquilo que faz… cozinhar!
Famosa pelo seu flagrante exibicionismo e por insultar a respeitável fachada dos seus antecedentes aristocráticos, a veia selvagem da pequena coquine deixaria quase toda a gente chocada. Mas não Lucien. Para ele é uma tentação. Ela é uma catástrofe iminente, um inferno onde muitos amantes já arderam. Mas Lucien não é um homem qualquer e não se vai deixar manipular. Para controlar a desafiadora beleza de Elise — a fim de a ver submeter-se — ele terá de voluntariamente caminhar para as chamas…
Não sei o que se passa com as autoras para todas descreverem os homens como: “ele quer dominá-la” ou “ele vai quebrá-la.”, como se fossemos bichos que precisássemos de ser controladas. Mas pelos vistos as mulheres gostam disto… bem foi este a única coisa menos positiva: a atitude inicial do Lucien que está sempre a assumir que a Elise é péssima pessoa horrível que o vai trair ou espiar para fazer blackmail. Preferia muito mais que Lucien simplesmente usasse a sedução porque deseja-a, acho mais nobre do que seduzi-la porque não consegue resistir.
Lucien pode causar bastantes suspiros às leitoras femininas, não duvido. Ele é rico, poderoso, bonito e mesmo tendo segredos é uma personagem que muitas mulheres podem considerar atraente, contudo é Elise quem conquista o leitor. Porque é ela que muda de vida, é ela que foca-se no trabalho e na sua carreira apesar de Lucien dificultar-lhe a vida, é ela que quer entender o que se passo com o segredo de Lucien, embora ele não confie nela (mesmo depois de terem dormido juntos várias vezes) e é ela que o seduz (embora pareça o contrário). É Elise que faz a história avançar e que, apesar de permitir os avanços de Lucien no que toca ao bondage. É engraçado notar estas diferenças: Lucien pensa que a está a domar, que ela vai ser a sua submissa porque a castiga, quando na verdade é ela que se deixa castigar, e que o deixa aproximar por curiosidade ou por simplesmente gostar de bondage, ou ambos. A verdade é que, Lucien não consegue ver que Elise já não é a mesma que ele conheceu; cresceu, atinou e isso nota-se nas suas acções, na maneira como fala com paixão do seu trabalho e como, mesmo vivendo num sítio horrível. 
Falava eu no primeiro parágrafo de confiança e redenção. Confiança já se adivinha que seja um dos pilares bases de uma relação. A confiança estabelecida entre Lucien para com Elise para lhe contar o segredo que o persegue, tal como Elise confia em Lucien para ele explorar o seu corpo e a sua carreira sabendo que ele não a traria, nem magoaria. De igual forma a sua relação acaba por ser uma forma de redenção no sentido de se redimirem. Elise redime-se ao esquecer o seu passado conflituoso e começar de novo, tal como Lucien, ao confiar na sua estagiária.
“Quando estou contigo” é um bom livro para descontrair, é um livro de erótica BDSM que pende mais para a submissão psicológica tão em moda, do que para a física. No fundo, acarreta uma mensagem de que a mulher pode mudar o homem através do coração e que, se houver confiança, os heróis têm tudo para acabarem juntos e felizes, depois de ultrapassarem os obstáculos que eles mesmos fabricaram. 
  • Ensina que a base fundamental para um relacionamento é a confiança;
  • Tradução muito má.

Uma nota à parte:
(um pequeno rant)

Agora a tradução… parava de ler o livro página sim, página sim. Let me tell you something, eu não sou tradutora, mas tirei uma licenciatura em inglês e sei inglês para caraças, e também sei português. O facto de as tradutoras traduzirem cock como pila já me mete uns arrepios porque pila em inglês é dick; traduzir “pussy” para pito ou rata já estou como a outra, tanto se me faz – agora traduzirem frases simples como:
I will find him – Eu darei com ele;
I can’t get over how talented you are,”  – Não cesso de me extasiar com o seu talento… 
tipo, estão a brincar comigo, não estão? Isto é o novo livro da Charlotte Brontë ou um livro de erótica light? É que se assim for, eu mudo ali o nome para Brontë em vez de Berry! Especialmente depois de ler coisas como “Vou-te foder no rabo”… Mas são bipolares? Quando uma pessoa dizer a palavra “foder” a seguir não vai ser politicamente correcto e dizer rabo! (E se fossemos MESMO exigentes, embora isto possa suscitar dúvidas não sei até que ponto poderíamos aceitar isto como um diálogo realista em português, visto que não dizemos: vou-te foder o cu, mas sim “vou-te ao cu” – é tramado traduzir erótica, eu sei, mas mais uma vez para ser traduzir é preciso saber.) 
Eu sei que às vezes as editoras fazem pressão para as traduções a nível de calão, mas então não traduzam livros eróticos! E aprendam pelo menos inglês: duas tradutoras e nenhuma consegue traduzir uma frase básica? É que estas duas frases nem sequer têm palavras complicadas ou estrutura frásica doutro mundo! Eu sei que isto passa ao lado de muitos leitores e nas reviews as minhas comadres, elas não mencionaram a tradução, mas quer dizer acho o mínimo eu estar a ler algo como é. Eu já tinha lido um livro da Beth Kerry em inglês, por isso eu sabia que ela não escrevia assim! É uma falta de respeito para com a autora, quase reescrever o livro dela com um estilo que não tem nada a ver. Worst translation ever: não respeitou a voz da autora, tinha erros/gralhas e ainda frases mal traduzidas.
Se mudarem as tradutoras, leio com muito gosto o terceiro livro dela, se forem as mesmas, dispenso.
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One thought on “Quando estou contigo

  1. Madrigal says:

    nas más traduções que por vezes encontro o que mais me irrita não é estar mal traduzido é o tradutor muitas vezes revelar um fraco conhecimento da nossa língua. Outra falha grave é fazerem traduções literais e dar asneira simplesmente porque a frase em português não faz sentido ou são expressões que não usamos.

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