It’s Tidy, bitch (especial edição)

Isto é suposto ser uma Tidy? Eh mais ou menos… Hoje é sexta? Check… tenho um assunto polémico: check… tenho dois até! (e até podia ter três, mas não) Não tenho muito a escrever hoje até porque o “mood” ainda não permite. Talvez porque ando a ler imenso; a ser recusada em todas os sítios onde mando o CV, candidatura; talvez porque ando a reler manuscritos e tenho saudades de sair de casa às 6 da manhã para regressar às 8 da noite completamente estafada ou então porque estou farta de não conseguir escrever uma única palavra. Sinto saudades de estar ocupada a saber que vou ter um pagamento ao fim do mês nem que seja uma miséria… mas nada. Ou não respondem, ou dizem que não tenho perfil ou então oferecem horários indefinidos de trabalho… E talvez a minha escrita ande a sofrer com isso e por conseguinte o resto.
Mas deixemo-nos de tristezas e vamos ao primeiro tema que eu ainda tenho reviews para escrever hoje e mais manuscritos para rever.
Aproveito para anunciar também que, em breve,  irei colocar aqui o convite do lançamento da antologia “Amores contados” que se realizará em Lisboa. Por isso meninas de Lisboa esta semana em princípio estejam atentas, porque estão todas convidadas a verem-me ao vivo a dizer bacuradas.

Pequenas editoras = Vanities:

Eu gosto muito do Pedro Pinto, pronto admito, gosto do moço. Acho-o engraçado, gostei do livro dele (tirem lá as patinhas que o rapaz é sério e não olhem com esses olhos… não podem ver um homem solteiro que ficam logo doidas). Não sei o que lhe deu para escrever foi este artigo… acho que nem eu e no fundo nem ele! O Pedro Pinto é um querido que entende bastante de erótica e de poesia. Tem um je ne sais quoi de Miller dentro dele… por isso não sei porque caralho o P3 decide que o rapaz sabe de editoras! Ele é autor, não editor (e informático, o homem tem tudo!)

Esta é apenas uma pequena alusão às pequenas “grandes” editoras que lutam com as dificuldades, como tantas outras, para nos dar a conhecer os bons autores, desconhecidos, que existem em Portugal
Ora bem li isto e quis estrangulá-lo! Mas com todo o meu amor e carinho! Porque muito sinceramente não vejo que “dificuldades” são essas. Vejamos as editoras:
– Pastelaria studios: pede 1200€ ao autor para publicar o livro;
– Alfarroba: pede 2000€ ao autor para publicar o livro);
– Livros d’ontem: pede 800€  ao autor publicar o livro.

Algo que a P3 não se perguntou: mas como é que você, Ana, sabe disso?
Pois é meus amores, eu sei TUDO! Eu sou tipo Deus, linda, maravilhosa, piedosa e em todo o lado! Li contratos destas editoras onde estava lá numa cláusula a quantia que os nossos queridos autores a ABARROTAR  de talento teriam de arrotar! Ah pois, mas esqueci-me… as dificuldades, não é? Coitadinhas das editoras que sofrem depois de receberem cheques destes… Tadinhas!

Pequenas grandes editoras: é possível?
Numa conjuntura económica desfavorável estive à conversa com três exemplos de pequenas “grandes” editoras. Recusam-se a cruzar os braços, apontam ao seu target e querem ir em frente.

Ai amores com um cheque daqueles até eu me recuso a cruzar os braços… A mama é boa!

Pequenas ou “grandes” editoras?
O que as faz mover são aspetos tais como: “aliar novas vozes e um cuidado elevado com o objeto livro” – Alfarroba -; “uma experiência menos boa que tive” – Pastelaria Studios -; “ter consciência de que falta algo”, e que estas e outras lacunas podem ser preenchidas com um trabalho cuidado, apontando aos nichos de mercado existentes.

Ai que nobre, que cuidado, bem estas editoras devem ser fantásticas apesar de termos de passar um cheque… pronto, parece que ao menos tratam bem os nossos livros…

O que fazer?
A divulgação e distribuição é conseguida “com muito trabalho e sem ter medo de não ter qualquer margem de lucro” – Pastelaria Studios -, por vezes “as livrarias só comercializam à consignação” e há que “dotar a distribuidora de informação e material de promoção que possam ajudar no seu trabalho” – Alfarroba.

…. Distribuição? Mas… eu nunca vi um livro da Pastelaria Studios à venda! Será que os OVNIs voltaram a atacar outra vez? Malandros dos E.T.s que nos roubam os exemplares da Pastelaria das livrarias. Sacanas, pá. Bem ao menos vi um livro da Alfarroba à venda num shopping aqui no Porto (já não é mau! Houve um! Aqueles 2000€ já compensaram!)

O que faz uma pequena editora apostar num autor?
“Essencialmente a qualidade do trabalho do autor” – Pastelaria Studios. Claro que é necessário existir um autor com perfil, com o qual se possa trabalhar e ligar à obra, bem como ao público-alvo.

…. Pode ser um autor com perfil DESDE que acena a nota… senão deixa automaticamente de ter perfil! Ou seja, ter mamas não em adianta de nada porque sou pobre…

O que é um autor completo?
Um autor completo “deverá ter além do talento da escrita, a vontade de escrever, a vontade de publicar, a vontade de se fazer ouvir” – Alfarroba -; deverá ser aquele que “procura o seu público, que é dinâmico” – Livros de Ontem. Terá que ser uma pessoa multifacetada acima de tudo.

Um autor completo “deverá ter além do talento da escrita, a vontade de escrever, a vontade de publicar, a vontade de se fazer ouvir” – Muito bonito, sim sra. Eu como editora acrescentava: um autor completo é aquele que sabe escrever, sabe agarrar e inspirar o leitor. Eu tenho muita vontade de escrever e muita vontade de publicar… mas não escritora… Pois… estou a falhar;

-; deverá ser aquele que “procura o seu público, que é dinâmico”

Isto também é muito poético… eu acho que de facto um analfabeto se quiser muito pode escrever um livro! Acho que sim, se depois vem com muitos erros epá isso não importa! O que importa é que o rapaz quer escrever! Ser ouvido!! Isso sim! Agora aqueles autores idiotas, que passam anos a treinar, a escrever imensos contos, a ler livros sobre escrita… pff losers!

E os ebooks?
(sim sra Pedro, muito bem! Pergunta pertinente!)

A maioria destas editoras, considera que é um formato a apostar, algumas “oferecem o ebook aos autores” – Pastelaria Studios. 

EI LÁ OFERECEM E-BOOKS!! UI! Que luxo!! …. E o que é que os autores fazem com os e-books?

A crise económica obrigou a um “maior rigor na escolha de projetos que possam dar retorno” – Alfarroba -, discutindo-os com os autores e tentar antever, da melhor forma, a taxa de sucesso que poderá dai advir.

Não entendo o que é que isto tem a ver com e-books.

É um autor desconhecido, gostaria de ver a sua obra publicada? Tenha em atenção alguns conselhos que este editores têm para si: – “Mostrar vontade de escrever e ouvir a sua voz” – Alfarroba – “Clareza. Apenas isso.” – Pastelaria Studios – “Procurar o contato direto com do seu editor responsável.” – Livros de Ontem

Estão a ver? É só isso!! Ser escritor é simples, meus amigos. Vocês é que são uns tonos e não sabem.
1- Ter vontade de escrever;
2- Ouvir a sua voz… tipo a gaja do 50 shades, estão a ver? Ou então são esquizofrénicos, também funciona!
3- Clareza! Têm de ser claros… aonde? Não importa, sejam claros!
4- Procurar… bem esta frase está cheia de erros, por isso depreendo que quem escreveu isto deve ser mais um CEO da Livros d’ontem… que pelos vistos ficou-se pelo 12º ano porque ainda não sabe as regras do AO e da sintaxe. Mas isso não importa porque o que importa é clareza! Procurar contacto com o editor… que editor? Onde andam eles? Estão com os ET’s das livrarias que roubam os livros da vanities das estantes? Onde estão os editores, esses malandros que se escondem dos autores?

Esta é apenas uma pequena alusão às pequenas “grandes” editoras que lutam com as dificuldades, como tantas outras, para nos dar a conhecer os bons autores, desconhecidos, que existem em Portugal.

Estão a ver? Uma injustiça, estas pessoas tão honestas que lutam para que os autores desconhecidos tenham uma hipótese porque as editoras grandes, as sacripantas não querem saber dos autores desconhecidos! E estas também não, porque sem cheque… nada feito!

Bem eu não sei como fazia esta crónica, acho que me dava uma indigestão mal visse a Pastelaria lá. Porque todos sabem que a Pastelaria só mama dinheiro e faz um péssimo serviço e NÃO distribui! Mas pela entrevista parece que são fantásticas… E foi isso que me meteu nojo. Porque basicamente são editoras a tentarem-se passar por algo que não são. Editoras pequenas não são vanities! E estas editoras são isso vanities. Acho que pelo menos deviam de assumir aquilo que são e dizer: Nós pedimos dinheiro aos autores e imprimimos o livro, algo que as editoras tradicionais não fazem porque sai do bolso delas e têm de conter os gastos… Não! As editoras pequenas APOSTAM nos autores desconhecidos… que LATA! É preciso ter MUITA cara de pau! Porque não admitem que pedem dinheiro? Têm vergonha daquilo que são? Admitam! Mentir é feio e mentir nestes negócios ainda pior, porque o pessoal fala, sabe e fica desiludido quando vocês se tentam passar por algo que não são = editoras tradicionais! Não me vão dizer com que 2000€/cada edição não arranjaram dinheiro de lado para juntarem e apostarem em autores A SÉRIO? Apostar em autores não é pedir-lhes um cheque. É pegar nas obras deles e pagarem do VOSSO bolso. Aí sim estão a arriscar e a APOSTAR. Por amor de deus, vão para a faculdade e estudem edição, é o mínimo da decência.

Segundo tema:

Editar ou não editar: eis a questão!

O meu amor (mas com muito respeitinho), Carlos Silva, anda a ter umas crises existenciais estilo as minhas e decidiu escrever um post sobre editar ou não editar.
Como sabem eu faço serviços de edição freelancer e muitas vezes é de facto complicado balançar a voz do autor com a edição. Por isso vou fazer mais ou menos um quizz para vocês, aqueles tipo BRAVO-quando-é-que-as-minhas-mamas-vão-crescer-e-ele-vai-olhar-para-mim.

1) O manuscrito (seja conto, seja romance) tem uma estrutura terrível. O que fazer:
A) Deixar na mesma, não vamos alterar nada porque é a vontade do autor;
B) Dizer ao autor para mudar tudo: nada funciona e deixá-lo a chorar baba e ranho;
C) Pegar nos elementos que o autor colocou no texto e reorganiza-los.

2) O autor tem personagens que, segundo vocês prevêem, os leitores não se vão identificar com elas/ criar empatia:
A) Dizem ao autor que as personagens não criam empatia;
B) Dizem ao autor para mudar as personagens;
C) Deixam ficar: afinal vocês não criaram empatia, mas se calhar outras pessoas poderão criar.

3) Há uma frase que soa mal, mas não tem erros ortográficos nem de sintaxe. Por exemplo: O céu estava negro de escuridão.
A) Pegar num machado e atirar ao autor;
B) Dizer ao autor que a frase está exagerada;
C) Deixar a frase como está – afinal pode ser a voz do autor e essa não pode ser suprimida.

Estão a ver? É mais ou menos estes dilemas que os editores têm – será que devo dizer ao autor para mudar isto porque não funciona? Hm mas assim vou suprimir a voz do autor… Not really. O editor o que faz é reorganizar os elementos que já estavam lá, mas melhorá-los. Claro que se não melhorar, só prova que o editor é uma bosta… mas isso é outro assunto. Estive a ler um manuscrito e discuti essa situação da voz do autor diversas vezes com outra autora. A verdade é que eu estava a corrigir imensas coisas porque, na minha opinião, aquilo não funcionava no livro. Mas a autora questionou-me: mas assim não estás a tirar um bocado do autor do livro? Claro que sim, mas aquela parte não funcionava e o problema já tinha sido mencionado em críticas de livros anteriores, ou seja, muitos dos leitores aperceberam-se que aquilo não funcionava. Se não funciona para quê repetir? É aí que entra o editor. Começa a cortar, rever, acrescentar e no fim, o autor teve uma ajuda: evoluiu, tem o seu manuscrito polido e pronto para ser apreciado pelos leitores. Um editor é alguém independente que só pensa no seu autor e no seu leitor e nunca em si próprio. Ele absorve os conhecimentos que tem de literatura/escrita e usa-os para ajudar o manuscrito. Por exemplo: eu adoro personagens feias, adoro criar personagens ambíguas; mas se leio um manuscrito com um homem sexy não vou dizer ao autor para ele mudar só porque eu gosto de personagens feias, aliás e perfeitamente o contrário: se uma autor escreve um homem lindo, sexy, rico e eu fico a gostar dele, o autor conseguiu passar a sua mensagem porque conseguiu que uma pessoa que não goste desse estilo de personagem aprovasse o manuscrito.
Para ser editor é preciso saber muito bem o que fazer, ter respeito pelo autor e os autores têm de compreender que quando nós dizemos: isto não funciona, é para o bem deles. É para eles conseguirem ter boas críticas, para aprenderem/evoluírem e para seguirem em frente e escrever mais. Ah e não me venham com a treta do: autor que é autor não quer saber de vendas nem de críticas. Not true! As críticas têm uma ENORME importância na vida dos autores. Uma crítica má no The Guardian pode destruir as vendas desse autor. Se as vendas forem más, as editoras não apostam nesse autor. Por isso, um autor não é só aquele que tem vontade e quer ser ouvido… é alguém que tem de constantemente provar aos leitores que merecem ser lidos e para isso contribuem os editores que ajudam os autores a verem coisas/detalhes que lhes escaparam.
Por isso, apoiem os editores, os autores e as editoras que merecem, porque se eles trabalham para dar-vos o melhor produto possível, merecem o nosso respeito e a nossa dedicação.
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About Adeselna Davies

Occasionally works as an English and German teacher, also loves to read all kind of books and wish someone would pay her to read and write reviews forever. She is also a magazine designer and writes short-stories.

One response to “It’s Tidy, bitch (especial edição)

  1. Oh Ana não podia concordar mais contigo… Cada vez gosto mais de ti 🙂 Sempre à frente nas dicas. Nos esclarecimentos. E para mim, o editor não é só importante no mundo editorial, como o acho fundamental.Um autor sem editor, mesmo que seja bom, demorará o dobro do tempo a chegar lá… Gosto das tuas merdas, ditas em boa hora e pronto! Por isso conto contigo em breve.
    Um enorme abraço
    Carla Pais

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