Quando uma mulher diz não: é não!

O Mundo Proibido de Daniel V.
Maria Luísa Castro
Páginas: 308
Editor: Prima-Donna
ISBN: 9789898461483
Bem este livro não tem muito que se lhe diga sem ser que falha nos principais aspectos que compõe um livro: personagens boas, história decente e escrita cativante. 
As primeiras páginas são a única coisa que se aproveita: uma longa carta de Verónica a anunciar que vai para longe porque tem de tirar Daniel Vasconcelos da sua vida e do sistema. A partir daí descambe tudo. 
Não sei muito bem se isto vai ser um spork ou uma opinião… mas é algo!
Verónica é uma mulher que entrou na casa dos trinta e teve quatro companheiros antes do seu marido e mesmo assim nunca conseguiu atingir o orgasmo… Sinceramente fiquei na dúvida se não conseguia atingir o climax através da penetração ou só no geral. Se for através de penetração, pois filhota com 30 anos já devias de saber que para algumas mulheres é quase impossível atingir o pico SÓ com o sr. lá dentro. Mas enfim, a senhora lá se casa, nem ela sabe muito bem porquê, mas pelos vistos o marido é um idiota surfista qualquer e quando toca o relógio biológico, o sr. marido diz que não quer filhos. Ora bem, eu sei que sou uma mocinha moderna, mas eu namoro há 5 anos e já falamos disso para que não haja mal entendidos. Então expliquem como é que a moça foi dar o nó sem saber se o rapaz queria canalhada a andar pela casa. E depois a explicação que ele deu… bem, a mulher não tem sorte nenhuma, porque o marido é um idiota tão grande quanto o Daniel. “Ah somos um casal moderno não precisamos de filhos”… I’m sorry WHAT? E depois pelos vistos divorciam-se porque ele não quer filhos e ela quer e eu fico a pensar porque carga d’água ela casou-se com um homem sem saber este pequeno grande detalhe… mas enfim! Moving on!
Então pronto a moça de 30 anos lá está depressiva porque divorciou-se e então as amigas aconselham-na a ir a um psiquiatra, o tal Daniel, que pelos vistos é muito bom. A sra. lá vai e quando está na sessão lá confessa ao moço que nunca atingiu o orgasmo. Pelos vistos para o Daniel isso é algo imperdoável e manda-a (sim mandar é o verbo correcto) despir-se e tem sexo com ela! Just like that. Pergunta-lhe: Já alguma vez fez sexo com um estranho? – Ela diz que não. Fazem truca-truca, ele volta a fazer a mesma pergunta e ela responde que sim… Deep, uh? Anyway a sra. lá tem um orgasmo de mexer a terra e fica toda satisfeita (eu acho que a mão direita tinha feito o mesmo, mas quem sou eu para dizer estas coisas). Depois o querido Daniel dá de frosques e deixa-lhe um bilhete (awww que fofo) a dizer que accionou o alarme e a criatura tem 15 minutos para sair do seu consultório. Ou seja dá a sua queca e basa… bem que cavalheiro!
A moça lá fica perdida porque não sabe o que se passou (e nós também não) e segue em frente. Um dia, o tal Daniel liga-lhe e a primeira reacção dela foi: dude, como raios conseguiste o meu número de telemóvel? – Algo que ele não lhe responde (oh, he’s just so sweet) e o rapaz lá pede desculpa pelo outro dia e quer levá-la a jantar fora. Tipo… ‘tá bem! Lá marcam o jantar e tal e depois do jantar ele leva-a para casa dele, começam no marmelanço no elevador, ele pára o dito cujo e ficam no truca até que ele segreda-lhe que ela faz-lhe mal (como assim, tem doenças??) e mete o elevador no piso 0 e DEIXA A CRIATURA LÁ FORA, sem chamar um táxi, sem lhe dizer mais nada. Só isto… portanto pseudo-queca nº 2 ele basicamente descarta-a por ela “mexer com ele” e abandona-a durante a noite depois do jantar… ain’t he the sweetest motherfucker you have ever seen?
Portanto, o meu cérebro nesta altura está confuso: primeiro, porque raios é que a mulher não se recusou a sair elevador e deu-lhe um pontapé nos tomates e deu-lhe um murro?? Alguém me explica? E depois vem a cena MISERÁVEL! Ela chora!! Á porta de casa dele, ela chora porque sente-se humilhada… well honey, that’s your fucking fault! Para a próxima que tal dares um murro no rapaz e chamares a polícia por sexual assault? Uh? Que achas?
Mas pronto até aqui eu penso: história miserável, personagens medíocres, you know the usual e depois vem a cena que eu pensei: OK, THAT’S IT! Non más! No more, bitch I was not born to suffer!
A Verónica está num jantar onde TODOS elogiam o Daniel, e o quão fantástico ele é (yeah, right) e depois descobre-se que o rapaz, o moço… é CASADO! Sim, casado. E o leitor fica: Wait, ele ainda consegue ser mais cabrão que o Grey? Sim porque o Grey ao menos é, sei lá, solteiro! E a Verónica fica fula, sim fula! Ainda bem, penso eu, ela consegue ter actividade cerebral, muito bem.
Depois a criatura recebe um mail do tal Daniel basicamente a seduzi-la quando a miúda repete-se de mandar mails a dizer: Dude, gtfo!
Let me tell you something: quando uma mulher diz NÃO… é NÃO!
Eu sei que muitas vezes o pessoal diz: Ah, as mulheres dizem que não, mas querem é dizer sim! – Se alguém vos disse isso, they’re idiots! Scumbags, whatever. Quando uma mulher diz: não, não quero É NÃO!! Mas o Daniel, como o filho da puta que é, não sabe o significado da palavra não e eu muito sinceramente adorava ensinar-lhe a dizer: não em alemão com o meu dicionário da Langenscheidt que pesa quase 2kgs na cabeça dele! Então continua a assediar a rapariga. E eu já fico a pensar: ok eu quero saber qual vai ser a reacção da mulher quando descobrir que ele a anda a trair.
E então um dia a menina Verónica vai a uma festa sexual qualquer com uma amiga e encontra quem?? Pois, claro, o nosso querido Daniel! E ele para variar tem sexo com ela e ela fica toda feliz e então entra a mulher e…
SUPRISE, MODAFUCKER, ela adora que o homem esteja a ter sexo com outra mulher e encoraja-o! Pois, claro, porque ela não poderia dizer mal porque assim o Daniel seria um traidor da merda, mas não! Ele tem de ser um gajo porreiro… e parei de ler aqui. Porque eu sou uma gaja porreira, eu leio livro onde há menages, onde há mulheres que se casam com dois homens, onde há mulheres que ficam com dois homens. Um homem com duas mulheres, pff I don’t mind, bring it on. Mas por favor, não me tentem convencer que:
a) A Verónica gosta do Daniel porque a única coisa que eles fazem até meio do livro é foder;
b) Que o Daniel é romântico e gosta muito da Verónica e da sua mulher;
c) Isto é uma história de amor.
Não, ok? Eu não sou parva! Isto não é uma história de amor! É a história de uma mulher a ser humilhada por um homem e a não ter tomates para lhe mandar com um taco de baseball na tromba.
Por isso, queridos autores, não pensem que os leitores são lerdos, ok? Nós não somos. Eu não sou uma autora publicada, não sou uma jornalista famosa, mas I’m pretty darn sure que consigo escrever erótica melhor que isto, tá? 
Dá-me nojo que tenha sido uma mulher a escrever uma história onde rebaixa as minhas irmãs mulheres e venda este esterco de livro como “história de amor”.Já dei um estalo a um homem por menos, por isso não sei porque carga d’água a Verónica que é mais velha que eu, não consegue se impor e porque carga d’água as mulheres têm de ser vistas como submissas burras e inexperientes. Este livro é um exemplo do que uma mulher NUNCA deve aturar na sua vida. Como uma mulher deve ver esta relação abusiva e fazer algo contra. So, please, não me digam que isto é uma história de amor, porque isto nem história tem! Parem de me insultar como mulher, sim?
Fiquem com a sinopse:
Verónica é uma jornalista recém-divorciada na casa dos 30 anos. Para trás deixa um casamento, uma promessa de felicidade que nunca foi concretizada e um marido que nunca foi um amante ou companheiro. Tudo muda quando a fragilizada Verónica conhece o enigmático e sensual Daniel Vasconcelos. Bonito e dono de um olhar penetrante, Daniel envolve-se com ela levando-a ao limite do prazer, a uma vertigem de sentimentos que se julgava incapaz de sentir. A vida de Verónica nunca mais será a mesma: prazer, desejo, sexo e luxúria passarão a fazer parte do seu dia-a-dia. Mas estes não serão os únicos sentimentos que experimentará ao lado de Daniel: a insegurança e a dor serão também uma constante, levando-a a questionar se valerá a pena tentar entrar num mundo tão intenso e proibido no qual chega a correr perigo de vida. Será Verónica capaz de mudar este homem para quem o prazer pessoal não tem limites, que se diz incapaz de amar mas que, ao mesmo tempo, não consegue estar longe de si? Serão eles capazes de viver uma história de amor com final feliz?
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About Adeselna Davies

Occasionally works as an English and German teacher, also loves to read all kind of books and wish someone would pay her to read and write reviews forever. She is also a magazine designer and writes short-stories.

3 responses to “Quando uma mulher diz não: é não!

  1. Minha Nossa Senhora. Já cá chegou, querem ver? Por acaso falei sobre um tema parecido no meu log há instantes. As mulheres estão cansadas de companheiros bananas. Mas será preciso chegar ao outro extremo? My God, o que as feministas fizeram. As mulheres estão histéricas.

    http://jessi-aleal.blogspot.pt/2013/08/blurred-linese-as-raparigas-nos-portanto.html

  2. Preach it, sister! xD Parece um livro tão estúpido como as Cinquenta sombras de parvoíce. 😛 Que raio de moda esta de escrever protagonistas masculinos que fazem o que querem das mulheres e as tratam como lixo (para além de andarem a persegui-las com telefonemas e e-mails, que medo)? Desde quando é que humilhar uma mulher e fazê-la sentir-se inferior é uma coisa boa? Espera lá, é suposto eu achar isso romântico? Just… no. 😛 Mas se a autora esperava que sentisse nojo… parabéns para ela, conseguiu. 😛

  3. Eu admito que li o primeiro livro das Sombras de Grey e até achei a sua graça embora hajam la cenas que não passam pela cabeça de ninguém. Agora este… MEU DEUS! Há imenso tempo que não lia nada tão mau :s

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