Tidy Friday #17

Depois de ter sido ameaçada de porrada (just kidding, I am not that important), e porque deixou de dar Castle, decidi alapar-me e começar a escrever a minha Tidy! Esta semana li erm 6 livros? 7? Por aí – tudo guilty pleasure! TUDO! Não quero saber, vou ler sobre BDSM, sobre lobisomens, gajas a serem raptadas e gajas a darem porrada aos homens, escrever sobre gays, sexo entre gays… ok, sim, estou quase a dar o title… mas não é desta! God, preciso de Verão, de praia, de ler na praia, de durante uma semana não me preocupar em enviar Cvs, em reviews, em nada! E os resultados das listas dos professores saem na segunda… ai Deus. Anyway, esta semana tinha quatro temas para abordar:
a) Mais uma vez a TVI mete nojo com o tema dos videojogos;
b) Mais uma vez poderia ser uma velha do Restelo linda e ruiva, e mandar vir com os autores que OMFG recebem mal as críticas;
c) Falar sobre o encerramento da livraria Sá (que honestly aqui no Norte, not a big thing), mas nhaaaa;
d) Ou então mandar vir com os jornalistas/críticos de bosta que temos em Portugal…
Portanto, dado estes quatro temas, decidi misturar tudo num só artigo!

Antes de prosseguir queria só avisar que amanhã vai haver um passatempo relâmpago. Domingo, dia 21, dia de ir à igreja, almoçar com os papás e tal, irei postar imensas reviews, tipo tóteis, eeee irei sortear um exemplar de um livro a quem fizer comentários nesses tópicos. Nada de spam, só comentários saudáveis e literários. Quem comentar estará habilitado a ganhar um exemplar de um livrinho através do random (irei atribuir a cada um de vocês um número). Em cada comentário por favor deixem o vosso e-mail, por exemplo: illusionarypleasure.gmail.com ou illusionarypleasure.arroba.gmail.com para eu depois contactar-vos com detalhes.
Agora sim, vamos às coisas importantes:
Primeiro:
– Ruiva, o que raios tem a ver videojogos com os autores, com o encerramento de uma livraria e com os jornalistas/críticos?
Tudo, meus amores, tudo!
Já antes falei aqui que normalmente vem em entrevistas autores mais jovens ou novatos a dizerem que se inspiram em filmes, etc para escreverem. E depois vêm outras pessoas dizer: OMG how can you do that? Tens de ler 50 livros antes de escrever. I say: calm the fuck down! Pessoalmente os videjogos sempre tiveram uma influência bastante grande, especialmente os RPGs e MMOs. As melhores ideias que tive foi quando combinei coisas de videjogos com algo que tinha lido e de repente, puf fez-se luz e tive uma ideia completamente diferente. A semana passada estava o meu namorado a terminar o “The Last of us” e enquanto ele jogava, eu estava atenta à estrutura, aos momentos de tell que suportavam o show, de como as personagens e os diálogos casuais aliados aos excelentes cenários de worldbuild conseguiam ligar o jogador ao jogo.

No meio disto tudo pensei: ok, se alguém pegar neste jogo e dissecá-lo, tem uma boa plataforma para criar uma história e estrutura-la. Quando dou conselhos aos autores, normalmente não aconselho videojogos. Aconselho filmes, mangas, livros e muito raramente jogos. Porquê? Porque primeiro, não sei se a pessoa em questão joga, segundo porque os jogos que eu poderia aconselhar podiam não ser do agrado da pessoa. Contudo, sei bem que um jogo estilo Godo f War, The Last of us, Wolrd of warcraft, Monkey Island, Grim Fandago, Mass Effect etc (sim, Xbox, no love for you) poderiam ajudar muitos autores a entrarem em contacto com coisas que usamos nos nossos livros como estrutura, história, personagens e acima de tudo interacção. Infelizmente, isto leva tempo. O que me leva aos autores que não gostam de receber críticas (olhem isto a ficar tudo seguidinho).

Normalmente, o que mais me irrita, tirando grilos, é quando os autores enviam-nos livros a pedirem/implorarem por opiniões, críticas antes de enviarem para as editoras. E nós, bloggers ricas, desocupadas sem NADA que fazer da vida, aceitamos.

Nós na praia, tão giras e sexys

E depois vem o manuscrito… horrível, horrpilante. Estremecemos… oh meu deus, como vamos dizer de forma extremamente fofinha que o livro é uma porcaria? Como vamos dizer que precisa de muito trabalho? Lá arranjamos forma de dizer de uma forma carinhosa que o manuscrito ainda está verde, que precisa de trabalho… e depois vem a resposta FANTÁSTICA do autor a dizer que nós não percebemos a densidade e a refutar todos os pontos que apontamos… e o que nos apetece fazer?

Exactamente, cortar os pulsos, gritar, pegar num machado e partir uma porta! Mas aguentamos. Somos fofas, lembram-se? Por isso sentamo-nos, damos uma resposta seca porque a boa educação que recebemos assim o permite e olhamos a pessoa em questão a ir-se embora com um manuscrito de caca, pavoroso toda feliz porque escreveu um livro. E a primeira coisa que perguntamos foi: se a criatura queria uma opinião PORQUE CARGA DE ÁGUA REFUTOU O QUE EU DISSE? Perdi 10h da minha vida onde podia estar a fazer yoga, ter sexo com um gajo todo bom, ler o melhor livro da minha vida, a ler um manuscrito para a pessoa depois dizer: ok não concordo, adeus? Porquê? Não faz sentido! Ok não concordar com um ou com outro, entendo, mas dizer que o livro para ela está óptimo e que não concorda com o que a blogger disse, então porque caralho é que pediu ajuda? Para a blogger dizer: olha isto está fantástico? Meus filhos, isso não existe, ok? Quando dás um manuscrito a uma blogger/pessoa/cão tens de esperar que haja aspectos negativos e aspectos positivos. Se houver alguém que não gostou e pediu-te para fazer muitas mudanças, pergunta-te primeiro: porquê? Porque é que esta pessoa não entendeu? Porque é que me está a pedir para eu retirar repetições de palavras no mesmo parágrafo?
Por favor autores, se vão enviar o vosso manuscrito, preparem-se para críticas, preparem-se para terem de mudar coisas. Senão, não gastem o nosso tempo. Temos muitas coisas a fazer, se não concordam, agradeçam o trabalho que fizemos e just walk away.

O que me leva ao terceiro ponto, bloggers, livros e livrarias. Ultimamente os bloggers portugueses têm servido de grande meios de divulgações de obras sejam conhecidas ou não–tão-conhecidas. Depois do anúncio do fecho de mais uma livraria centenária, para variar o Português só manda vir com as coisas quando o mal está feito. No entanto, parece-me que o desaparecimento destas livrarias é mais um sintoma da inacção que a nossa cultura sofre. Sejamos honestos, por muito velhinhas que estas livrarias sejam, as pessoas (sem dinheiro) querem é descontos, coisas atractivas, lançamentos de livros, promoções leve 3 pague 2, algo assim que anime o negócio. Claro que a Bertrand e a FNAC são muito mais simples. Se houver num shopping temos estacionamento, podemos comer na zona de restauração e os acessos ficam mais facilitados. Quando há uma livraria o pessoal tem de andar às voltas para estacionamento, alguns em sítios onde o estacionamento é pago o que dificulta (não sei como são os transportes públicos) e para além do mais a FNAC é mais do que simplesmente uma livraria (agora até tem coisas de cozinha). Por isso apelo aos bloggers, livreiros, editoras que por favor não deixem o comércio tradicional morrer. Eu sei que estamos ligados ao conformismo, mas vamos fazer um esforço para ajudar o comércio tradicional! Mesmo que eles não tenham promoções, nem leve 2 pague 1!

O que me leva ao último tema de hoje, os jornalistas/críticos. Existem muitas vozes contra os bloggers crescerem que nem cogumelos onde alguns não sabem do que falam. Tudo bem, existem maus profissionais, existem bons, certo? Sim! Esta semana ao ler uma conversa soube que os críticos ditos de literatura não pegam em livros mais light mesmo que sejam portugueses. A minha questão é: porquê? Só os livros pesados, pseudo-intelectuais é que são bons? Não se pode pegar num livro de alguém não tão conhecido sem ter uma boa cunha só porque podem ser mais light do que aquilo que estão habituados a ler? Têm medo de quê? De ler o livro e de ser tão simples que as vossas mentes-oh-tão-avançadas entrem em curto-circuito? Por isso os bloggers, tadinhos, podem muito bem pegar nesses livritos light e fazer as recensões, né? WRONG!! BUHHH, YOU GUYS SUUCKK, GO BACK TO COLLEGE!  A verdade é que se foi algo que o curso me ensinou foi a dissecar qualquer tipo de livro, seja ele light, livro com densidade do molho da francesinha ou até livros de auto-ajuda. A verdade é que cada vez vejo menos livros a serem criticados nos jornais. São sempre os mesmos autores, sempre os mesmos livros, sempre a mesma treta, sempre as mesmas críticas pseudo-intelectuais em que o pessoal chega ao final e diz “Erm should I buy it?” ou então críticas em que se nota que o crítico já detesta o autor só porque escreveu um género que ele (crítico) detesta. Oh baby, no you did not! Por isso quando os autores publicados vêm ter comigo dizer: “Ruiva, onde é que eu falhei?” É simples – não falharam, tudo neste país falha! Alguns autores falham, as livrarias falham, o marketing falha, os críticos falham… ainda me questiono como raios é que Portugal ainda tem cultura…

See you guys next week. Para a semana falamos de como Saramago era na verdade um escritor incompetente, que não sabia pontuar e cujas histórias eram confusas e não serviam para nada!

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3 thoughts on “Tidy Friday #17

  1. Célia says:

    Cara Ana,
    Achas realmente que um manuscrito com os problemas que mencionas vão suscitar grandes comentários da parte duma editora?
    Recebem uma resposta daquelas standardizadas, como eu cheguei a receber também, e logo vão à vida deles convencidos que ninguém os compreende e que Picasso também foi mal-entendido.

  2. Elphaba J. says:

    Bem… Estiveste mais uma vez no teu melhor, sem dúvida Ruiva.

    Nunca tinha pensado muito na questão dos jogos a não ser a respeito do worldbuild, boa dica. Gostei. E sim, a má aceitação generalizada (e estou mesmo a generalizar) das críticas faz-me fugir de ler qualquer tipo de manuscrito (sou horrível), porque sim, porque têm sempre muito que criticar.
    “Encerramento da livraria”, percebo o teu ponto de vista e adoro visita-las “etc. e tal”, mas Ruiva eu estou em crise bolas! Se posso levar dois pelo preço de um não há quem me convença a levar só um… lamento!
    Quando aos senhores ditos “Franciscos Inteligentes” que estão um passo à frente das “gentes relé blogueira” nem comento. São uns tristes e eles é que perdem porque a leitura leve é um bálsamo para a minha alma cansada de livros “pesados” 0.o.

    P.S.: Boa sorte para segunda!

  3. Olinda P. Gil © says:

    A Sá (snif) estava bem e mal situada. Bem situada porque perto do metro, estacionamento e centro comercial, mal situada porque demasiado perto de uma FNAC e de uma BERTRAND. Tenho pena, encontrei lá muitos livrinhos de Linguística, Estudos Literários, Didáctica… Coisinhas que não se encontram na FNAC nem na BERTRAND. Cá fica a minha esperança de este tipo de livros se safarem nos leitores de ebooks.
    Críticos: eu é que fazia uma tidy com umas cenas que me tem contado um autor (sim, dos que saiem nos jornais), mas não faço. O homem confiou em mim, não é para eu andar aí a dizer coisas.
    Ainda gostava que me lesses um texto, nem que fosse só para saber como trabalhas. Mesmo que me arrasasses. Eu não te ia refutar, ia comer pasteis de nata.

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