80 dias – a cor do desejo

80 Dias – A Cor do Desejo
Vina Jackson
Páginas: 264
Editora: 5 Sentidos (Porto Editora)

Sinopse:

Summer Zahova é uma violinista ardente e impetuosa, que vive uma relação frustrante com um homem que não a compreende. É na música que encontra a sua libertação. Ela passa as tardes nas estações de metro de Londres a tocar violino, perdida nas partituras de Vivaldi e Mendelsshon. Um dia o seu violino sofre um acidente irreparável e Summer recebe uma proposta inesperada de Dominik, professor universitário, um homem atormentado por desejos inconfessáveis que ficou fascinado por Summer quando a ouviu tocar. Dominik oferecer-lhe-á um novo violino na condição de ela tocar para ele em privado.
Incapazes de reprimir a forte atração que sentem, Dominik e Summer embarcam numa aventura intensa e ousada. Para Summer é a oportunidade de se confrontar com o seu lado mais sombrio, no entanto, cedo se apercebe de que o prazer tem um preço elevado. Mas poderá uma relação nascida de uma tal paixão sobreviver?
O livro não é complexo, está longe disto. Lê-se bem começando com um tom bastante leve e aproximando as personagens lentamente de um tom mais negro. Há algumas imagens poderosas como Summer a tocar numa cripta para Dominik e quando acontece o acidente na estação. São duas imagens bastante poderosas.
As personagens são um pouco ambíguas. Summer gosta de experimentar e nota-se que depois de toda a rigidez daquele namoro com Darren, ela está ansiosa para alargar os horizontes e o que mais me agradou na personagem foi o tom cinzento na relação de Summer e Dominik que não se pode bem chamar relação. Summer não é só uma sub e isso entende-se durante a narrativa. Ela vai a bares de BDSM, experimenta e isso acaba por lhe custar algo na sua vida. Nota-se que ela também entende as regras e que é a sub que tem o poder final de dizer não, já chega, não quero. Isso é a lição mais importante. 
Dominik por outro lado está fora de ser um herói típico romântico, ele próprio admite que nunca teve nenhuma exclusividade com Summer e quer ter outras relações. O que por um lado estabelece que afinal Summer e Dominik estão longe de ser um par romântico, compreende-se, de igual forma, a dificuldade dos leitores em sentir alguma química entre os dois. Dominik é bom a dar ordens e a satisfazer Summer, mas falta-lhe profundidade para entendermos porque é que ele tem ciúmes, porque é que ele não deixa de ter sexo com outras mulheres e porque é que ele gosta tanto de Summer. Talvez isso seja desenvolvido no segundo volume, mas para já gostava de ver Dominik como um homem sem um passado negro e todo wtf que já andamos fartas de gajos bons, ricos e com passados negros, mas sim um Dominik de carne e osso, um homem cuja sexualidade de caracter ninfomaníaco interrompe com as suas relações. A simbologia do perservativo e do “blowjob” assume um carácter importante. Dominik é o único que não usa protecção com Summer, tal como Summer se apercebe que nunca tivera feito um “blowjob” a Dominik. Sãos estes dois símbolos que definem o tipo de relação que estes dois apresentam: ora de pertença, ora de confiança silenciosa. Interpertar símbolos sexuais pode ser complicado, mas neste caso, não há imagem mais excitante para uma sub do que estar de joelhos perante o seu dominador a praticar felatio. A actividade em si é altamente sexual e visualmente poderosa para ambos.
Por fim, Victor é o exemplo de um péssimo Dom. Faz coisas contra a vontade de Summer (sinceramente, para quem compreende o papel de uma sub, entende perfeitamente a necessidade de Summer ser domada), parece um autêntico “creep” e ainda por cima não sabe meter em prática as regras. As últimas páginas foram as mais negras do livro e foi quando a presença de Victor foi mais dominante.
80 days é um livro que para quem não está habituado às regras, pode parecer cruel, frio e bastante desajeitado. A maior crítica a apontar é a falta de profundidade em algumas personagens, principalmente Dominik que merecia melhor. É um bom livro, contudo, para quem quer aprender mais sobre este lado e que nem sempre pode contar com pessoas que sabem o que fazer. É muito bom que as pessoas saibam que não é com um olhar que um Dom sabe que uma sub “nasceu para aquilo”, mas que as pessoas precisam de experimentar e saber. Summer soube que gostou de ser açoitada e que queria repetir, longe das atitudes que as novas-heroínas dos romances BDSM costumam ter. Não há aversão ao mundo novo, mas sim uma grande vontade de o conhecer melhor. Encheu-me as medidas o suficiente para ler o segundo livro e aí sim tirar a prova dos nove e ver a evolução das personagens. 
80 days não é um livro que vá agradar a muita gente talvez porque se afasta do típico mainstream e não capta os corações românticos, nem aqueles que querem no BDSM uma espécie de alternativa ao sexo já repetitivo. Numa coisa estes livros têm razão: o papel de sub e dom nasce connosco. Pode-se aprender a ser Dom, mas se não o tivermos dentro de nós não há nada a fazer e também que existe uma diferença entre ser Dom e tirano. Victor foi o perfeito exemplo desta diferença.
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