Soberba Tentação

Soberba Tentação
Andreia Ferreira
Editora: Alfarroba
295 páginas

Sinopse:

Depois de descobrir que o sobrenatural não representa um medo irracional e que as criaturas caminham lado a lado com os humanos, Carla tem de enfrentar as consequências do seu envolvimento com o Caael.
Os demónios já deixaram marcas na vida da Ana e da Raquel e a Carla começa a sentir algumas dificuldades em encontrar-se.
Entre lacunas na memória, sentimentos e novas preocupações, surge uma existência virada do avesso com a linha da vida mais ténue do que nunca.
Com a ausência do Caael, assomam revelações que levantam um plano ancestral de uma disputa entre iguais. A Carla vê-se num tabuleiro de xadrez, como um rei isolado, com a rainha a jogar contra ela.

A crítica ao primeiro livro é o post mais visto de todos os tempos aqui no blogue… vocês até pensariam: será que o segundo vai ser assim? Nah, I don’t think so.
Depois de um início fraco, o segundo livro da trilogia começa a aquecer e a ter um objectivo. Se tivesse lido os livros antes de serem publicados, tinha sugerido à autora unir os dois livros de forma a que o leitor soubesse desde o início qual o propósito da saga. No entanto, continuamos com um problema – o facto de Carla ser uma personagem inútil e muito fraca para principal. Claro que nem todas as personagens têm de ser badass, mas sinceramente neste segundo livro ela, mais que nunca, chora e é inútil tendo de ser protegida por outras pessoas, porque ela não faz nada. Pessoalmente, não tenho nada contra personagens fracas: num conto de Angela Carter a personagem principal cai na armadilha como mulher do Barba Azul e só é salva pela mãe no fim que mata o marido. Mas ao menos durante a lua-de-mel, a personagem apercebe-se no que se meteu e quer sair. A Carla mesmo depois de saber tudo sobre a natureza de Caael, continua feita burra do tipo “Ai não me acredito! Ai não pode ser.” Bitch, eu disse que ele queria sacar-te os rins! Conheceste o rapaz assim do nada e pensavas que ia ser amor eterno? God, you’re dumb! 
Julgo que a autora não tem qualquer encanto e simpatia por ela, a Carla tem demasiadas falhas e aliás isso nota-se quando sabemos da profecia que é o verdadeiro twist e só mostra como ela nem sequer devia de ser a personagem principal, mas sim o Caael ou o Ricardo. Seria muito fixe vermos a história pela neutralidade do Ricardo, que começa como uma secundária, mas torna-se bem mais fixe que Carla ou até Caael.  Caael, que neste segundo livro, está ausente (tal como o Edward no Lua Nova e tirando a revelação do twist nada mais se passa) para que Carla se aproxime de Ricardo.
Sinceramente, adorava que no terceiro a Carla parasse de chorar de uma vez por todas e pegasse numa arma e sacasse os rins ao Caael e dissesse “Where’s your God now?” (momento épico!), ok pronto isso era se eu escrevesse a história, mas hey ia ser um final lindo. A Carla tornada num monstro sem sentimentos por causa da manipulação de Caael, o Caael a ficar em pânico porque os seus planos iam falhar e o Ricardo… bem esse está bem como está, mas também gostava que ele ajudasse a Carla a mostrar-lhe um mundo sem sentimentos, run by insticts como por exemplo: vingança. Gostava que o Ricardo se tornasse seu mestre e guia para ela se tornar um monstro. Oh come on, admitem ia ser um grand finale, negro, com calafrios, anjinhos góticos a cantarem… ok, ok já parei!
Ainda não me habituei muito ao estilo de escrita da autora, até porque houve momentos que ri-me com a escolha de palavras, especialmente quando há coisas como “Tinha folhas agarradas ao cabelo e tirou-as com tanta pressão que arrancou madeixas.” (173), what? Primeiro, ouch quem é que arranca cabelos a tirar folhas? E segundo ela não fez pressão, fez força é diferente. Ou então “Tocou-lhe, abraçou-o com o outro dedo e ergueu-o.” (200) What do you mean abraçar com o dedo? Ou então usa e abusa da purple prose “A lua convertera-se num desenho difuso pintado no céu quando o azul começou a preencher o horizonte.” Tradução para o pessoal: anoiteceu. Ou: “soltou uma onomatopeia.” Porque claramente dizer a onomatopeia é demasiado mainstream! 
Also tem algumas gralhas e erros e notas do autor que nem deviam de existir, porque sinceramente se o autor acha que os leitores não sabem quem é o Harry Potter ou o Casper então não referenciem. Os leitores não são burros ao ponto de não saberem ir ao Google e se for alguém de idade (tipo 60 anos porque até a minha mãe de 50 sabe quem é o Harry Potter e o Casper e sabe muito bem o que são “cotas”), não sei porque raio é que as notas estão lá. As de tradução, claro devem estar lá para quem não sabe inglês, agora o resto não. Big no, no!
E pronto aqui vai o resumo:
Pontos positivos: há um objectivo/ há mais Braga como setting/ o Ricardo fica uma personagem fixe;
Pontos negativos: continua a parecer Twilight/ a Carla continua burra como tudo, mas todos gostam dela porque… não sei. Ela não é nada likeable, mas pelos vistos deve ter umas boas prateleiras;
A melhorar: revisão do português e menos purple prose.
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2 thoughts on “Soberba Tentação

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