The old sport

O Grande Gatsby
F. Scott Fitzgerald
Tradução: Fernanda César
Colecção: Clássicos
Pp.: 168

No site da Europa-América:
De 6 a 16 de Maio decorrerá uma campanha com 40% de desconto sobre os livros de F. Scott Fitzgerald. Esta promoção insere-se no âmbito da estreia do filme The Great Gatsby, a 16 de Maio, e cujo elenco fazem parte Leonardo DiCaprio, Carey Mulligan e Tobey Maguire.

Sinopse:

Extraordinariamente rico, Gatsby é famoso pelas festas realizadas na sua mansão em Long Island, apesar de ninguém saber ao certo quem é o anfitrião. Uns dizem que foi espião, outros que é aparentado com uma família real europeia. Mas, na realidade, só mantém estas festas na esperança de que Daisy, o seu antigo amor, vá a uma delas.
Um retrato da América durante os turbulentos anos 20 do século XX e uma sátira ao «Sonho Americano», onde Fitzgerald idolatra os ricos da época apesar de não se conformar com uma certa decadência causada pelo materialismo desmedido e pela imoralidade.

Ruiva, também decidiste ler o livro antes de ver o filme? Meus amores, eu tive de ler isto no meu primeiro ano de faculdade (sim, tive, fui forçada porque ou era isso ou chumbar à cadeira) e eu e o Gatsby já temos uma história de amor que dura há mais tempo que o meu namoro (não digam isso ao meu homem que o rapaz fica com ciúmes). Estava eu jovem na cadeira de “Introdução à cultura e literatura norte-americana” e depois de ler três contos que eram uma seca autêntica, o professor lá nos disse que íamos ler o The Great Gatsby. Fui comprar o livro e deixem-vos dizer eu naquele momento abominava literatura norte-americana! Foi das cadeiras na faculdade cujas obras me aborreceram de morte ao ponto de só me lembrar do Gatsby. O livro é pequeno, mas não se enganem pelo tamanho. O “Grande Gatsby” é uma história trágica de amor na idade de ouro dos anos 20, onde entra em vigor a Lei Seca (era proibida a venda e consumo de álcool). Mas Ruiva, no trailer do filme, aquela gente só bebe! Well, leiam o livro e depois vão entender.
O grande Gatsby” é tudo aquilo que eu gosto num livro: tragédia, amor, história e profundidade e apesar de tudo, depois de ler bastantes artigos está-me mesmo a fazer crer que muitas das ideias para este livro não foram do Scott, mas sim da Zelda Fitzgerald (a sua mulher e se querem ler sobre a relação deles leiam “Tender is the night” ou “Terna é a noite”). Mas vamos então ao livro e ao trailer. “O grande Gatsby” representa o excesso e a materialização da população americana (nota-se isso pelo excesso das festas que vemos no trailer), especialmente nas personagens de Nick e Gatsby. 
Ambos lutaram na Primeira Guerra Mundial e representam a ganância, o materialismo e a ausência de valores causada pelo dinheiro fácil da época. Contudo, na obra nunca se revela de onde é que Gatsby enriqueceu tão facilmente. Especula-se que tenha sido através da venda ilegal de bebidas, mas nada disso é um facto. Visto que na América dos anos 20, bebidas alcoólicas eram como droga e a contrafacção podia de facto enriquecer em pouco tempo uma pessoa. Assim, Gatsby é um símbolo da decadência do sonho americano, um homem que atinge todos os meios para alcançar a sua amada, mas que para isso precisa de perder o sonho americano: individualismo, felicidade e descoberta. O Vale das Cinzas simboliza o fosso que há entre a América antiga (a sua City upon a Hill) e a nova América despida de sentimentos e perdida depois de uma guerra. Fitzgerald e Hemingway eram apenas dois dos autores da “Lost Generation”, um termo atribuído mais tarde para os autores que depois da guerra regressaram a casa, mas cujas marcas estiveram bastante cravadas na obra. 
O desnorteamento nas personagens de Fitzgerald nota-se através do uso do dinheiro fácil para alcançarem aquilo que desejam. Gatsby usa as suas festas para ganhar Daisy de volta, enquanto Tom (o marido de Daisy) usou o dinheiro para seduzir Daisy enquanto Gatsby estava na guerra. Daisy adora tudo o que seja luxúria e dinheiro, tendo por vezes demonstrado afecto por Tom ou amor por Gatsby. Tanto ela como Gatsby são o par ideal por ambos representarem a corrupção dos valores, Daisy na aristocracia pré-guerra e Gatsby no homem moderno.
Ainda assim, “O grande Gatsby” é um bom livro para se ler mesmo que estes acontecimentos não tenham saltado á vista, é impossível não sentir pena de Gatsby que se torna uma personagem adorável e raiva de Daisy por ser corrupta. O sonho americano, embora tenha sido destruído durante os anos 20, continuou sempre presente na literatura norte-americana, quer por autores que queriam persegui-lo ou por outros que queriam denunciar a sua exaustão de um sonho antigo nas pessoas.
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