A linguagem vitoriana das flores

A flor do desejo
(The art of seduction)
Cherie Feather
Editora: Quinta Essência
254 páginas

Sinopse:

Mandy Cooper, directora do Museu de Arte Feminina da Cidade de Santa Fé, há muito que admira a pintora Catherine Burke e segue com interesse a história da intensa relação amorosa que a artista do século XIX manteve com Atacar, um belo americano nativo. Contudo, a ligação de Mandy ao casal vai estreitar-se ainda mais. Mandy envolve-se com Jared Cabrillo, o perigosamente atraente sobrinho-bisneto de Atacar, naquela que será uma relação escaldante e avassaladora. Jared, por sua vez, esconde um segredo que vai mudar a vida de todos. Na posse do diário íntimo de Catherine, que muitos pensavam estar perdido para sempre, conhece todos os desejos e fantasias da artista. E decide recriar na sua relação com Mandy a paixão escaldante que uniu Atacar e Catherine. Ele sabe exactamente como conquistar uma mulher, incluindo o recurso à simbólica e sensual linguagem das flores… Mas Jared sabe também o quão intensamente Catherine amava Atacar e o quão perigosamente ele a amava. Será amor o que o une a Mandy? O diário de Catherine é intemporal, simultaneamente romântico, sensual e trágico. Mais de cem anos depois, os segredos contidos nas suas páginas tanto podem unir Mandy e Jared para sempre como destruí-los a ambos – atrever-se-ão eles a amar depois de tudo por que passarem? A Flor do Desejo é uma história envolvente sobre dois romances separados pelo tempo, mas unidos e marcados pela mesma paixão arrebatadora.

“A flor do desejo” foi o primeiro livro de Cherie Feather publicado pela Quinta Essência. O livro é bastante mais cruel que o segundo “As máscaras do desejo” embora sigam o mesmo tipo de narrativa: entrelaçar o passado com o presente em duas histórias de amor paralelas. Feather tem um dom de escrever uma história que já não é nenhuma novidade, mas continua a ter bastante encanto, especialmente quando lida com o passado onde coloca detalhes históricos. Desta vez os detalhes são relativos à linguagem das flores usado no período vitoriano. Feather utiliza bastante informação ao mesmo tempo que mostra e envolve esse simbolismo na narrativa para desenjoar todo o sexo. E de facto aprendemos alguma coisa e de repente “A flor do desejo” não é apenas um livro erótico light, mas também ensina e faz uso de símbolos. A relação entre Mandy e Jared aliam o lado louco e selvagem à sedução que se transforma aos poucos em amor. Feather soube também manter alguma tensão entre a relação, embora neste a narrativa para o final tenha sido demasiado rápida, o que podia ter roubado bem mais lágrimas aos leitores, se a autora se tivesse alongado com detalhes. Ainda assim, a relação de Catherine a Atacar proporciona ao leitor uma bela história de amor e embora tenha preferido “As máscaras do desejo”, senti que este satisfaz um leque bem mais vasto de leitores. Mesmo assim Cherie Feather dá uma porrada a muitas autoras que estão a surgir agora no nosso mercado e apenas tenho pena que a tradução tenha ficado bastante aquém (ou então eu no últimos dois anos fiquei uma tola e habituei-me a ler do mais variado calão em livros).
Relativamente à tradução. Quando li “As máscaras do desejo” não me lembro de ter torcido o nariz, mas desta vez a tradutora usou e abusou da conjunção “todavia” quando podiam muito bem ter variado as conjunções, o que me irritou pois “todavia” é das conjunções mais feias, e a tradutora pareceu querer evitar o “mas” a todo o custo; por outro lado, as descrições sexuais pareciam um manual de anatomia para médicos. Frases como “Vou fazer-te sexo oral na limusina” (I’m going to make you oral sex in the limo? – oh dear não sei que versão é a pior, quem é que diz eu vou fazer-te sexo oral?) ou “Acariciou a vagina” ou ainda “o sémen jorrou” fazem com que a linguagem tenha sido bastante artificial.
Gostava bastante que a autora escrevesse um livro sobre Kiki e o artista BDSM, já que ia ser algo bastante diferente do que tenho lido da Feather e acho que seria uma mais valia aventurar-se por esses caminhos (e se ela escreveu, tell me the name and I’ll read it).
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