Now novel: Parte II

O tema:

O tema ou então o motivo. Os bons livros costumam ter temas e motivos diversos, alguns difíceis de decifrar, outros mais fáceis. Nem todos os livros podem ter temas ou motivos, contudo é isto que adicionar profundidade aquilo que escrevemos. Como estudei literatura, o que eu mais sei é temas, simbolismos etc. Muitas vezes o autor fica preocupado com a história que se esquece de passar mensagens, claro que há aqueles que abusam dos temas. Acima de tudo tem de haver equilíbrio e o autor não poderá exigir que o leitor se aperceberá dos temas ou de todas as pistas que este coloca.

Nos temas as primeiras perguntas são um bocado inúteis, não entendo muito bem o que as conversas que eu tenho com as pessoas, têm a ver com os temas, contudo a partir de metade é-nos pedido para escolher 3 dos nossos livros favoritos e falar sobre os seus temas.

AS MINHAS ESCOLHAS:

Anthony & Cleopatra de William Shakespeare (António e Cleópatra)

Tema – Amor, poder e tragédia
A farewell to arms de Ernest Hemingway (Um adeus às armas):
Tema – A realidade horrível da guerra, dor e sofrimento
The Catcher in the rye de J. D. Salinger (O apanhador no centeio)
Tema – O mundo adulto vs. O medo de crescer e fazer parte desse mundo (permanência da idade da inocência)
O que há de comum nos temas destas obras?
Ambas as obras tratam da dor e sofrimento. Cleópatra sofre um derrota e acaba por ficar sem o seu amante e suicida-se, Henry é testemunha dos horrores da guerra e sofre com essas imagens, Holden em The Catcher in the rye aliena-se do mundo tentando evitar o facto de estar a crescer e estar cada vez mais perto de pertencer a um mundo que odeia: o mundo adulto.

Agora que analisamos as obras que “mais gostamos”, está na hora de nós escolhermos um tema para o nosso livro. Visto que a minha novel passa-se num setting disópico, onde o sistema é totalitário escolhi: 
Man’s inhumanity to man
The cruel ways in which people treat their fellow human beings.

Pessoalmente, julgo que este tema é o mais central, pois ao longo da narrativa desenvolvo outros e um símbolo que uso muito é a menção da designação “the good wife”, tratando de outro tema: o papel das mulheres. Mais uma vez, o nownovel é um guia, não Deus na terra!
(Atenção, estas opções são fruto das nossas escolhas prévias, pode não vos calhar o mesmo que a mim)

TANTO O STORY TYPE COMO A PLOT E O SETTING TÊM DE SER PAGOS: 99$/6 meses ou seja 12€/Mês e inclui:

PRODUCT
Story type selector
Step-by-step plot development
Individual character creation
Comprehensive setting specifics
Novel skeleton guideline

SUPPORT
Weekly motivation and training e-mails
Homework crits on the Now Novel writing community forum
Guides on every step of the writing process
Access to exclusive creative writing webinars

Apesar de isto ser quase um curso de escrita, não vou inscrever porque já estou a seguir outro curso. Para quem achar que precisará de ajuda poderá ter 1 mês por 19$ ou 14€.

Personagens:

Basicamente o que isto faz são fichas de personagens. Normalmente eu aconselho os autores a fazerem fichas primeiro, fornecendo algumas guidelines. O mau é que temos 1h para completar o registo e algumas coisas são bastante confusas.

How is their weight?
 Grossly overweight
 Slightly overweight
 Within range
 Underweight
 Severely underweight
 Yes
 No
 Only on weekends
 Only when nobody else is around

Por exemplo na minha novel, a Cathaline é uma sobrevivente que, como as pessoas normais, foram abandonadas pelo regime e vivem dos restos dos ricos (e alguns comem animais). Neste sentido a pergunta “How much do they earn?” ou “What hours do they work?” não faz sentido. Esta ficha é bastante detalhada, contudo aconselho os autores a fazerem skip pois muitas perguntas são inúteis para a história. Pode ir desde “What was their favourite toys?” no infância ou então “Who is their best friend?” (o que me fez lembrar que a Cat é uma pessoa extremamente sozinha, que basicamente dedicou o último ano a tentar salvar o marido). Se as personagens estão numa relação e estão tristes surge a pergunta: What is the core problem that they argue about most when in a relationship? – por exemplo, no meu coloquei “complicated”, visto o marido, Rhys, estar a morrer. 
Julgo que o melhor é pegar nos temas que eles dão e fazer algo com isso:

CHARACTER SPECIFIC
DEMOGRAPHICS
APPEARANCE
WORK
RELAXATION
FOOD
STUFF
HOME
FAMILY
CHILDHOOD
FRIENDS
RELATIONSHIP
MONEY
FEARS
DEMEANOUR

Podem pegar em só algumas partes e fazer a ficha, por exemplo em relação à aparência, medos, casa/lar, comida (que é importante na minha novel) e relações. Claro que adaptamos ao nosso contexto, sabendo mais ou menos aquilo que se trata.
Esta segunda parte é um pouco pior que a primeira, porque basicamente temos 3 opções inutilizadas, mas a parte dos temas agrada-me. Faz com que os autores comecem a pensar o que querem trabalhar e como, sem ser snobs e pensar que isso de profundidade só se vê nos grandes livros. Pessoalmente adoro quando um livro tem bastante por onde explorar (estilo Anna Karenina) e aborreço-me quando um livro é apenas preto no branco e quase não posso fazer uma crítica de jeito, porque o livro em si tem pouco suminho.

Blogue:

O Now Novel tem também um blogue com temas excelentes, sendo o meu favorito até agora a questão: “Como tornar os nossos vilões mais humanos?” Oh meu Deus, parece que entraram na minha cabeça e na dúvida que me vem a assombrar na história da Adosinda! É mesmo isso! Eu quero meter o meu vilão mais humano, quero que o leitor não o odeie totalmente, mas também quero que o leitor o odeie o suficiente para torcer pela personagem principal. No fim, apenas um pode vencer e embora tenha construído as personagens principais de modo a que nos apaixonemos por elas, mas de forma a que o vilão consiga ter alguma voz do tipo “não quero que ele morra, porque gosto dele… mas ele fez tão mal à personagem principal que quero que ele pague por tudo.”
Claro que isto é o que eu quero… como chegar lá é outra história!

Há também um texto sobre como “dominar a purple prose” (ou prosa púrpura), que muitos autores tendem a abusar.

Fórum:

Para quem quiser discutir algo mais abertamente, pode usar o fórum que é gratuito.

Extras:

Novel Blueprint:
Basicamente é-nos dado um pdf com tudo o que preenchemos no Dashboard.

Scrible pad:
Um espaço onde se pode escrever o que nos apetecer, seja cenas relacionadas com o nosso livro, ou um momento ou talvez algo que não tenha nada a ver com o livro. Basicamente é um espaço onde podemos escrever livremente.

Experts guide:
Para quem tiver problemas com bloqueios criativos, ou falta de motivação, poderá pedir ajuda a “experts” ou pessoas com experiência que ajudam os autores a lidar com vários dilemas, seja nas personagens ou na estrutura.

The A-Z of novel writing:

Um documento onde tem vários conceitos sobre writing por ordem alfabética:

C – Climax
Everyone loves a good climax. In novels and in life. But the climax doesn’t always have to be a shootout, or a car chase, a divorce or a murder.  Sometimes the climax happens inside the person, and it’s totally invisible on the outside. Not to the reader, of course, the reader is right there with the character, experiencing the shift. But it doesn’t have to be outwardly dramatic.

Pessoalmente também adoro um bom clímax e fico bastante desiludida quando não há nenhum. Parece que a obra fica incompleta e não há aquela emoção quase final. O clímax devia de levar os acontecimentos até à cena final (o fim). Quando um clímax é bom, a resolução sofre imediatamente com as decisões tomadas nesta fase.

E – EmpathyProbably one of the most important tools for a writer to have, and one that isn’t mentioned nearly enough. Forget grammar and good spelling (though I do love good spelling and I would prefer you never forgot your grammar). If you don’t have empathy for your characters, if you can’t feel what they’re feeling, your readers won’t be able to understand them. Work on your powers of empathy if you want to be a better writer… and a better person, in fact.

Não gosto muito quando as personagens não me tocam de forma a que eu pense “ok podes morrer, see if I care.” Acho que nunca nenhum livro que transmita emoções fortes através das personagens foi alvo de críticas nessa parte. Os autores não se deixem enganar. Um bom leitor entende bem quando um autor adora uma personagem e quando detesta outra. 
– Eu adoro esta personagem por isso vou fazê-la muito feliz e facilitar-lhe a vida: errado. 
– Eu detesto esta personagem por isso vou matá-la e deixá-la sofrer: também errado. 
Basicamente um bom conselho para qualquer autor é: não amas essa personagem? Então nem sequer a coloquem no livro. Devemos adorar todas as nossas personagens, incluindo vilões. Senão porque é que estamos a perder tempo com algo que detestamos? Aposto que o até mesmo o George R. R. Martin deve adorar a construção que fez em redor do Jeoffrey. Aposto como ele adorava o Ned e pensou “kill your darlings”. Eu pessoalmente não faço muito “kill”, mas mais tortura: torture your darlings. 

H – Heart
A novel without heart is like a play without actors. I don’t care whether you’re writing crime, fantasy, romance or horror, every novel has to have heart. You have to care about it and believe it has great worth. I assure you that even those authors who write a new novel every 2 weeks put heart into their work.

Na mesma onda da definição ali em cima, ler mexe com emoções: seja raiva, revolta, chorar de alegria, etc. Se se termina um livro com uma sensação de “mnhe”, então algo falhou.

O veredicto final:

O Nownovel é uma ferramenta muito boa para os autores que ainda estão a começar a escrever as suas primeiras obras. Isto não é nenhum milagre literário, este site não vos vai ensinar a escrever, mas ainda assim sempre é melhor começar a escrever com umas luzes do que começar sem nada. Nem que seja a título de curiosidade como editora. Acho que depois de ver este esquema, já não vou pedir aos autores para fazerem fichas de personagens como primeira coisa, talvez lhes comece a perguntar pelo setting e pelo ambiente e só depois focar em algo tão especifico.

O Now novel tem também a vantagem de parar os autores antes de começarem a escrever. Uma coisa é ter uma ideia para um livro, outra é ter uma ideia que ganhe pernas para andar. Eu tenho ideias quando estou a estruturar as minhas histórias e quando chego ao fim, tenho outra ideia melhor (o meu cérebro já estava a raciocinar mais) e volto atrás e reescrevo. Qual é o problema: nenhum. O objectivo disto não é seguir as linhas como a palavra de Deus, é apenas para não chegarmos a meio ou a vários capítulos depois e pensar “isto não está a ir a lado nenhum”. Mais uma vez, este tipo de abordagem não funciona com todos e se houvesse uma fórmula para escrever bem já a tínhamos posto em prática. Estas linhas servem para fazer o que muitos autoras amadores não fazem: pensar antes de escrever, ao invés de ser depois (a menos que estejamos no NaNoWriMo). E vocês dizem “porra mas eu quero é escrever, não quero perder tempo com essas coisinhas”, bem tudo bem. Se acham que já têm estes conceitos básicos enraizados, não vejo porque não. Escrever faz bem, mas pensar e analisar antes de o fazer também.
Agora, toca a pensar e escrever!
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