Anna Karenina: Parte I

Anna Karenina
Leão Tolstoi
Editora: Edições Europa-América
872 páginas
Tradução de: João Neto
Actualizado, anotado e corrigido por Maria Ivanova Miklaia

Parte I

Ana Karenina/ Anna Karenina/ Ana Karénina ou Ana Karênina foi publicado entre os anos de 1873-1877 na revista “O mensageiro russo” na Rússia. A história faz parte da vaga realista, dos quais fizeram parte Flaubert (Madame Bovary), Theodor Fontane (Effi Briest), Eça de Queiroz (Primo Basílio) Guy de Maupassant (Bel-Ami), entre outros. 
O livro está dividido em oito partes, onde cada uma faz reset dos capítulos, ou seja no início de cada livro a contagem começa outra vez no I, o que ajuda caso não saibam numeração romana! Visto o livro ter mais de 800 páginas, a narrativa desenrola um tapete para o leitor acompanhar os problemas, dramas e pequenas tragédias das personagens.

Todas as famílias felizes se parecem; as infelizes são.

Esta é a primeira frase do livro, onde Tolstoy basicamente anuncia o tom do seu romance: Anna Karenina será um romance dedicado à infelicidade de vários casais, um romance que ao longo da narrativa dará a conhecer diversos casos de infidelidade, dando o exemplo de Stiva, o irmão de Anna Karenina. A primeira cena dedica-se ao tema do adultério onde Dolly (mulher de Stiva), sabe do envolvimento do seu marido com a perceptora inglesa dos filhos. Embora o romance consiga abrir de forma tão abrupta, é impossível detestarmos Stiva e Dolly. Ambos são vítimas de um casamento que se está a deteriorar e nenhum dos dois consegue ter forças para salvar a sua relação. Stiva não consegue olhar com maus olhos o seu caso com a preceptora, visto que foi uma forma de conseguir ter prazer sexual, algo que claramente o casamento já não lhe dá, ou se alguma vez lhe deu.
Tolstoy constrói as personagens melhor talvez que Flaubert e Fontane. Muitos leitores parecem detestar Bovary e mesmo quando se conhece Briest, sente-se pena pelo facto de ela casar com um homem bastante mais velho. Anna Karenina, as personagens são bastante humanas, todas elas de tal modo construídas com tantos detalhes que por vezes é fácil esquecer-mo-nos que Karenina e Stiva não existem. Muito por culpa de terem sido moldadas segundo a época e Tolstoy estava muito pouco preocupado em criticar a sociedade e os seus intervenientes. Tolstoy preocupa-se mais com transmitir os ideais e e costumes.
Talvez pelo motivo de que o ser humano quer sempre buscar a felicidade e as personagens de Anna Karenina parecem sempre em constante busca desta sem a conseguirem alcançar, torna o livro mais sentimental. Sentimentos pena de Dolly que quer que o seu marido seja fiel, mas também sentimos pena de Stiva por este querer um prazer que não consegue dentro do casamento. Já Levin, vive só com olhos para a Kitty (irmã de Dolly), mas também ela parece alheia aos seus olhos.
A única personagem que parece satisfeita com o seu casamento é Anna Karenina, que chega de comboio, símbolo do desfecho do romance, é curioso entender que o comboio, símbolo da modernidade é o meio que transporta Karenina para a sua desgraça. Anna é retratada como uma mulher madura, de família que traz alguma harmonia ao lar do seu irmão, quando pede a Dolly que perdoe Stiva. É talvez a busca de harmonia no lar do seu irmão, mas também dentro do seu coração que a leva a ceder aos encantos de Vronksy. Tolstoy não parece condenar o adultério de Karenina, nem o de seu irmão. Ambos têm os seus motivos, o que os torna cada vez mais apelativos aos olhos do leitor. Nenhuns dos irmãos são caprichosos ou de vícios. Karenina não se pavoneia à frente dos outros homens, pelo contrário é reservada e apresenta grande inteligência e sobriedade. O leitor sente que a felicidade que Karenina quer atingir talvez será possível e que talvez o casamento de Stiva também poderá ser resgatado.
Parte II em breve
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