A minha primeira experiência na publicação

(Este texto foi publicado no blogue Mad woman in the attic a 17 de Agosto de 2012)
Bem muita tinta tem corrido por causa das vanities/pods/editoras tradicionais. Este post é apenas para falar sobre a minha breve experiência de publicação. 

Quando estava ainda nos inícios da faculdade vi que uma editora portuguesa estava a aceitar contos para uma Antologia. Já tinha escrito duas vezes para o Concurso Litérario da Maia, sem sucesso. Pelo que decidi escrever dentro dos limites de palavras algo que já vinha a matutar. Escrevi, revi, não enviei a ninguém a não ser ao concurso. Quando recebo o e-mail a dizer que fui seleccionada… bem conhecem essa sensação, certo? É uma alegria enorme. Para mim significava que a minha história estava bem explorada, que estava bem escrita e podia vir ao mundo. Até que o meu irmão que escreveu comigo também recebeu um e-mail, e mais uns amigos meus… bem na verdade TODOS os meus amigos tinham recebido… Pelo que comecei a torcer o nariz. Tantas pessoas? Bem pelos vistos os contos deles também tinha qualidade. E ignorei. Até que houve um problema. Como a editora tinha decidido apostar em vários autores, o livro iria custar 20€, mas os autores teriam 15% de desconto. Ou seja todos os autores iam ter de pagar dezoito euros por cada exemplar. Ora bolas, não estava nos meus planos pagar por uma publicação… mas o mal já estava feito (na  altura não sabia, senão tinha perguntado se o livro tinha ido para a gráfica e retirava-o). Paguei o dinheiro. Que remédio. Mas jurei para nunca mais. Se escrevo e perco o meu tempo: ainda tenho de pagar por cima? Bem a verdade é que posso dizer: tenho um conto publicado… mas a experiência foi: never again.
Por isso, quando aparecem pessoas a dizerem “nós damos oportunidades a todos.” Bem de facto sim, isso é verdade. Dão a todos… mas com que rigor? Não querem que a vossa história tenha uma apreciação, em vez de ser – estamos interessados, desde que pague X euros?
Quando as pessoas avisam as outras não pensem que é de má vontade. Simplesmente aquela edição da Edita-me foi a dezoito euros com mais de 80 participantes… well do the maths. Só o lançamento deu para cobrir o pseudo-investimento feito. Outro problema foi o livro não ter chegado a nenhum lado. Quando dizem: não temos distribuidor., duvidem. Não do facto de não haver de facto distribuidora, mas o facto de o seu livro não ir parar em nenhum lado. A web é uma arma poderosa, mas um livro precisa de estar à vista das pessoas. Elas precisam de apalpar, assediar, sentir um livro físico. Abrir um livro e ler umas páginas é fantástico. Se o seu livro está algures só na web e pagou para nem sequer ter o seu livro distribuído… então what’s the point?
Penso seriamente que as pessoas não querem publicar um livro, mas sim ter algo para mostrar às outras pessoas. “Olha eu tenho um livro publicado!” e as pessoas que não conhecem as vanities vão pensar “Uau, isso é tão fixe! Deves escrever tão bem!!!” Quando na verdade provavelmente nem sequer reviram os contos e só os aceitaram porque enfim: não sei porquê.
Outro pseudo-escandalo foi um grupo de autores (O Ghost writer army) que decidiu escrever os piores contos que conseguiram para enviar para uma colectânea: beijos de bicos da Pastelaria Studius (sem querer aqui denegrir qualquer trabalho e mérito DOS AUTORES publicados pela autora, estou a falar da antologia). Os autores nem queriam acreditar quando foram seleccionados, pois as suas histórias estavam repletas de clichés e escrita má. No mesmo e-mail a editora pergunta quantos exemplares querem comprar por causa da produção! Bullshit! Se nenhum autor quiser o livro não fazem a edição? Bom claro que era uma mentira para que o autor ficasse atracado. Quando a editora soube que tinha caído numa trap, apressou-se a enviar e-mails aos autores a dizer que eles tinham passado apenas a 1º selecção. O que não faz sentido, pois eles já queriam os números de exemplares.
Infelizmente esta foi fácil de desmascarar, a edição da Edita-me, até meio do processo quis crer que não era disso. Depois da publicação veio as críticas. Os autores são atacados por terem caído na esparrela e serem burros e não se terem apercebido. Por outro lado, ninguém fez reviews dos livros. Nem dos Ocultos Buracos, nem da Antologia da Edita-me (que ao menos a capa era bastante bonita, embora o plástico tenha saído E ao menos ainda tivemos umas tabelinhas fofas com a classificação em três categorias).
Eu muitas vezes pergunto: recorre-se às vanities porque estamos desesperados passado anos de receber recusas ou porque somos vaidosos e queremos coisas publicadas?
PS: Eu enviei um poema para a Chiado depois de ter feito o convite. Depois de o escrever enviei para 6 pessoas para ler. Recebi mixed reviews, algumas bloggers deram-me uma ajuda preciosa. Falei com a editora e eles disseram que não tinha de pagar nenhum exemplar. Não sei se fui aceite pois não recebi nenhum e-mail, mas tudo indica que sim. E vocês dizem: ah então escrevestes para uma Vanity! Pensei bastante antes de o fazer. Primeiro porque já não escrevo poesia aos anos (6-7 anos), mas depois de ser feito o convite, sinceramente deu-me uma nostalgia enorme dos tempos em que escrevia poemas. Decidi combinar erótica com poesia. Não está maravilhoso. O poema é bastante cruel, irei publicitar o livro quando sair, mas já sei para o que vou. Já sei que não vai estar nas livrarias, que não vai haver reviews. Mas nunca quis glória, só quis escrever um poemazinho cruel e directo (se tivesse de pagar, não enviava pois não tenho dinheiro para uma edição).
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