Morde-me

Morde-me
Emily Maguire
226 páginas
Editora: Oceanos
Sinopse:

A vida de Sarah Clark, boa aluna e bem comportada, muda para sempre quando aos 14 anos é seduzida depois das aulas pelo professor de Inglês, Daniel Carr, vinte e quatro anos mais velho do que ela, casado e com dois filhos. Mr. Carr não se limita a declamar poemas nas aulas e a transmitir aos seus alunos o amor pela poesia de Shakespeare. É um homem perigoso: seduz e envolve a jovem Sarah numa paixão irreprimível e perversa, feita de jogos e prazeres extremos. De repente, Daniel muda-se com a família para outra cidade e desaparece da vida de Sarah. Durante oito anos, Sarah envolve-se numa espiral de experiências sexuais, passando de um homem para outro na tentativa de reencontrar a intensidade da paixão que sentira com Daniel Carr. Quando este volta a entrar na sua vida, Sarah vê-se de novo envolvida numa relação fechada e doentia, em que Daniel dita as regras e ela obedece com medo de o perder de novo. Até um dia…

Ora bem estão a ver aqueles livros que não sabemos muito bem como classificar? Pois este é um deles. And, mind you é completamente impossível escrever uma crítica pseudo-intelectual objectiva sobre um livro onde uma menina de 14 anos perde a virgindade com o seu professor e isso arruína-lhe a vida. Ela fica tão obcecada com a ideia de falta do professor, que torna-se ninfomaníaca e começa uma vida de vícios: dorme com gajos, fuma, bebe, mas mesmo assim consegue entrar na faculdade e fazer a sua tese. Estou na página 172 e muito sinceramente é daqueles livros que não quero acabar, porque já sei que termina mal. Also, já sei que se terminar mal vou começar a chorar e não vou pegar em mais nenhum livro até esquecer este, and that might take a while.
“Morde-me” é um livro extremamente cruel, bem escrito, a explodir de sentimentos como desejo, ciume, raiva, e obsessão. Não existe meio termo. Sarah “fode” imensos homens para tentar reatar as sensações que teve com Mr. Carr, mas aquilo não a leva a lado nenhum. Para mais, os homens pensam que ela é uma vadia só porque “tiveram um orgasmo dentro de mim, pensam que são donos”. Uma coisa curiosa é que o livro é cruel a nível de sentimentos, mas raramente temos cenas de sexo que não sejam entre Sarah-Jamie e Sarah-Mr. Carr. Todos os homens com quem ela se envolve desaparecem num ápice, o que reflecte bem o quão efémeras são as relações ou “fodas”.

As personagens estão todas destruídas. Mr. Carr é um homem atormentado pela sua atracção por Sarah, Sarah está completamente destruída depois de ser tocada por Mr. Carr e ser abandonada por ele, Jamie está quase morto por se casar com uma mulher por obrigação e Mikie leva uma vida aborrecida com a sua mulher, sem sexo. Aqui, o sexo parece ter um efeito contraditório: ora traz cor à vida de Sarah e Jamie, ora corroí a relação de amizade e ambos têm sentimentos de culpa ou um misto de confusão e desapontamento.

É um livro complexo a nível de sentimentos, de muito difícil e lenta digestão (or maybe I am just getting soft), com personagens que irão acompanhar-me e marcar-me a partir de agora. Depois deste livro, é como escrever poesia depois de Auschwitz. Não dá para esquecer, não dá para simplesmente dizer: ok é um livro banal, vou esquecer-me dele daqui a um mês. Sinto que um ano passará ainda vou estar a digeri-lo.

Se gostam de erótica light NÃO O LEIAM! Não se aproximem dele. Eu consegui ler o início do Opus Pistorum, eu consegui ler o She-devils (Tal mãe, tal filhas) que é bem mais chocante a nível de setting, mas não é tão perturbador. Acho que o problema é esse, it’s not about sex, é sobre as pessoas e o quão “fucked up” elas estão por erros que cometem na vida. Quer dizer, são esses os melhores livros, não é? Aqueles que ficamos tão vidradas por ser tão realista, que nos esquecemos que são personagens que nunca existiram, que aquilo nunca aconteceu. Aqueles livros que nos dão uma chapada tão forte que temos de parar de ler. E desesperamos ao pensar que nunca vamos terminar porque não temos forças. Não aguentamos aquele cenário horrível, não aguentamos ver as personagens a auto-destruírem-se. Those books.. oh those are the best books!

Muito obrigado à Ne do blogue: Ler por gosto não cansa pelo empréstimo!

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3 thoughts on “Morde-me

  1. Charm & Lovely says:

    Bemmmm, estou tentada a pedir o livro à Inês, mas deixa-me lá agendar para quando estiver de férias e nao prestes a entrar em stress de aulas again lolol.
    Adorei a objectividade da crítica e o “chamar os bois pelos nomes” sem subtilezas, mas este estilo é o que torna este blog especial!

  2. Madrigal says:

    este comentário contém spoilers para quem não leu o livro.

    realmente este livro não é de fácil digestão e tb acho que se fica a pensar nele durante uns tempoos.

    no inicio eu via o Daniel como um homem que tinha tido o “azar” de se interessar por alguém mais jovem, acreditava que a sua afeição era verdadeira. Mas as circunstâncias, ele ser casado, mais velho e eventualmente ser visto como um pedofilo, acabaram por ditar a separação. Afinal estas coisas descobrem-se sempre.
    Mas quando ele volta a aparecer não tenho tanta certeza se ele teria realmente afecto/amor por ela. Aquilo que ele conta, as fotos que ele tinha dela, dão a sensação de que ele era na realidade um pedofilo e Sarah foi escolhida talvez pelas suas circunstâncias. Eu tb achei que ele era um pouco um homem que tinha dupla moralidade e achava que as mulheres em casa devem ser tratados com respeito e as da rua pode-se fazer tudo. Há homens que pensam assim e esta ideia tb é veiculada, de certa forma pelo Mike.
    Mas por outro lado, não sei se ele não trata a Sarah da forma que trata, qd regressa por causa daquilo que ela fez durante a ausência dele. O que me parece é que nenhhum dos dois ama verdadeiramente o outro e aquilo é mais uma obessão, daquelas doentias por causa das circunstâncias que ditaram uma separação abrupta.
    O livro tb levanta a dúvida que se Sarah não tivesse sido levada pelo Daniel, se ela não teria tido uma vida normal com Jamie, eventualmente casando com ele.
    O Jamie, no fim desiludiu-me um bocado, mas apesar disso gostei do personagem e acho que apesar daquilo que ele fez no fim, ele seria o único que a amava e no fundo ela também o amaria, mas a obessão pelo Daniel não a deixava ver que havia vida para além do Daniel.

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