O poeta da lua – volume I

O Poeta da Lua
VOLUME I
António Casado
490 páginas
Editora: Chiado Editora

Sinopse oficial / Excerto:
VOL I

A postura de Alex é a de um gladiador romano. A felicidade resume-se à capacidade de encontrar alguém com quem possa partilhar sentimentos semelhantes, onde a compreensão seja mútua e o amor que tem para dar, a chave de todos os arcanos, se faça representar no outro de tal forma que desperte nele a necessidade de o amar também. É isso o amor. Conhecia-o. Já amara e fora amado. Neptuno, talvez inquietado com a grandeza multidimensional daquele romance, que como fogo-de-artifício em dia de festa se propagava por toda a parte e colhia louvores de toda a gente afastara-o do seu caminho. Duma forma ardilosa e egoísta, arrecadara para si todo o carinho que o companheiro lhe dedicara. Todos os outros foram uma fugaz passagem. Em alguns até acreditou… Desiludiu-se quando se apercebeu que o queriam como bibelô, ou animal de estimação. O propósito comum era o sexo. Um bando de falhados! Deixaram, no frio da ausência, um enorme rio sem margens a percorrer o finito imensurável da incompreensão – e todos eles com capacidade para amar -, procura do mar, sem encontrarem a foz.

A minha versão da sinopse:

“O poeta da lua” é uma espécie de Bildungsroman de duas personagens: Alexandre e Luís. Neste primeiro volume acompanhamos os amores e desilusões da vida de Alexandre que aprende o que é a homossexualidade através de erros sucessivos nas relações e Luís um bissexual, cuja orientação sempre o confundiu. 

Eu sei que a minha versão é mais pequena, mas sempre dá uma maior definição do que é a história em si (o tamanho não conta sempre).
“O poeta da lua” é um livro agradável de se ler, com uma estrutura narrativa caótica, não planeada, com muitas vezes cenas em catadupa que conferem acção demasiado repentina, cíclica, mas que no fundo nos conquista devido à veracidade da escolha de palavras e situações, o leitor apercebe-se aos poucos que apenas um homossexual poderia escrever tão bem e retratar cenas tão realistas num livro. Não é preciso perícia literária ou uma estrutura boa, se a ficção ficar aquém do realismo necessário para acreditarmos que as personagens são de facto homossexuais.

O início da narração poderá parecer um pouco chocante para o leitor e retrata alguns estereótipos (dizem que todos os estereótipos têm um fundo de verdade). Um homossexual inseguro experimenta sucessivamente o sexo, como forma ou de libertação. É-nos contada a vida de Alexandre desde a noite em que perdeu a virgindade com um amigo da escola, sucedendo-se vários namoros (contei pelo menos 6 durante o livro), o que contribuiu para que o leitor com menos contacto neste mundo fique incrédulo à quantidade de namoros que se sucedem. Mas este pedaço de narração retrata parte de uma comunidade, que é adepta da experimentação, com a sombra de HIV/SIDA. O retrato da sociedade em forma de analepse, permite ao leitor ser transportado para uma época que ou nunca viveu e poderá apenas imaginar como seria um tempo em que os homossexuais tinham de esconder a sua orientação, ou então casar de forma a disfarçar a ainda muitas vezes considerada “doença”.
Existem por vezes pedaços de escrita onde o narrador e a personagem principal parecem unir-se e cair no erro da personagem ser uma projecção do autor. A escrita precisava apenas de um olhar crítico devido não aos erros, mas sim há estranheza que certas metáfora excessivas causam na leitura da narração. Por outro lado, os diálogos realistas conseguem dar a mão ao leitor e fazer com que o livro de tal grandeza seja fácil de ler.
Concluindo, o “Poeta da lua” inclui no leitor uma reflexão crítica da homossexualidade e do tratamento desta tanto nos homossexuais, como nos heteros, de forma, se calhar, inconsciente. Mas é a possibilidade de haver essa reflexão por parte do leitor que confere ao livro um gosto especial. O facto do próprio autor se assumir antes da história começar, só traz vantagens. Este livro poderá ser um testemunho do próprio autor, de amigos do autor ou uma junção dos dois.
Um última nota, vi na Wook que o livro estava esgotado. Não sei se será apenas na Wook e se o livro estará disponível na FNAC ou Bertrand (acho que deverá estar na Bulhosa do Porto, onde o autor apresentou o livro).
Outra nota, desta para o autor a nível pessoal (as I have no other way to reach him out) e tem e não tem a ver com a crítica. O livro tem sete capítulos (se não me engano), deveria ter pelo menos quinze. Se o autor quiser (para uma segunda edição) posso rever as partes que devem ser divididas e um ou outro detalhe de estrutura, visto este não ter clímax e ser objectivo: começa com Alexandre na adolescência e termina na idade adulta (40 anos). Uma maior organização a nível de estrutura, feita por um par de olhos extra não faz mal e se calhar melhorará a leitura. 

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About Adeselna Davies

Occasionally works as an English and German teacher, also loves to read all kind of books and wish someone would pay her to read and write reviews forever. She is also a magazine designer and writes short-stories.

2 responses to “O poeta da lua – volume I

  1. Deixei-te um selinho no blogue 😉

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