A tradição dos Nibelungos

Esta é a história da aventura de um Baggins, que deu consigo a fazer e a dizer coisas completamente impensáveis… Bilbo Baggins é um hobbit que desfruta de uma vida confortável e sem qualquer ambição. Ele raramente se aventura em viagens, não indo mais longe do que até à dispensa de sua casa, no Fundo do Saco. Mas este conforto será perturbado por Gandalf, o feiticeiro, e por um grupo de treze anões, que num belo dia chegam para o levar numa viagem «de ida e volta». Eles têm um plano para pilhar o espantoso tesouro de Smaug, o Magnífico, um dragão enorme e extremamente perigoso. Encontros inesperados com elfos, gnomos e aranhas gigantes, um dragão que fala, e ainda a presença involuntária na Batalha dos Cinco Exércitos, são apenas algumas das experiências por que Bilbo passará.  
O Hobbit é o prelúdio de O Senhor dos Anéis e já vendeu milhões de cópias desde a sua publicação, em 1937. É claramente um dos livros mais amados e influentes do século XX. «Uma obra-prima incomparável», The Times  
Leia o livro. Veja o Filme. Estreia a 13 de Dezembro nos cinemas Zon Lusomundo!
A dias do primeiro filme da trilogia do Hobbit de Peter Jackson começar, fica aqui a crítica do livro (é a segunda, visto a primeira ter sido uma desgraça total). 
Ilustração de Alan Lee

Embora a principal influência atribuída à prequela dos Senhores dos Anéis originar do épico Beowulf e lendas nórdica, a estrutura de Hobbit tem muito mais paralelismo com os Nibelungos. Não é segredo nenhum que Tolkien tinha um fascínio por esta obra medieval germânica e chegou ao ponto de a reescrever através da poesia edda. O Hobbit é considerado um Bildungsroman, onde a personagem de Bilbo surge sempre em contraste com a personagem de Frodo. Menos negro que a trilogia, o livro assiste à evolução da personagem de Bilbo ao longo da sua viagem inesperada. Vendo a sua casa invadida por anões, o pacato e calma Hobbit vê-se arrastado para uma viagem que não sabe se quer seguir, havendo um duelo interior entre a sua vontade de sair do buraco e explorar o interior e ficar seguro em casa.

Ilustração de Alan Lee

As viagens sucessivas pela Terra Média são apenas uma forma de mergulhar no worldbuild de Tolkien. Os cenários e a construção do mundo estão ao serviço da história e influenciam o decorrer desta.
As personagens têm personalidades distintas de acordo com a moral da sua raça. Bilbo é recatado e não gosta de confusão, típico dos hobbits, os anões vão à procura de recuperar o tesouro e nota-se a sua ganância no jantar que Bilbo oferece em que a comida não para de vir, mas também no facto de recuperarem um tesouro que pertence ao pai de Thorin. Na ópera de Wagner, no primeiro acto, a personagem de Siegfried é criada por um anão Mimir, que incentiva o jovem a matar o dragão Fafnir (em alemão, Fáfnir no original) de forma a recuperar o seu tesouro. Tanto Fáfnir como Smaug são ambos ladrões de tesouros, que se vêm derrotados pelos heróis. Não são vilões tradicionais, que querem conquistar o mundo ou matar o herói. Neste aspecto, Tolkien inova ao apresentar um vilão que é quase uma vítima e um herói, à primeira vista, pouco corajoso.

A evolução de Bilbo e a ausência de Gandalf são dois pontos importantes na narrativa. A baixa altura de Bilbo aproxima-o de uma figura parecida com as crianças. No seu interior, o hobbit tem um coração bondoso que anseia pela aventura. Embora Bilbo encontre a sua “sting”perdida no chão (ele não a adquire , a arma representa uma evolução. A cena entre Bilbo e Gollum mostra não só uma batalha de inteligência, através das palavras, como a arma ajuda Bilbo a subjugar Gollum, demonstrando a importância da força física. O hobbit acaba por ser um herói acidental, que junta todas as características de um bom herói: corajoso, leal, inteligente e que apela às crianças pelo seu tamanho.

O Hobbit pode ser uma leitura que se passa de pais para filhos, de geração em geração. Tolkien é um mestre em contar histórias, de forma a apelar ao leitor para o seguir pela Terra Média. Não é por acaso que ele influenciou uma geração inteira de escritores de fantasia. Curioso ler o Hobbit depois de ler o Beowulf e os Nibelungos e notar peça a peça o que influenciou o autor na construção da história e das personagens.

Para quem quiser saber mais sobre a Terra Média poderá adquirir os livros: O Silmarillion, Os filhos de Húrin e Contos inacabados de Númeror e da Terra Média. O livro “A lenda de Sigurd e Gudrún” que reconta o mito dos Nibelungos encontra-se, de igual forma, traduzido pela Europa-América.

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