Contos de outros tempos

Contos de outros tempos
Antologia inédita
Vários autores
Editora: Esfera do Caos
Páginas: 271

Melhores contos: Arrufos/ O espólio do senhor Cipriano/ Três cadáveres
Piores contos: Mestre assassinado/ Um dia de chuva
Autor destaque: Fialho de Almeida

Alexandre Herculano:
“A morte do Lidador” dá início a esta antologia e recupera um tom romântico do escritor Herculano e do amor dos românticos pelo medieval. Já o “Mestre assassinado” embora tenha espaço e foi desenvolvido não tem nenhuma característica na prosa que torne o conto memorável.

Eça de Queiroz:
Como disse no outro post, este é o conto mais fraco da Antologia. Normalmente Eça tem o hábito de nos envolver numa leitura mordaz com bastante simbolismo e temas. Este conto pecou pela falta de clímax e previsibilidade. Na mesma senda, manteve as descrições excessivas características dos Mais. Não é um típico conto do Eça, infelizmente.
Camilo Castelo Branco & Júlio Dinis:
Após ter lido o seu livro “Amor de Perdição”, o seu conto “A morte de um avarento” tem uma trama igual à do conto a seguir de Júlio Dinis “O espólio do senhor Cipriano”. Ambos contam histórias de senhores, que guardavam dinheiro, mas vivam de forma pobre de forma a pouparem. O “espólio do senhor Cipriano” tem um final feliz e um clímax certeiro.
Trindade Coelho:
Trindade Coelho brinda-nos com dois contos, de temáticas diferentes. O primeiro “Tragédia Rústica” retrata a história de um bebé abandonado e da busca pelos seus pais. Já o segundo conto “Arrufos” é um dos melhores contos da antologia. Contado através de uma pseudo-fábula, fala sobre amor e traição dos homens, mas através dos pombos. Um conto bem escrito, com grande profundidade e que dá gozo de ler.
Fialho de Almeida:
Recuperando a temática deixada por Júlio Dinis e Camilo Castelo Branco, “O Antiquário” relata a obsessão de um antiquário por uma peça, tudo faz para a ter, até os meios mais sujos. Ambos os contos têm um teor altamente moral e didáctico, onde os bons são compensados e os maus castigados com a morte!
O segundo conto “Conto do Almocreve e Diabo” é o único conto de fantasia nesta antologia. Um homem pede ao Diabo que lhe guarde a mulher, durante a sua viagem, que andava a dar umas berleitadas com o padre. O Diabo assim guarda a mulher, mas faz também das suas. Divertido e leve.
O último conto “Três cadáveres”, o maior da antologia, tem um tom claramente ultra-romântico com uma história característica do “Noivado do sepulcro”. Este último conto prova a versatilidade de Fialho de Almeida.
Luís de Araújo:
O “Povo no teatro” é um conto a retratar o povo português no século XIX a ir … ao teatro. Pouco complexo, serve para retratar algo característico da época.
O segundo conto “Como hei-de ser rico” tem o mesmo tom do anterior, são dadas várias sugestões ao autor/narrador de como poderá ficar rico. Infelizmente até à data do conto, tal coisa não aconteceu.
Pedro Ivo:
O último conto da Antologia “Zé Sargento” conta a história de amor platónica entre Zé e Maria, com um final atípico, mas que vai de encontro ás expectativas do leitor. Bem escrito e com um tom mordaz, assume a posição da mulher como anjo-demónio.
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