Steampunk + Fantasia épica: será que combinam?

“Downpiral: Prelúdio” é um o primeiro livro de uma série que combina steampunk com fantasia épica escrito 100% em português por um autor nacional. Este é também o primeiro livro da nova editora Editorial Arauto e é de louvar a coragem de uma editora nova (criada este mês), em apostar num tema que os portugueses mal conhecem: steampunk. Tem-se discutido se a editora fez bem em apostar também como primeiro livro numa série em vez de um livro independente, mas isso só o tempo dirá.
Como primeira obra de um autor temos algumas escolhas que o autor tomou que me fazem um pouco de confusão enquanto “editora/beta-reader/crítica/autora” (damn), contudo também houve algo que me fascinou: o vocabulário do autor. O autor tem destreza de vocabulário e consegue utilizar palavras mais rebuscadas num contexto específico sem que este nos pareça estranho ou petulante, ou mesmo retirado do Thessaurus ou do sinónimos do word (essa coisa horrorosa que só se devia de usar… nunca!) Os diálogos estão bem escritos e funcionam quase sempre. Não estranhamos e alguns conseguimos mesmo ensaiar sem parecer forçado. Isto para uma primeira obra é difícil conseguir mestrar os diálogos numa primeira tentativa, so kudos!
A história não segue o tradicional esquema de planeamento de plot, pelo que os capítulos iniciais embora tenham acção, possam ser visto quase como sem importância para o conflito em si. Sinceramente julgo que para autores novos, inovar com a estrutura é um pouco arriscado. O livro só começa a ter acção combinada com a narrativa a meio do livro, o que poderá desagradar a muitas pessoas (mas hey disseram que o primeiro livro do Acácia era boring nas horas e é de um autor super famoso, so whatever on this one).
As personagens e o fim são os dois problemas únicos com o livro. Ainda não consegui entender muito bem o porquê de não conseguir sentir empatia com as personagens, mas acho terrível quando um leitor pensa nas personagens como “meh podem morrer, I don’t care!”. O autor cria situações para elas, algumas até morrem, contudo muito sinceramente só consegui sentir algo por uma: Stephan. O Alleth parece um pouco herói acidental, a Nev… let’s not talk about her, o Stephan é de facto a personagem que foi melhor construída. Talvez seja esse o motivo pelo agrado face a esta personagem, ela parece construída, com defeitos e ambições, talvez ela seja o único que nunca tropeça nas coisas, mas que tem objectivos bem definidos e isso é importante. O que também não ajuda ter um role de personagens muito grande, mas sendo uma série o segundo livro pode haver espaço para desenvolver personagens que ficaram um pouco esquecidas. 
O Worldbuild é maioritariamente eficaz, gostei dos Steamknights foi um conceito engraçado, mas fica a impressão que de vez em quando o autor espera demasiado de nós enquanto leitores. Demasiados conceitos novos, um mundo novo, moeda nova, povos diferentes, muita coisa que uma pessoa tem de assimilar. A piece of advice? Leiam com calma! Este livro não é um page-turner, leiam com calma, com quatro olhos e se for preciso, voltem atrás para reler.
Outro problema foi o final. E agora deixemos a crítica de lado (eu já conversei sobre isto com o Anton, so no news here, mas isto serve para todos os autores que escreveram séries ou vão escrever). Quando se escreve o primeiro volume de uma série RESOLVAM um conflito. Por exemplo, a série da Sookie Stackhouse conta com 12 volumes. Em cada volume existe um sub-plot para manter o leitor atento e o mistério, enquanto o grande plot (a relação entre Sookie-Bill-Eric) se alonga durante 12 livros. Imaginem a seca que era se a Harris decidisse que só iria resolver os crimes passado dois ou três livros? O problema é que os autores pensam que as pessoas precisam de ficar curiosas com os volumes seguintes. Eu concordo, em parte. Sinceramente tem de haver alguma conclusão. Primeiro porque depois os autores não sabem como atar as pontas e ficam perdidos nas estruturas que criaram, segundo porque os leitores não são obrigados a ler a continuação. Eu tenho os dois livros da Sookie e estão bem. Posso ler e pensar “Ok o mistério ficou resolvido”, não sei com que a Sookie vai ficar no fim: será o Eric ou o Bill? Mas ao menos tenho livros que apresentam parte de uma conclusão. O leitor ganha porque hey se não me apetecer comprar o segundo ao menos não fico com metade de um livro e ganha o autor porque continua a seduzir o leitor dando e mantendo coisas para si próprio.
Claro que vou ter de ler o segundo volume para ver afinal como acaba a história, e acho que apenas as personagens precisam de se calhar maiores sustos, tal como parte de uma conclusão para dar mais vivacidade à história em si.
Para quem gostar de fantasia pode descobrir como se alia a fantasia ao Steampunk, para quem gosta de Steampunk pode-se casar com a fantasia épica sem problemas. Ficarei a aguardar o segundo e a ver se estas duas falhas são colmatadas.
One last thing: embora eu tenha entendido algumas frases numa língua criada pelo autor, acho que muitas pessoas que não falem alemão ou inglês, poucas entenderão o que está a ser dito. Espero que o autor coloque no fim do livro as traduções, porque ler frases e não entender é, para um leitor, frustrante.
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About Adeselna Davies

Occasionally works as an English and German teacher, also loves to read all kind of books and wish someone would pay her to read and write reviews forever. She is also a magazine designer and writes short-stories.

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