Salvem os golfinhos!

Esta semana iniciei no blogue uma votação, que se alastrou para o Facebook. Após ter lido algumas das críticas que andei a fazer (I regret nothing, by the way), comecei por questionar-me se não sou demasiado dura. Tudo bem, não sou uma pessoa que usa e abusa dos adjectivos nas críticas (nem gosto), contudo sempre que leio um livro tenho em atenção uma série de parâmetros. Não acredito que os autores beneficiem de críticas moles, povoadas de adjectivos ocos, onde muitas vezes nem os próprios sabem o que aquilo significa. Sempre pensei que estava a ajudar os autores com as críticas, aliás estava sempre a tentar ver o melhor e o pior, e julgava eu que se o livro não tinha nada de positivo (ou quase), não era eu que tinha de esgaravatar a crítica com elogios, quando este não os merecia.Sempre pensei que os elogios seriam para os livros que mereciam, aqueles que deixam marca, para quê gastar em algo que só serve para elevar o ego? Ou pior, para quê ter um blogue se este não se distingue do resto da blogosfera opinativo-literária?
No meio deste emotional breakdown literário decidi perguntar aos leitores se achavam que eu deveria amainar as críticas. Enquanto autora não entendo muito bem a questão do ego. De vez em quando lá releio o que escrevi há semanas e não consigo evitar o riso com algumas pérolas. Não sou nenhum Alberto Caeiro, não escrevo bem à primeira! Por isso gosto de críticas: sejam elas positivas ou negativas, aproveito tudo! Julgo ficar mais irritada comigo mesmo quando me dizem para reescrever certas partes, não por estar pobre, mas sim porque fico com a sensação das voltas trocadas. No entanto, isto acontece com manuscritos, work in progress, não devia de acontecer em livros com cunho de editoras profissionais onde apresentam estruturas narrativas com défices, autores que arruínam a pontuação (do tipo colocar vírgulas antes de um predicado de sujeito, ou inventar apostos, que não cumprem as funções de um aposto). Tudo bem, penso eu, há gralhas e gralhas, de vez em quando também me escapam coisas. Mas quantas pessoas leram o livro? Só três? Duas? Três pessoas e escapou-lhes erros de narrativa, estrutura da história? É aqui que costumo enervar-me durante as leituras e nas críticas no blogue. Então pensei que tomar três-cinco Xanaxs antes de cada crítica. 
Até que vocês apareceram e revelaram que não queriam: 18 pessoas pediram para o blogue se manter como está, 1 pessoa pediu para amainar o tom e 2 pessoas quiseram a abolição da morte dos golfinhos!
A verdade é que irei manter as críticas, embora de uma perspectiva mais estruturada, sem saber se as pessoas de facto lêem o que está escrito. Durante algum tempo questionei-me se o blogue ficaria mais propenso a mais visitas se o tom fosse mais moderado e as críticas menos extensas. Durante algum tempo questionei-me se deveria fechar o blogue e não me chatear mais com as críticas. Lia os livros, colocaria a cotação no Goodreads e estava a andar. 
Mas não! O vosso sofrimento (de ler as minhas críticas) e o meu (de ler certos livros) ainda não terminou. 
A verdade é que com as novas parcerias que se têm criado não esperem qualquer alteração. O processo é simples quando se forma a parceria: NÓS escolhemos os livros que nos suscitam curiosidade. Se houver um livro que ache merecedor de críticas, claro que o irei pedir e fazer a recensão.
Brevemente haverá passatempos normais, passatempos especiais, novos temas do trimestre (este foi uma miséria, I know), novos livros e a cooperação de uma pessoa muito especial para mim: A Amiga da Onça! Depois de ser devidamente apresentada no blogue, a Amiga da Onça irá fazer críticas ou quickies dos mais diversos livros, enquanto eu (je, moi) irá continuar pelas suas divagações literárias, sempre à procura de novos talentos (the REAL ones, not those fakes who can’t even ponctuate!)
E, claro, um grande obrigado aos cem visitantes por dia que lêem o que coloco aqui! Tudo o que faço é para vocês e é sempre bom sentir que o nosso trabalho é apreciado. Aos autores, cujas obras disse menos bem, não se deixem ir abaixo, todos temos que aprender e não é vergonha nenhuma admitir que temos de aprender a escrever, a estruturar história e planear. Os autores devem sentir vergonha quando pensam que são prima-donas, que sabem tudo. Humildade na escrita e humildade nas críticas (desconfiem sempre das palmadas nas costas).
Por isso, em último lugar: salvem os golfinhos 😦
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About Adeselna Davies

Occasionally works as an English and German teacher, also loves to read all kind of books and wish someone would pay her to read and write reviews forever. She is also a magazine designer and writes short-stories.

2 responses to “Salvem os golfinhos!

  1. Salvem os golfinhos e os dragões, se faz favor, que também são filhos de Zeus (ou não).

    Concordo que mantenhas o mesmo estilo de críticas. Alguém tem de marcar a diferença. Blogues que só dizem bem dos livros são demasiado suspeitos, e blogues que dizem mal sem fundamentos muito credíveis também são suspeitos.

  2. Isso mesmo Ana! Sem piedade ou misericórdia. Acaba-lhes com o sofrimento com uma rápida estocada. Saca da vibrolâmina e corta a fundo. Há demasiados horrores a serem publicados como se fossem productos de criancinhas sobredotadas. Não há pachorra. E não te esqueças que, mesmo entre os golfinhos queriduxos, também há alguns xungosos. E que mordem.

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