Quickies… perdi o número

Demência
Célia Loureiro
Editora: Alfarroba
Páginas: 400

Sinopse:

No seio de uma aldeia beirã, Olímpia Vieira começa a sofrer os sintomas de uma demência que ameaça levar-lhe a memória aos poucos. A única pessoa que lhe ocorre chamar para assisti-la é a sua nora viúva, Letícia. Mas Letícia, que se faz acompanhar das duas filhas, tem um passado de sobrevivência que a levou a cometer um crime do qual apenas a justiça a absolveu. Perante a censura dos aldeões, outrora seus vizinhos e amigos, e a confusão mental da sogra, Letícia tenta refazer-se de tudo o que perdeu e dos erros que foi obrigada a cometer por amor às filhas. O passado é evocado quando Sebastião, amigo de infância de Olímpia, surge para ampará-la e Gabriel, protagonista da vida paralela que Letícia gostaria de ter vivido, dá um passo à frente e assume o seu papel de padrinho e protector daquelas três figuras solitárias…

Não entendo o “hype” (e por hype refiro-me a pessoas darem 5 estrelas e dizerem que o livro é muito bom – Eu gostei do livro a nível pessoas, mas isto não é uma opinião, é uma crítica rápida) deste livro. Ponto. Em todas as outras opiniões as únicas falhas que apontaram foram relativas à incorrecção do português. Contudo, acho que isso é quase o minímo. O livro apresenta algumas incoerências factuais. A estrutura do livro é caótica e embora a autora tenha feito muito “show” este era seguido de um tell. Quando me refiro à estrutura caótica, refiro-me à estrutura mais tradicional. Não há um climax da história e normalmente o leitor está no presente e é enviado para o passado. Esta sucessão de acontecimentos misturada torna-os previsíveis e estraga o efeito surpresa, pelo menos para um leitor mais experiente. Um ponto positivo reside na história. É preciso coragem para escrever sobre temas delicados, mas a estrutura não dá a mão ao leitor. As personagens são do nosso quotidiano, bem que podiam ser qualquer uma da nossa família. A autora utilizou (de forma inconsciente) uma técnica fácil para simpatizar de imediato com a personagem principal. Coloca-se a personagem no fundo da “cadeia alimentar”, a personagem tem de estar em dificuldades económicas, sem casa, com filhas, sem emprego e viver de favores. Pessoalmente detesto essa técnica, pelo menos logo do início da narrativa. Porquê? Porque não apresenta nenhum desafio para o leitor. É tão fácil simpatizar com alguém que está em baixo, e odiar aquelas pessoas más que têm prejudice em relação à personagem principal que podemos esquecer outras coisas. O que nos leva aos temas. Os temas são um ponto positivo: Alzheimer, violência doméstica, prejudice, o meio rural fechado e atribulado. A autora tinha mais que espaço de manobra para fazer algo que toca nas pessoas. No geral penso que o livro precisava do toque de um editor. Não de beta readers, mas de editores profissionais de forma a analisar tudo e rever e, muitas vezes fazer o que pessoas não têm coragem, contrariar o autor. Ainda assim, se a Célia estudar escrita pode vir a ter um bom livro de futuro, porque as ideias estão lá, falta apenas consolidá-las.

Adrift on the Sea of Rains
Ian Sales
Formato: Kindle Edition
Páginas: 125 (com glossário)
Editora: Whippleshield Books (26 April 2012)

Sinopse:

A nuclear war has killed everyone on Earth, leaving stranded on the Moon nine astronauts at Falcon Base. With them they have a “torsion field generator”, a mysterious device which they hope will find them an alternate Earth which has not succumbed to nuclear armageddon. But once they’ve found such an Earth, how will they make the trip home? They have one Lunar Module, and that can only carry four astronauts to lunar orbit…

Peguem no sentimento que vos é mais querido: a esperança. Pronto, peguem nisso atirem ao chão, atirem sobre ela várias vezes, pisem-na, esbofeteiam até à exaustão e têm um novo sentimento. O sentimento com que o leitor sai deste pequeno livro de FC. O conceito não é novo, mas a prosa brilhante de Sales faz com que valha a pena.

Goodbye, he tells Falcon Base. Be well, be patient.
It’s been an honour, sir, says Scott. And he sounds
like he really means it.

O meu coração teve um mini-AVC. 
De salientar ainda que a prosa de Sales é das poucas que dão para sentir a solidão e o desespero das personagens.
Embora o texto esteja pejado de siglas, tem no final um glossário, que complementa a leitura,
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