O teu relâmpago na minha paz

O teu relâmpago na minha paz
Luís Miguel Raposo
Editora: Alfarroba
Páginas: 226

O romance não planeado que o arrebatará na turbulência das letras.

A sinopse é bastante curta para quem vai pegar no livro, mas para quem o acaba de ler, é de alguma forma um bom resumo. 
O ponto forte da prosa de Raposo é a maneira como este combina a prosa com a poesia, o ponto mais fraco é a pontuação e a história em si que é (quase) nula. Este romance tem um tom assumidamente português. Se a história fosse mais forte, teria sido publicado ao lado de valter hugo mãe e José Luís Peixoto. Contudo vamos por partes. 
 A linguagem utilizada está bem aplicada, existem partes onde bebemos as palavras escolhidas por Raposo. Todavia a pontuação é o calcanhar de Aquiles do livro. Existem trechos de poesia onde não é apresentada uma única vírgula, impossibilitando a leitura, e, por outro lado, temos uma prosa quebrada, repleta de pontos finais, que torna a leitura pausada, lenta e aborrecida. De modo a poder inovar é preciso, primeiro, conhecer bem a pontuação e como maleá-la. A ausência de maiúsculas não é difícil de assimilar para quem está habituado, para outros pode-se tornar exigente. 
A história não consta nos pontos fortes. joão pedro é um homem com uma vida normal, com uma relação amorosa “estável”, quando encontra carla, que lhe mete a vida de pernas para o ar… e pronto é isso a história! O excesso do nome de carla, o excesso do eu relacionado com a carla, o que torna um livro de 226 páginas demoroso de ler. 
O que torna este livro único é o cunho pessoal do autor. Quando o lemos, sentimos que estamos a ler algo de diferente. Um livro não é só um amontoado de palavras, mas sim uma história que pode estar bem ou mal contada. Aqui o POV do autor homodiegético prejudica a aproximação do leitor às personagens. Torna-se impossível sentir algo pelas personagens quando tudo nos é contado por joão pedro. As acções de carla, rita e vera são-nos contadas da sua prespectiva, o que condiciona sempre a veracidade dos acontecimentos. Talvez carla seja uma mulher forte e apaixonada, mas pelas palavras do narrador depreende-se apenas o que ele nos decide contar. Quando o autor está de bem com carla, esta tem um efeito positivo nele, quando carla não está nos seus dias, é-nos apresentada como alguém má, uma espécie de anti-heroína. Este factor é redutor para um leitor mais atento e exigente. 
 Em suma, “o teu relâmpago na minha paz” traz um título bonito, um design cativante que beneficiaria de um editor atento e experiente, de forma a contraria o autor em algumas partes. O livro prova que alguns autores portugueses sabem brincar com a linguagem e pontuação. Faltou um danoninho para ser algo espectacular.
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