Contos para mulheres crescidas

Erotic Bedtime Stories for women
Nancy Madore
Editora: Spice
Páginas: 256
Num livrinho que reúne treze contos pecaminosos com sadomasoquismo, voyeurismo e outras pancas jeitosas, “Enchanted: erotic bedtime stories for women” pega nos mais conhecidos contos de fadas tradicionais (não os alterados pela Disney) e dá uma reviravolta feminista para todos os gostos. Quantas vezes não acabamos de ouvir um conto de fadas terminar com o “e viveram felizes para sempre?” Onde a fantasia acaba e a realidade começa Nancy Madore explora vários fins alternativos de alguns contos de fadas, de realçar pelo menos três: Cinderela, Barba-azul e A guardadora de gansos. 
 O conto da Cinderela, em especial, começa por explorar uma vertente deixada ao acaso em todas as versões tradicionais: a Cinderela vai ao baile, encontra-se com o príncipe, ele lá fica enamorado e quando perde o sapato tenta encontrar a dona e quando encontra por fim a Cinderela, casam-se. Problema nº 1: não há amor na relação. Madore foi perspicaz em notar a velocidade estonteante de acontecimentos no conto tradicional. Essa será o primeiro problema que tanta colmatar na sua versão: fazer com que haja amor e uma ligação mais pessoal entre os dois. O sapato de cristal adquire o símbolo equivalente ao casamento e por conseguinte a uma prisão: “Well yes, but they are so confining!” replied Cinderella.”. Pode-se, de igual forma, acrescentar que o sapato tem uma conotação sexual e que o pé simbolizava (no conto tradicional) a vagina da mulher o sapato seria o objecto sexual do homem. (Penguin Dictionary of Sybmols, 889) O twist engraçado e erótico da mesma forma no conto passa mesmo pela mudança de mentalidades das personagens. Se, a Cinderela no tradicional fica à espera que o homem que lhe chegue a casa, Madore atribuiu à personagem feminina mais autonomia para tomar as rédeas da relação. A moral da história (se pudemos chamar assim) concentra-se mais no amor do que no acto sexual. Esta versão tem mais chances de acabar com um final feliz do que a tradicional, ambas as personagens tiveram peso semelhante. O difícil segundo Madore nos conta não é ter sexo, mas sim conseguir fazer amor “How could he have so arrogantly disregarded the secrets to bringing her body pleasure?” 
O segundo conto “Barba-azul” começa tal e qual copy & paste do tradicional até que chega a parte onde a esposa abre o quarto proibido. Madore opta por criar um quarto com objectos sadomasoquistas, contudo mantém o sangue na chave. A chave é o símbolo do poder dado à mulher, tendo este poder que ser reprimido. Nesta versão a chave é mais um de ritual iniciação a uma fase sexual da sua vida. O sangue na chave é um indicador claro da prova que o casamento fora consumado. But Bluebeard drew his lips away from hers, chiding her softly, “A loving wife does not take what is not given freely from her husband.” Barba-azul torna um castigo horrível (30 chicotadas) em algo positivo (o facto de amar a mulher, não a suportar ver infeliz). Apesar das mesmas características sádicas estarem presentes, o homem não é visto como um homicida, mas como um perverso capaz de amar. A mulher altera a sua posição de pecadora e incumpridora, para uma simples mulher humana que erra e que é perdoada.
“A guardadora de gansos” tem menos pormenores do conto original e mais alterações. Muito sucintamente é uma abordagem claramente romântica com um menage pseudo-lésbico lá pelo meio, que não se sabe lá muito bem o que lá está a fazer, mas no título tem “erotic” por isso enfia-se sexo a eito. 
O tom assumido durante a obra é leve e distancia-se do tradicional e do feminismo pesado do século XX. Não é um livro aconselhável a ninfomaníacas, nem a meninas pudicas. Qualquer estimulo sexual provocado pelo dito cujo não é da nossa responsabilidade, com o acréscimo de poder ler as histórias com o mais-que-tudo e ser mais barato que o viagra.
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About Adeselna Davies

Occasionally works as an English and German teacher, also loves to read all kind of books and wish someone would pay her to read and write reviews forever. She is also a magazine designer and writes short-stories.

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