A bíblia sucinta (se é que isso existe)

The Steampunk Bible:
An Illustrated Guide to the World of Imaginary Airships, Corsets and Goggles, Mad Scientists, and Strange Literature (Capa dura, com muitas imagens)
S. J. Chambers & Jeff VanderMeer
Editora: Abrams
Páginas: 224

Agora que tudo o que seja punk está “in”, pressupõe-se uma certa lógica em parar para reflectir o que é que o punk faz no vapor/ electricidade/ solar. Com essa promessa interna de querer saber mais e por fontes mais seguras o que é “steampunk” e de onde vem o “punk”, comecei a ler “The steampunk bible”, que inicio já por dizer que peca por um motivo. A Bíblia tem 2000 páginas, este livro só tem 224 e metade são imagens (deslumbrantes), mas ainda assim imagens.

O que me levou indirectamente à primeira pergunta: será o movimento de steampunk apenas estético? Quando lemos um livro, a componente visual/ descritiva ultrapassa a componente da narrativa? O livro está bem estruturado: desde as origens do steam mais do que o punk de Jules Verne, passando ainda pelas várias obras que povoam o nosso século (e ainda uma entrevista a Scott Westerfeld porreira), não deixando de parte a moda (um capítulo fascinante sobre moda) e os acessórios adjacentes e ainda pela componente artística visual dos filmes e da arte.

Uma rápida leitura de vários romances característicos do steampunk não convence o leitor mais inexperiente, da definição deste subgénero. Mais uma duvida que se levanta: o punk necessita de definição específica ou o facto de este ser tão livre aumenta o sue encanto e a sua riqueza?
O facto de podermos utilizar a designação de steampunk com zombies, vampiros, senhoras com sombrinhas e não perder o vapor na narrativa? Será que o steampunk paranormal poderá tornar-se mais popular do que a fantasia “steampunkiana”? Em que medida o popular funciona a favor deste género? No final, VanderMeer tem a coragem de questionar sobre o futuro do steampunk que poderá passar a “greenpunk” (tipo hippies mal cheiroso ou não). Contudo foi com um bocado de preocupação que ao ler o último capítulo do livro apercebi-me do atraso no país, que mal tem steampunk em Portugal e os anglo-americanos já estavam a evoluir para algo mais. Se calhar conseguimos apanhar o resto do mundo com as várias ramificações do punk: do steam, para o electro, para o solar e depois para o cyber.

Esta bíblia pouco ortodoxa é um bom guia para o leito mais inexperiente descobrir os alicerces desta sub-cultura, todavia para um leitor mais experiente, ficamos com estas perguntas na cabeça. Queremos saber mais e talvez estas perguntas não apresentam respostas concretas para uma cultura tão recente. Considero a falha mais grave da bíblia (que devia de pecar por ser chata e poder ser uma arma de arremesso extremamente eficaz contra ladrões ou alunos) seja a falta de explicação para com a origem da palavra “punk”. Durante as minhas divagações pensei inicialmente que o punk viria da moda. Ainda que a moda steampunkiana seja descendente do movimento gótico, seria uma hipótese a colocar. Still é um livro que vale a pena, fica bonito na estante, tem capa dura, aguenta porrada e tem muitas imagens a cores e é uma delícia esteticamente. Pode é não satisfazer aqueles que já possuem maior bagagem literária a nível tanto de sub-género, como literário.

Ou seja perguntas a responder:

– de onde vem o punk de todas os prefixos?
– será que poderá haver sexpunk?
– deverá haver uma definição rigorosa do sub-género ou é a liberdade e a elasticidade do mesmo que o torna tão atraente?

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