Um livro é uma caixa de chocolates imaginária

A mulher que amou o faraó

Maria Helena Trindade Lopes
Editora: Esfera dos Livros
PvP: 19€
Primeiro de tudo deixem-me elogiar os autores portugueses (lindos e maravilhosos) que fazem pesquisas históricas de salivar (isso incluí o David Soares – posso achar o Evangelho um desperdício de folhas, mas aquela bibliografia é no mínimo orgásmica). Os “tugas” são autores que espetam o nariz numa carrada de livros e fazem pesquisa para tentarem dar o mínimo de calinadas possíveis nos seus livros. Por isso, vos saúdo! Agora vem a parte da joelhada! A nível de escrever romance históricos – meu Deus! Que desastre. Então aqueles que têm enredos amorosos… não sei o que é pior! O Soares e o seu dicioná… perdão os seus livros ou entradas da Wikipedia amorosas. Uma pessoa pega nestes livros a pensar que vai ler um Anthony & Cleopatra de chorar as pedras da calçada, uma Katherine da Seyton e sai-nos um artigo de Wikipedia disfarçado de romance? Oh meus amigos. Não havia necessidade. Então a 19€ não há é carteira. Comecemos então pelo lado positivo:
– a pesquisa e a história em si. Para quem sabe a apenas o nome dos deuses, aprende-se imenso com este livro (mais do que a Wikipedia, true story). A pesquisa é um dos pontos fortes e nota-se que a autora domina e brinca com a História. Para quem é amante do Egipto, deve ser um livro maravilhoso. Para quem gosta de um bom romance histórico, nem por isso.
O vocabulário usado, por vezes, torna-se chato. Os interlocutores abusam dos nomes carinhosos “flor da minha manhã”, “romã da minha vida” e a estrutura da narrativa é anti-clímax. A autora optou por alternar os capítulos entre passado e presente, contudo o presente dizia sempre algo referente ao passado. Por exemplo Ísis dizia “ai como eu amei Ahmès.” capítulo seguinte mostra uma Ísis jovem a mostrar algum afecto para com Ahmès. Ora bem sou apologista do “Show, don’t tell!” Se a personagem ama, não diga que ama – mas que construa esse afecto ao longo das páginas. Um grande amor precisa de ou muita mestria na narrativa e poucas páginas ou muitas páginas para o amor ser consolidado. Em “A mulher que amou o Faraó” acontece tudo muito apressadamente, sem espaço para o leitor respirar. Chega-se a um ponto de saturação em que, como a narrativa tem sempre o mesmo ritmo, o leitor queira saltar partes aborrecidas que não interessam nem ao menino Jesus, para chegar à parte com mais ritmo. Aprendam, meus amores. Nunca escrevam um livro onde as partes secantes ficam mesmo a seguir a partes entusiasmantes. Ninguém gosta de ver uma caixa de chocolates aberta e de não poder comer.
Ou seja, “A mulher que amou o Faraó” podia ser um livro com uma grande história de um amor arrebatador, mas em vez disso a autora concentra-se mais no rigor histórico do que na narrativa. De facto, podemos saber muito sobre o assunto, mas se não soubermos enfeitiçar o leitor com as personagens e com a história, não há História que sobreviva…
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About Adeselna Davies

Occasionally works as an English and German teacher, also loves to read all kind of books and wish someone would pay her to read and write reviews forever. She is also a magazine designer and writes short-stories.

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