Mulheres prisioneiras nas suas próprias torres

Goose Chase
Patricia Kindl
Houghton Mifflin Harcourt Publishing Company
224 páginas

O seu nome é Alexandria Aurora Fortunato e ela é linda como o raiar do sol, infelizmente para ela isso constitui um problema. Possui também três poderes mágicos dados por uma velhinha misteriosa. Para piorar só mesmo o facto de estar a ser disputada por dois homens: o rei Cláudio, o cruel e o príncipe Edmundo de Dorloo… mas isso já são demasiados problemas!

O livro ainda não foi editado em Portugal e saiu recentemente em 2010 sob a chancela desta editora, desconhecida, quando em 2002 a Penguin tinha uma versão do livro, com uma capa superior.
Editoras á parte, Goose Chase começa com alguns clichés e um tom definitivamente cómico. Rapidamente descobrimos que Alexandria não é uma princesa abandonada com falta de sorte na vida. Na verdade ela nem sequer pediu para ser linda. Pragmática e sempre muito honesta Alexandria não tem papas na língua e quer sair o mais depressa possível da torre, à qual está confinada por ordem do rei. Desde que a mãe morreu e a velhinha lhe deu os dons que Alexandria não teve descanso. É óbvio que ela não ama o rei e muito menos o príncipe, mas nem se atreve a dizer uma palavra contra o rei, pois sabe muito bem que o seu cognome não fora escolhido à toa.

As personagens estão engraçadas e até meio do livro o leitor deverá seguir as páginas seguintes com bastante rapidez, pois “Goose Chase” não é um livro grande e está bem longe de algumas edições com o mesmo preço. Tamanho de letra cómodo, espaçamento generoso, tudo ingredientes para a história escorrer melhor. É um livro sobretudo de leitura rápida com uma ou outra moral para ser apreendida, mas sem ser nenhuma obra maravilhosa. A partir do momento em que o Príncipe deixar de usar o papel cliché de burro, a história fica demasiado séria e tudo perde o brilho inicial. Entramos num entrecruzar de possíveis explicações para a narrativa, que nada a acrescentam de novo. Aconselhável para quem gosta de contos de fadas, novas perspectivas são sempre interessantes, mesmo não sendo o epíteto da literatura e especialmente quando “The goose girl” é o meu conto de fada favorito.

The forgotten beasts of eld
Patricia McKillip
Harcourt Brace and Company
343 páginas

The forgotten beasts of eld foi talvez a solução para os meus problemas. Se no início do ano queria mesmo ler o livro mais recente de McKillip por motivos económicos os hradbacks têm de ser postos de lado, assim encontrei neste pequeno livro uma pequena esperança para definir se Patricia McKillip seria uma autora a ter em atenção.

A premissa do livro é maravilhosa. Sybel, uma jovem de 16 anos vive com as criaturas esquecidas no castelo construído pelos seus antepassados. Com o poder do chamamento Sybel encontra nas criaturas uma forma de viver longe da civilização. Mas é num dia quando um homem traz um bebé, o bastardo de Edlwold, Sybel é forçada a tomar conta de Tam e criá-lo como se fosse seu. Com um coração de gelo a jovem aprende a amar Tam, mas mantêm-se sempre longe do mundo exterior, até que a sua paz é quebrada e Sybel terá de mover muitos homens para ter a sua vingança.

A primeira parte do livro é maravilhosa. Bem premeditada, com ritmo, as palavras usadas são bonitas e tocam-no no coração. Tal como em “Goose Chase” a partir de metade o livro perde muita força e mal consegue recuperá-la. Seriam necessárias mais duas centenas de páginas para o livro ser perfeito, porque de facto os ingredientes estão todos lá. Sybel é uma heroína que mete raiva, pois McKillip teve todo o cuidado de não a tornar demasiado humana, nem demasiado teimosa. Sybel é fiel aos seus princípios e aprende aos poucos o que é o amor: através de Tam e Coren. O facto de haver uma heroína sólida motiva o leitor a continuar, mesmo que a história perca a sua força e a cronologia seja um desastre.

Ao contrário de “Goose Chase”, este livro não deverá ser encarado com ligeireza. Existem mensagens poderosas que podem parecer despercebidas ao leitor mais desatento, mas temas como: a importância do amor, self-sacrifice e sobretudo a liberdade de uma mulher servem de suporte para aconselhar “The Forgotten beasts of eld”, tendo em mente que este poderá não ser o melhor livro da escritora.

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One thought on “Mulheres prisioneiras nas suas próprias torres

  1. Ana C. Nunes says:

    Já li o primeiro e gostei. Neste caso até gostei mais a partir do momento em que o príncipe deixou de se 'armar' em burro, mas são gostos. 🙂

    Já o segundo livro, não conheço, mas parece bem interessante.

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