Marion Zimmer Bradley meets Juliet Marillier and Geroge R. R. Martin

Twilight of Avalon
Anna Elliott
Editora: Simon & Schuster
Páginas: 448

Twilight of Avalon leva a crer que tudo vai correr bem. A capa é bonita, o título recorda “The Mists of Avalon” e ao início tudo é um mar de rosas… até que recebo o livro em casa. Twilight of Avalon não tem edição Hardback, somente a edição Paperback que custa normalmente 9€. A qualidade da capa é muito fraca, andei com o livro dois dias na pasta com fotocopias e em vez de as fotocopias ficarem danificadas foi o livro que estava todo dobrado.

Ora bem esta edição equivale à da Juliet Marillier de “Wildwood dancing” que só custa 6€ – capa frágil etc. Ou seja comecei logo ao início por pensar que se vamos ter uma edição rasca o preço também tem de acompanhar. MAS lembrando-me da Marillier lá peguei no livro e decidi ler rápido para a capa não se desfazer toda, o que não foi difícil.

O problema destes livros que recontam histórias/ mitos é sempre o factor novidade que está estragado ou então pode haver casos que não conheçam o mito e esta será uma forma de aprender mais sobre o mesmo. A história desvia-se bastante da lenda, mas o leitor tem o privilégio de ter uma palavra inicial da autora a explicar quais foram as suas fontes para escrever o romance. Em ambos os casos “Twilight of Avalon” é uma desilusão. Demasiada política, lapsos temporais demasiado grandes – passam-se sete anos da vida e da história, que não são explorados. As personagens que deviam de ser principais e fulcrais para o desenvolvimento da narrativa são ocas e tudo gira em torno da personagem feminina Isolde. Fora disso as personagens têm de ser estereotipadas: o homem mau que quer ser rei, os homens gananciosos que querem poder e não têm honra ou o extremo o homem bonzinho que é escravo e luta e é muito honrado. No fundo Isolde é a mulher valente, mas assustada, a mulher corajosa, mas frágil que une a história toda. Sem ela seria simplesmente a história de homens que não sabem fazer nada senão andar à porrada por uma coroa.

É estranho ainda ninguém ter notado os paralelismos com Juliet Marillier. “Twilight of Avalon” parece ter sido recortado do livro “O filho das sombras” de Marillier. Isolde (curandeira) tenta fugir do seu casamento forçado e acaba por ser raptada para curar uma pessoa que está mal. Quando cura, Isolde costuma contar histórias de lendas antigas. Deja-vouz de Marillier. Claro que sendo uma bretã e Trystan meio Saxão isso vai fazer com que a união das personagens seja difícil. No entanto não há relação de amor, não há sequer atracção física, as personagens não se movem e o leitor quer ver Isolde junta com Trystan só porque ele é único homem que não quer matar ninguém para ter uma coroa.

As personagens são recortadas quase como em “Wildwood dancing” the Marillier. O homem mau – primo que quer mandar nas mulheres e na casa, o bom – um homem que consegue ser amigo e respeitador. Crias-se assim um triângulo amoroso em Marillier, mas que em Elliott não faz sentido, porque nem sabemos se aquilo é um triângulo ou uma coisa qualquer. Quem fica a ganhar é Marillier, pois apesar de este ser o padrão geral adoptado das personagens masculinas principais, há história e diálogos bonitos. Em “Twilight of Avalon” não há palavras bonitas, simplesmente uma história que se arrasta.

Dark Moon of Avalon já saiu e espera-se um volume “dark” se calhar ainda mais sangrento que este, mesmo assim não é um livro para quem gosta de uma boa história com lendas arturianas. Basicamente Elliott vai gastar três livros a falar de um assunto que podia ter dito num.

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