Revista Conto Fantástico

Revista Conto Fantástico

Organização: Roberto Mendes

A revista “Conto Fantástico” é o segundo projecto de Roberto Mendes a ganhar vida no mercado editorial, depois da revista de fantasia “Dagon”.
A revista poderá ser adquirida em qualquer FNAC (se não houver disponível podem sempre encomendar) e já conta com dois números. O objectivo da revista é dar a conhecer somente novos autores portugueses, no âmbito da fc, quando sabemos que a FC portuguesa anda pelas ruas da amargura. Não sou nenhuma especialista em ficção científica, pelo que não haverá nenhuma crítica aprofundada.
Considero que os contos que mais me encheram as medidas foram sem dúvida “Space Oddity” de Regina Catarino e “Aleninan” de Marcelina Gama. “Space Oddity” é um conto pequeno, que provavelmente alguns poderão considerar pequeno de mais, mas não é na quantidade de palavras que se mede a qualidade. O narrador autodiegético ajuda a criar uma ligação com o leitor, ao contrário de todos os outros contos que decidem seguir uma prosa com um narrador heterodiegético, criando uma espécie de barreira. Space Oddity é o nome de um single e um album do cantor David Bowie. As marcas de intertextualidade são subtis, Regina Catarino parte da premissa de Bowie:
Though I’m past one hundred thousand miles
I’m feeling very still
And I think my spaceship knows which way to go
Tell me wife I love her very much

Mas no fim consegue dar um outro significado à ideia original de Bowie. Não sabemos o que leva o astronauta a viajar pelo espaço na canção, mas no conto “Space Oddity” dá uma ideia de suicídio: “A nave é velha, reparada à ultima da hora”, a personagem sabe que a nave tem problemas, contudo arrisca e viaja até ao espaço. É sobretudo uma viagem que tanto pode correr bem como mal. Um conto muito bom, cujo fim deixa um sabor especial na boca.
“Aleninan” o último conto da revista, escrito por Marcelina Gama pode ser lido quase em paralelo com o conto de Pedro Pedroso “Cometas Extintos”. Embora pense que Aleninan seja mais de um alinha “The host” de S. Meyer (com um domínio de língua completamente diferente). Ambos os contos conseguem no fim criar suspense através da tortura . O fim é deixado em aberto de propósito, segundo a autora “pode ser para continuar” e assim sendo poderá dar origem a algo maior e aprofundado. As bases e o suspense estão lançados, resta só ao leitor guardar este pedacinho para talvez mais tarde.
Thalormis Zeta marca uma evolução positiva na escrita de Carla Ribeiro. Longe do “purple prose” e das frases intermináveis, Carla Ribeiro consegue pela primeira vez provar que consegue fazer algo diferente. A escrita simples e directa, as personagens que não são catalogadas directamente como nem boas, nem más, faz com que o leitor leia o conto sem ter noção que está a ler algo cliché. Penso que Carla Ribeiro devia de se dedicar mais a FC e deixar a escrita pseudo-gótica para trás. Assim dá gosto ler algo!
Por ultimo falta-nos “Cometas Extintos” de Pedro Pedroso, uma distopia, que de alguma maneira fez-me lembrar os videojogos, mas que através do narrador heterodiegetico não consegue criar drama suficiente para sentirmos empatia. Pedro Pedroso contribuiu igualmente para o número 3 e 4 da revista “Conto Fantástico”.
Falta infelizmente o conto de João Rogaciano, que me foi impossível de ler, devido à minha ignorância perante a série “Star Trek”, mesmo assim gostaria de ler o conto que publicou na Antologia da Edita-me, antologia na qual eu, Marcelina Gama e Carla Ribeiro participamos.
Resta-me recomendar a crónica de Álvaro Holstein, uma retrospectiva da FC na época da Nebulosa e das máquinas de escrever, onde publicar era difícil ou quase impossível. Desde esse tempo até agora, tempo dos computadores, portáteis e da Internet, nada ou quase nada mudou. Indirectamente Álvaro Holstein demonstra a importância de apostar em novas vozes da FC através destes pequenos projectos, que no fundo são sempre melhor que nada.
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About Adeselna Davies

Occasionally works as an English and German teacher, also loves to read all kind of books and wish someone would pay her to read and write reviews forever. She is also a magazine designer and writes short-stories.

2 responses to “Revista Conto Fantástico

  1. Cara Adeselna,

    Penso que o facto de não conhecer a saga “Star Trek” não invalidará a leitura do meu conto.
    É por esse motivo que no conto incluí algumas notas de rodapé (que alguns tomam por desnecessárias), para orientar minimamente quem desconheça a série da TV ou os livros da mesma.
    Caso pretenda, existem também alguns sites sobre a saga, como por exemplo, http://www.startrek.com/
    que podem dar um pouco de luz sobre a mesma e ambiente respectivo.

    Caso pretenda ler outros contos da minha autoria, pode consultar o link seguinte (remete para o meu blog):
    http://entrelivroserascunhos.blogspot.com/2010/09/alguns-links-para-contos-meus-online.html

    Nesse link poderá, também, ser direccionada para o conto que publiquei na Antologia da edita-me. É o mesmo que foi publicado no site brasileiro “contos grotescos”.

    Espere que goste.

    Um abraço,

    João Rogaciano

  2. Obrigado pela crítica. Fico feliz por o projecto lhe ter agradado:)

    Roberto Mendes

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