Uma espécie de prólogo

Uma espécie de prólogo
“Orbias: O demónio branco”
Fábio Ventura
As editoras já começaram a anunciar as novidades para a rentreé literária, a Casa das Letras já anunciou dois livros novos na área da fantasia: para dar segmento aos vampiros Na Sombra do Pecado de J. R. Ward e do autor português Fábio Ventura – Orbias: O demónio branco. O autor para não desiludir os fãs e para não cair no esquecimento lançou uma série de contos com as personagens principais no mundo Orbias. A menos de um mês do lançamento do segundo volume, Fábio Ventura lança o ultimo conto desta vez focando-se em Noemi.
Penso que o conto encerra em si o melhor e o pior da escrita do autor, se por um lado tem cenas boas surrealistas, existem alguns erros a ter em atenção e a combater. O desequilíbrio entre o coloquialismo e o poético continua a ser demasiado evidenciada “Tendo uma pele tão branca, seria de se esperar que, mesmo com protector solar de grau 50, o terrível Sol de Julho me fustigasse com os seus chicotes de fogo, como um diabo.”. Surpreendente a relação que o autor estabelece com o livro “Twilight” sem se dar conta. Apesar de as situações serem diferentes, tanto Bella como Noemi ficam deprimidas porque o namorado morre. (apesar do Edward já estar morto) Existe uma certa tendência para um exagero emocional por parte das duas personagens, mesmo com Noemi a não gostar das reacções da Bella. “A história era interessante. Mas a relação dos protagonistas estava a enervar-me bastante. Parecia tudo tão complicado, tão dramático e elaborado! Se as duas personagens soubessem o quão imaturas eram em não assumir de uma vez a relação, sem dramas ou tamanha lamechice.”
O uso de uma narradora autodiegética apesar de falível, serve para ajudar o leitor a identificar-se ou aproximar-se da personagem, porém não devemos cair no exagero de descrever tudo o que a personagem tem ou sente minha vida. “Vesti rapidamente uma T-Shirt branca, umas calças pretas e calcei as All Stars.”, “Escolhi o Break The Cycle dos Staind e deixo-me invadir pela sonoridade melancólica daquelas canções.” ou “Estava de chapéu e com uns óculos de Sol que me cobriam quase toda a cara.” Pessoalmente penso que é preciso ter cuidado para não cair em tentação de transformar uma descrição numa passarela. As roupas devem servir dois propósitos: se possuem simbolismos ou se são relevantes para a economia da história. O autor corre o risco de dirigir informações demasiado quotidianas balançando entre o juvenil e o jovem. Por fim devo mencionar alguns clichés neutros: estações de serviço que fazem parte do imaginário “à la americana”, o carro que explode do nada e o facto de no fim tudo não passar de um sonho.
O fim lembrou-me um pouco as composições que ás vezes fazemos que quando não sabemos como explicar as coisas, seguimos pelo caminho mais fácil. Mesmo assim as cenas surrealistas estão muito bem conseguidas e acho que o autor deverá olhar para as partes boas e apostar numa vertente que nota-se que domina.
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About Adeselna Davies

Occasionally works as an English and German teacher, also loves to read all kind of books and wish someone would pay her to read and write reviews forever. She is also a magazine designer and writes short-stories.

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