Sangue-do-coração

Sangue-do-coração (Heart’s Blood)
Juliet Marillier
Tradutor: Maria Teixeira Pinto
Género: Fantasia/ Contos de fadas
Páginas 400
Editora: Bertrand Editores

Há sempre algo de mágico no mundo de Marillier, algo que não sabemos o que é, um segredo guardado a sete chaves, que só a autora possuiu, para nos presentear de vez em quando com livros tão bonitos que mexem connosco. Sangue-do-coração é um livro que para fãs de Marillier não será provavelmente nada de novo, quem lê a sinopse sabe muito bem como irá acabar a história, tal e qual como um conto de fadas. Sabemos a história de cor, mas isso não evita que relemos a mesma velha história, Coração-do-sangue faz parte desse grupo restricto de histórias que apesar de sabermos como acaba queremos ler mais, queremos saber como a história desenvolve, o importante não é o fim, mas sim o que se passa entretanto. Existe em alguns livros de Marillier, e Sangue-do-coração é um deles, um paralelismo estranho com Hemingway. Ambos conseguem atirar o leitor para situações de desespero, quando pensamos que tudo irá acabar mal, Marillier consegue resuscitar o leitor através da esperança, contudo Hemingway simplesmente deixa o leitor estatelado no chão esmagado e aniquilado através da realidade. O mundo de Marillier está repleto de esperança, de luta e de força interior, as relações pessoais são desenvolvidas ao extremo até o leitor se deixar entrelaçar na sua teia de palavras e jogos mentais. Marillier escusa de desenvolver as personagens, o leitor sem se dar conta é levado pelas inseguranças e pelos pensamentos, pelo que não é dito, mas pensado, pelo que as personagens nem sequer pensam, mas o leitor adivinha o futuro, o leitor sabe o que as personagens vão fazer, mesmo antes de elas o saberem. Se um livro de Juliet Marillier tivesse o mesmo fim que um livro de Hemingway, o comum dos leitores não iria gostar de ler os seus livros. A realidade é dura, mas a fantasia faz-nos sonhar. Caitrin é uma mulher escriba, uma mulher intelectual, que sofre de o que hoje em dia chamaríamos de “violência doméstica” e que consegue fugir e encontrar refúgio nos braços de um Chefe Tribal aleijado e amaldiçoado. Enquanto encontramos paralelismos com o conto “Bela e o Monstro”, encontramos também alguns com a obra “Jane Eyre”. Anluan é um homem aleijado que precisa de apoio dos seus amigos, mas também de uma mulher que o entenda e lhe dê forças, elevando-o à figura de Rochester, um homem que fica cego e dependente da mulher. Ao contrário da vida que levava em sua casa, Caitrin consegue ser útil e aprende a completar o lado vazio de Anluan. Juliet Marillier consegue estabelecer um nível intermédio nas relações entre homens e mulheres, sem esquecer o lugar da mulher na sociedade, mas também sem exagerar nas críticas aos homens (que Marion Zimmer Bradley cultivava). Coração-do-sangue é um livro para ler depressa, incansavelmente, sempre com o coração nas mãos, à espera de um desfecho típico dos contos de fadas.
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About Adeselna Davies

Occasionally works as an English and German teacher, also loves to read all kind of books and wish someone would pay her to read and write reviews forever. She is also a magazine designer and writes short-stories.

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