Rapariga com brinco de pérola

Rapariga com brinco de pérola
Tracy Chevalier
Tradução: Ana Falcão Bastos
Editora: Biblioteca Sábado
Páginas: 199

“Rapariga com o brinco de pérola” é um romance histórico aclamado pela crítica, vencedor de um ALA Alex Award, que tem como base um quadro do artista holandes Jan Vermeer com o mesmo nome. Não deverá ser difícil acompanhar o quotidiano que Griet descreve como criada na casa do pintor. A história só se desenrola devido à profundidade das três personagens principais: Griet, Catarina e Jan Vermeer. Griet é muito mais do que uma criada, possuidora de uma sensibilidade às cores e aos tons não tarda até se tornar uma ajuda eficaz ao pintor Jan Vermeer. A teia construída à volta de Griet e Catarina constitui a única falha neste livro. Griet parece-nos talvez perfeita, enquanto Catarina é vista como uma mulher má, contudo se termos em conta que se trata de uma situação narrativa autodiegética, este perfeccionismo será justificado. Aos olhos de Griet ela era perfeita para o seu amo e num ataque pessoal de ciúmes não conseguia ver Catarina como nada mais que uma mulher má cheia de filhos, contribuindo para o aumento das despesas da casa. Catarina é pintada através dos olhos de Griet, tornando-a vulnerável e talvez a personagem mais apetecível. A maneira como Chevalier transforma uma simples pintura num testemunho de uma jovem repleto de símbolos da virgindade, torna o livro apetecível. Desde os brincos de pérola mencionado no título, símbolo de pureza, ao acto de ter de furar as orelhas, podendo ser uma alusão à perda da virgindade até à touca que lhe tapa o cabelo, representando claramente o cabelo como símbolo erótico e altamente sexual. A bata de Pieter salpicada de sangue implica a futura perda de virgindade de Griet. O que salta à vista em “Rapariga com o brinco de pérola” é o subentendido e aí reside a beleza da história.
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2 thoughts on “Rapariga com brinco de pérola

  1. Célia M. says:

    Concordo particularmente com a tua última frase, relativa ao subentendido. Francamente, uma das coisas que mais gosto como leitora é quando o autor dá espaço ao leitor para compreender o livro por si próprio, não revelando tudo e deixando coisas à imaginação.

    Li este livro há pouco tempo e gostei bastante. É sempre interessante ler as tuas opiniões, que tocam em pontos mais específicos (académicos, talvez) em que o leitor comum não repara 🙂

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