Wide Sargasso Sea

Wide Sargasso Sea
Jean Rhys
Editora: Penguin Books (Student Edition)
Data: Abril 2001
Páginas: 192
ISBN: 9780140818031

Preço: 5€34 (Bookdepository)

“Wide Sargasso Sea” apresenta uma nova e fresca perspectiva da personagem do romance “Jane Eyre”; Bertha Mason, mais conhecida como “the mad woman in the attic”, que nos últimos tempo tem sido encarada como um símbolo da revolta e das consequências da condição da mulher no período Vitoriano e não só. Jean Rhys pega no pouco que é dado ao leitor em “Jane Eyre” e reconstrói um passado fictício dentro da ficção. Através de uma narradora autodiegética (Antoinette) e narrador homodiegético (mr. Rochester) os pormenores balançam entre o presente e o passado, lançando alguma confusão quanto à falível memória de Antoinette. Quem já leu o romance de Jane Eyre conseguirá desenvolver uma afectividade maior para com a personagem, não é de todo aconselhável que o leitor leia primeiro “Wide Sargasso Sea”, correndo o risco de não criar este laço de afectividade para com Antoinette, que é fulcral para a história. Se em Jane Eyre, a personagem Bertha Mason (não Antoinette Rochester) é apresentada como a mulher louca de mr. Rochester, uma mulher trancada no sótão, vigiada pela criada Grace Poole, numa constante prisão e tratada como uma criança. As suas participações no romance são sobretudo vedadas através das suas breves aparições durante a noite, muitas vezes confundida por um fantasma. Bertha destrói o vestido de Jane como símbolo da sua revolta contra o casamento, que a levou à loucura. Partindo desta mulher quase incógnita, Jean Rhys inicia a sua história com a infância de Antoinette, na ilha das Caraíbas, uma colónia Britânica, onde os brancos são uma minoria. Esta minoria contribui para a infância isolada num lugar rodeado de olhares de estranhos onde a escravidão ainda é uma realidade. Antoinette é educada num convento onde as virtudes tipicamente femininas como a beleza, quietude e castidade são elogiadas, contudo é também neste lugar que a personalidade fervilhante de Antoinette se dá a conhecer. A autora coloca alguns laivos de questões dentro da cabeça da personagem para iludir o leitor de que haverá uma possibilidade de loucura a crescer dentro da sua cabeça, porém a loucura só se desenvolve devido ao ambiente de ódio dos escravos agora libertos para com a família de Antoinette. Christophine representa a ponte estabelecida entre a personagem e a magia, mas também com a Colónia, os seus costumes e as suas tradições. A magia negra é um elemento chave através do vudu, zombies e fantasmas, que contribui para uma aproximação das tradições crioulas. Antoinette a certo ponto acredita que a mãe tornou-se um zombie, por ser um corpo sem alma (guiada pela loucura) e de igual forma Antoinette pede a Christophine que lhe faça uma poção para que Rochester a ame. No entanto o seu casamento de conveniência está predestinado a falhar. Mr. Rochester em “Jane Eyre” refere que foi vítima de uma cilada, quando fora apresentado a Bertha, uma mulher bonita com dinheiro. Assim que Rochester entra em contacto com Daniel Cosway, que lhe informa da loucura hereditária na família de Antoinette, o seu comportamento e maneira de observar o exterior muda. A loucura parece estar em cada traço ou cada palavra de Antoinette. Rochester dirige-se a Antoinette como Bertha, com fim de a afastar da imagem original, uma possível lunática e chega a brincar com o seu novo nome, chamando-a de “Marionetta”, um trocadilho com o nome para demonstrar a dependência excessiva das mulheres face aos homens. Tal como a sua mãe, Antoinette depende de Rochester para ter uma vida económica estável, tentando aproximar-se do seu marido sem grande sucesso. Quanto mais Rochester se distância de Antoinette, crescem também os sentimentos desta por ele e é este distanciamento que a leva à loucura. Este resultado não serve só para Antoinette; este é simplesmente um peão que serve de exemplo a todas as mulheres que são aprisionadas e tornadas escravas, despojadas de vontade própria. A condição da mulher como condenadas do amor é formada no fim quando Antoinette espera anos a fio numa Inglaterra fria por Rochester e pela sua reciprocidade. Louca, presa, trocada, ignorada não existe mais nenhum fim digno para Antoinette senão a morte como libertação, como uma espécie de retorno às suas origens. O fogo assume-se como símbolo desta libertação, da morte já prevista pelo seu pássaro que morre no fogo e do próprio temperamento de Antoinette. Enquanto em “Jane Eyre” a morte de Bertha era um mal necessário para o fim cor-de-rosa, em “Wide Sargasso Sea” a morte de Antoinette é o único fim digno para uma personagem, cuja loucura não é mais do que uma consequência da época.
Um livro pequeno, fácil de ler e perfeito.
Citações:
“Our parrot was called Coco, a green parrot. He didn’t talk very well, he could say Qui est la? Qui est la? And answer himself Che Coco, Che Coco. After Mr. Mason clipped his wings he grew very bad tempered. . . .
I opened my eyes, everybody was looking up and pointing at Coco on the glacis railings with his feathers alight. He made an effort to fly down but his clipped wings failed him and he fell screeching. He was all on fire.”
“He has no right to that name,’ she said quickly. ‘His real name, if he has one, is Daniel Boyd. He hates all white people, but he hates me the most. He tells lies about us and he is sure that you will believe him and not listen to the other side.’
‘Is there another side?’ I said.
‘There is always the other side, always.”
“There is no looking glass here and I don’t know what I am like now. I remember watching myself brush my hair and how my eyes looked back at me. The girl I saw was myself yet not quite myself. Long ago when I was a child and very lonely I tried to kiss her. But the glass was between us—hard, cold and misted over with my breath. Now they have taken everything away. What am I doing in this place and who am I?”
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