O Passado Que Seremos

O passado que seremos
Inês Botelho
Editora: Porto Editora
Formato: Hardback
Data: Janeiro 2010
Páginas: 208
ISBN: 9789720040855

Sinopse oficial: Elisa e Alexandre conhecem-se num fim-de-semana no Caramulo. São ambos jovens, pertencem a círculos diferentes, vêem o mundo de perspectivas quase sempre opostas – e, no entanto, parecem incapazes de escapar à atracção que lentamente os envolve. Com avanços e recuos, iniciam então uma relação que não entendem e questionam. Mas que os marcará para sempre.
Elisa tem medo da lua e das janelas sem cortinas. Pensa de mais e quer entender o mundo nas suas múltiplas facetas. Alexandre, pelo contrário, avança sem grandes reflexões, preocupado em aproveitar cada momento do presente antes que as responsabilidades o amarrem.
Romance de iniciação à idade adulta, O Passado Que Seremos dá-nos o(s) retrato(s) de uma geração e dos caminhos onde procura encontrar a “sua” verdade.
Basicamente a sinopse encontra-se bastante boa. Resumidamente a sinopse encerra em si a história. “O passado que seremos” trata mais da história do romance entre Alexandre e Elisa, do que o romance em si. Numa entrevista Inês Botelho referiu que não era a relação afectuosa, amorosa que lhe interessava, mas sim como as personagens se moviam e reagiam. Acho que isso ficou bem presente durante o livro e também acho que foi talvez esse o problema. Segundo a sinopse este romance é um romance de iniciação à idade adulta, mais ou menos então para jovens adultos digamos entre os 18 e os 20 anos, no entanto o livro não está escrito para os jovens dessa faixa etária. Se a escrita é o ponto mais forte e mais positivo no romance, é também o principal obstáculo ao entendimento do que se está a passar.
A escrita oscila entre o coloquial e o lirismo, pessoalmente por ser um romance de iniciação à idade adulta o coloquialismo em algumas situações fez-me sorrir e pensar que Inês Botelho sabe perfeitamente o que está a fazer, porque consegue meter um “ok” ou um “tá bem” sem parecer um livro amador. A linguagem coloquial entre os jovens é assim e é assim que terá de ser retratada no papel. Contudo a autora perde-se mais para o fim do livro devido à ausência de diálogos e concentra-se demasiado nas personagens perdendo a potência inicial. Se no início da narrativa conseguimos seguir bem os propósitos de Alexandre e Elisa a partir da segunda parte chega a ser quase impossível saber sequer quem está a falar, se o Alexandre, se a Elisa devido á mudança de narrador constante. Esta alteração de corrente da consciência seria maravilhosa se este livro fosse para adultos, agora para jovens adultos acho que é um pouco exigente demais.
A ideia era excelente: construir um romance que retratasse a nossa juventude, os problemas, as duvidas, as incertezas da nossa geração. O problema do desemprego, os cursos que não dão em nada ou então muito pouco, a emigração que muitas vezes parece ser a última resposta, estes temas são abordados de uma forma por vezes demasiado breve. Se houvesse talvez mais interacção entre as personagens, talvez mais amor, mais sentimentos e menos objectividade penso que o objectivo seria mais facilmente atingido.
Still é um livro bom, pequeno que tem algumas falhas, mas que também é bom saber que temos jovens em Portugal que não envergam só pela Fantasia. É bom saber que existem jovens que estão preocupados e sentem necessidade de transpor por vezes as dificuldades e os obstáculos que sentimos no nosso futuro incerto.
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About Adeselna Davies

Occasionally works as an English and German teacher, also loves to read all kind of books and wish someone would pay her to read and write reviews forever. She is also a magazine designer and writes short-stories.

One response to “O Passado Que Seremos

  1. Fico feliz ao perceber que não fui a única a achar este livro menos bom. Aliás, acho que um dos pontos mais fracos é mesmo o facto de tu referiste:
    «A ideia era excelente: construir um romance que retratasse a nossa juventude, os problemas, as duvidas, as incertezas da nossa geração. O problema do desemprego, os cursos que não dão em nada ou então muito pouco, a emigração que muitas vezes parece ser a última resposta, estes temas são abordados de uma forma por vezes demasiado breve. Se houvesse talvez mais interacção entre as personagens, talvez mais amor, mais sentimentos e menos objectividade penso que o objectivo seria mais facilmente atingido.»

    Muito obrigada pelo comentário e boa crítica : )

    A equipa do Lydo e Opinado deseja-te a continuação de boas leituras *

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