Contos de Fábio Ventura

Fábio Miguel Ventura nasceu em Portimão a 24 de Julho de 1986, tendo completado a licenciatura em Comunicação Social e estagiado no canal de televisão português Sic. Orbias é o seu primeiro livro publicado pela Casa das Letras em Setembro de 2009, e o segundo volume irá ser publicado a Setembro deste ano. Por entre as várias inspirações constam o anime japonês como Sailor Moon, os videojogos como a saga de Hironobu Sakagushi Final Fantasy, no campo das letras destaca-se a influência de escritores como Stephanie Meyer, Scott Westerfeld, Neil Gaiman e Cassandra Clare. Convém salientar que nunca li o livro, mesmo assim os contos complementam a sua função com poucas noções da narrativa principal e servem para analisar a escrita e a criatividade do autor (e não do livro).

Os contos apresentam algumas oscilações, sendo o primeiro conto escrito em Maio deste ano e o último no mês passado, contudo o conto de Lily-Violet e do Rouge parecem interligados devido ao estilo “Märchen” que o autor adoptou. O orfanato, o clima fantasioso e a lição moral no fim do conto de Rouge parecem querer atingir um público de todas as idades. Através da acção e dos nomes conseguimos aproximarmo-nos das personagens: Lily-Violet símbolo da inocência e da harmonia parece-se com uma “Selphie”, sempre alegre absorvendo as tristezas do passado; Rouge parece ter de acordo com a cor do seu cabelo um temperamento bastante tempestuoso e também parece um pouco mimada e inconsciente, Belladonna a personagem que achei mais equilibrada, ponderada e até mesmo auto-crítica e Lorelei foi a desilusão.

Os contos parecem ter em vista vários tipos de público-alvo, desde a adolescente mais “pop” ao leitor que está à espera de algo mais do que uma cara bonita a ir às compras de roupa. No conto de Rouge o autor parece condenar essa personalidade superficial, obrigando a Guerreira a aprender com os seus erros, lição esta que é de imediato apreendida pela Guerreira. Contudo o conto de Lorelei era o que tinha mais curiosidade e o que me desiludiu. O autor cai em alguns estereótipos: menina bonita + namorado gótico (emo?) = oh não amigas sem cérebro contra. A personagem de Adam é afastada pela própria Lorelei que rouba o protagonismo. O casal não parece ter nenhuma ligação emocional e perguntamos porque razão é que eles estão juntos quando ele mal fala ou não têm nada a ver um com o outro. Por um lado é positivo: nem todas as relações sobrevivem, por outro lado parece-me tudo mal de amores, já que Noemi também ficou sem o Sebastian.

Belladonna, como já referi foi a que me interessou mais. Imaginei-a de roupas interiores no cabaret e uma espécie de prostituta ou acompanhante, boémia e dandi. Fémme fatale, sedutora, perigosa que sabe usar o poder que tem. O facto de ter falhado na sua missão também revela uma maior maturidade da narrativa. Nem sempre se vence neste mundo e nem tudo é perfeito. O autor revela criatividade nos diferentes cenários, embora algumas cenas fossem previsíveis e caindo por vezes em estereótipos desnecessários: a Rouge e a Lorelei parecem ter 16 anos e por vezes caem como malcriadas e o Adam parece-me mais emo que gótico: sim ficariam surpreendidos ao ver o quão sociais os góticos são. A história de Rouge (orfã de mãe) também me parece algo estereotipado.

A escrita também revela algumas oscilações entre o “purple-prose” e o juvenil, por vezes roçando um pouco no imaturo:

“Tinha o biquíni perfeito para aquelas férias, o último modelo de Marc Jacob.”

(ps: não sei quem é o Marc Jacob… mas deve ser alguém famoso pelos vistos). O estilo do conto de Lorelei lembrou-me um pouco o estilo da P. C. Cast com o de Toney Hurley, se calhar de forma inconsciente para o autor. Existem também passos engraçados que se calhar o autor poderá aproveitar como no conto da Rouge:

“…
…chão frio.
…muito pó e dores de cabeça.”

Pareceu uma breve tentativa de “stream of consciouness” para desenjoar tantos queques e atitudes mimadas da princesa, mas que me fizeram sorrir por um bocado.

Em suma os contos serviram para aproximar um pouco da escrita do Fábio Ventura para analisar se valeria a pena comprar o livro, visto que muitas vezes a sinopse não é suficiente. Pessoalmente só o conto da Belladonna se aproximou do adulto, de resto pareceu-me prosa para adolescentes, sem tom pejorativo, o autor ainda terá muito tempo para aperfeiçoar a escrita e afinar algumas coisas – para isso é que servem as reviews.

Link para os contos:
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About Adeselna Davies

Occasionally works as an English and German teacher, also loves to read all kind of books and wish someone would pay her to read and write reviews forever. She is also a magazine designer and writes short-stories.

One response to “Contos de Fábio Ventura

  1. Achei a sua opinião muito completa e objectiva. Revela um análise muito atenta dos contos… uma verdadeira crítica!

    Queria convidá-la a visitar o nosso Fórum de Leitores em http://www.forumleitores.pt.vu
    Penso que irá gostar e adoraríamos se decidisse participar no fórum.

    Votos de sucesso com o seu blog 😉

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