Cybele’s Secret

Cybele’s Secret
Juliet Marillier
Editora: Alfred A. Knopf
Ano: 2008
Páginas: 432
Preço: 11€
ISBN: 9780375833656

“Cybele’s Secret” é o segundo livro da trilogia “Wildwood” que marcou o regresso da escritora neo-zelandesa em 2007, apenas um ano após ter lançado o primeiro volume da série “Wildwood Dancing”. Se em “Wildwood dancing” Marillier prova mais uma vez o seu grandioso talento para re-contar contos de fadas, tal como aconteceu na trilogia de Sevenwaters, desta vez Marillier aproveitou para contar uma história sua, pegando na figura da Paula, uma “scholar” irmã de Tati, Jena, Iulia e Stela (personagens principais no primeiro livro) que parte para Istambul com o seu pai Teodor em busca do artefacto “Cybele’s gift” que segundo dizem traz boa fortuna ao seu dono e aos seus descendentes. Quando chega a Istambul vê Tati que a avisa sobre uma missão (quest) que terá de cumprir. No porto cruza-se com um pirata português com fama duvidosa, Duarte de Aguiar, também um possível comprador do artefacto. Paula assume-se como uma mulher independente, possuidora de grandes conhecimentos a nível de línguas, História e mitos, não travasse ela tantos conhecimentos com os académicos do “Other Kingdom” na série anterior. Ao contrário dos outros livros, achei que aventura não é propriamente a praia de Marillier. Acho-a uma escritora brilhante com capacidades maravilhosas a nível da reescrita dos contos de fadas e sem dúvida que os seus livros têm todos um fim apropriado para um conto, contudo houve coisas que foram demasiado previsíveis a certo ponto e a meio do livro já sabia o que ia acontecer no fim, ou pelo menos quem seria o dono do coração de Paula. Por isso tive de mudar a minha leitura e focar-me principalmente numa possível moral. A mais óbvia pareceu-me ser o amor sincero sempre triunfa. Mesmo que as personagens sejam teimosas e cometam erros, o amor volta para elas, pois ninguém deverá ficar sozinho a sofrer por amor. Outra moral será nos julgamentos das pessoas. Se fosse naqueles livros dos “Mais belos contos de Grimm” onde no fim de cada história é-nos apresentada uma moral, em Cybele’s Secret seria algo do género: Não julgai as pessoas somente pelas aparências ou pelo que dizem delas. Um homem que tenha um passado negro, poderá mostrar-se como uma pessoa digna e honrada. As pessoas devem tirar as suas próprias conclusões. Nota-se que Marillier estuda bem as lições quando viaja para um país. As cores, os sítios em Istambul parecem ganhar vida no papel e embora a própria História não seja um ponto a favor, os temas que Marillier aborda através das suas personagens parece-me ser o seu ponto forte durante a narrativa. A comunicação é sempre ilimitada com certas personagens, por vezes através de pensamentos, sem ser preciso a presença da pessoa no mesmo espaço. Esta comunicação telepática continua a transmitir certos poderes entre as personagens, sendo quase sempre um sinal de uma ligação de amor ou amizade. Em “Wildwood dancing” Jena não precisava da linguagem para falar com Costi, e em “Cybele’s Secret” Tati e Soyan não precisam da voz para alertarem ou comunicarem com Paula. As culturas misturam-se, tal como a linguagem. Existem um rolo de línguas tais como: o turco, o grego, o português, o francês e ainda algum dialecto, o que contribui e muito para o enriquecimento da obra em si. Apesar de só o português ser merecedor de aparecer através do poema dedicado a Paula “de brancura singela”, Marillier chega a desculpar-se no fim pela irrealidade por vezes sentidas, visto que muitas vezes a língua que une as personagens é o grego. Esta advertência deve ter sido feita para recuar um pouco alguns “ranhosos” que apontam qualquer falha possível, mesmo quando o livro trata-se de pura fantasia misturada um pouco com o histórico. A cultura e a linguagem são duas características principais de um país, e não nos esqueçamos da mitologia. Todo o país tem mitologia e Marillier recupera rituais pagãos, tal como o próprio título do livro indica: Cybele, a deusa da Terra, presente na Eneida, como a mãe de todos os Deuses. A personagem Adriadne, a protegida de Irene, é claramente uma alusão a Adriadne da mitologia grega, uma princesa que ajudou Teseu a derrotar o Minotauro, oferecendo-lhe uma espada e um novelo. Abandonada após a vitória contra o Minotauro pelo seu amor, casa-se com Dionísio. O papel da mulher contrastando com o da mulher turca, que cobre a cabeça com um lenço, que não tem direito a uma educação e que em certa medida é tida como ou “servant” do marido ou então completamente ausente da vida pública. Paula, inteligente, culta e livre é quem ensina Stoyan a escrever o seu nome em troca de lições de auto-defesa. Este casal prova que nem sempre as pessoas que têm coisas em comum acabam por ficar juntas. Stoyan é um guarda-costas, com atributos físicos fortes, mas que no entanto é analfabeto e segundo ele, Paula, uma mulher tão culta não iria querer um homem rude e simples. Enquanto o português Duarte da Costa Aguiar possuía tanta cultura como Paula e ambos partilhavam os mesmos interesses. Não existe por isso nenhum desafio por parte de Paula para com Duarte Aguiar, enquanto Paula poderá vir a ensinar Stoyan tudo o que sabe, partilhando algo de si. Pessoalmente achei a proposta de Duarte, bem mais aliciante, mas iria contra a personagem de Paula. Marillier desenvolve um coração e vontade própria e mesmo que digamos que Paula no fim parece retroceder e tenta até provar à mãe de Stoyan que não é somente uma estudiosa, mas também sabe cozinhar. Não sei se terá sido prudente atribuir a Paula um futuro onde terá de ficar em casa com uma Biblioteca, enquanto poderia viajar pelo mundo a descobrir novas culturas. Mesmo assim o nosso coração fica descansado ao saber que Paula fica feliz e completa assim.
Fico à espera do 3º livro da série “Wildwood”.
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