Ghostgirl

Ghostgirl

A rapariga invisível
Tonya Hurley
Original: Ghostgirl
Editora: Contraponto
Páginas: 336
Preço: 17€50
Tradutor: Rosa Amorim

Quando a minha irmã mais nova fez onze anos decidi dar-lhe algo novo para ler, sem ser os livros do António Mota ou da Sophia de Mello Breyner. Lembro-me que tinha só doze anos quando a minha mãe me deu “Os Filhos da Droga” para ler, o que foi basicamente um choque, devido a cenas que na altura nunca teria imaginado. Quando vi que a minha irmã já estava na pré-adolescência, decidi que iria fazer os possíveis para guiá-la nas suas aventuras literárias, para evitar tornar-se como eu. Por entre nomes clássicos da literatura como Oscar Wilde, Eça de Queirós, Wolfram Von Eschenbach, La Fontane e Edgar Allan Poe pensei que seria uma boa prenda um livro mais levezinho onde pudesse identificar-se com alguma personagem. Após ler críticas muito boas do livro de Tonya Hurley e perante a capa pseudo-gótica, lembrei-me que talvez seria boa ideia dar-lhe um livro mais próximo de algo de terror. Se o resultado fosse bom ou mau seria um risco a tomar em conta. Chorei os 17€ e fiz “fingers crossed” para que ela gostasse do livro. Devorou-o e disse que o livro era muito bom o que só me fez aumentar a curiosidade. Ontem peguei finalmente no livro e também o li bastante rápido. É bastante fácil de gostar do livro, a história parece um filme feito à medida para adolescentes que passa no Disney Channel, provavelmente com o Zac Efron a fazer de Damen para as “pitas” andarem aos gritos na sala de cinema. Contudo não pensem que é uma história desmiolada, dei comigo por vezes a pensar como efémera é a vida devido à morte de Charlotte Usher (Usher para quem não sabe é uma alusão a um conto de Edgar Allan Poe “A queda da casa de Usher”) devido a um ursinho de goma. Existe uma coisa na vida que eu nunca hei-de entender: o sistema americano passado nos filmes de adolescentes sobre a popularidade dos jovens e a sua divisão na escola: as raparigas populares que são maior parte das vezes más, burras, vaidosas e só vivem da vida alheia; os desportistas igualmente burros, mas que não falam mal das pessoas porque são rapazes; os góticos que segundo “toda” a gente pensa adoram Satã e têm cadáveres no quarto (lol) e por fim as pessoas normais que não merecem destaque (mas que acabam por ser sempre as destacadas nos filmes ou livros). Tonya Hurley serve-se destes estereótipos importantes na América, mas que em Portugal não faz sentido, para dar vida às personagens. Charlotte Usher a rapariga invisível; Damen o rapaz perfeito, Petula a víbora que só pensa em maquilhagem, Scarlett (mais emo que gótica) que vai ter um papel importante ao longo de toda a narrativa. E é aqui que Hurley revoluciona basicamente a história, transformando um liceu onde Petulia é a “rainha” e onde governa a superficialidade, num liceu onde Scarlette e Damen com os seus gostos musicais “punk-rock” ou “pop-rock” (whatever) influenciam a escola. Como ponto menos positivo temos Charlotte, que está tão agarrada a Damen que só pensa nele e esquece-se de casa ou até mesmo das outras pessoas. É perfeitamente normal que os adolescentes liguem pouco aos pais (been there, done that), mas o que me meteu confusão foi esta obsessão pelo rapaz, cuja vida não sabia nada (pouco sabia dos gostos dele e chegara até a visitá-lo no quarto ou no balneário enquanto ele tirava a roupa). Apesar do corpo e o conhecimento deste ser outro papel importante na adolescência, achei o comportamento quase parecido com o de Bella Swan na saga “Twilight” que também parece avariada por Edward. Outro ponto positivo será o desenvolvimento de uma realidade paralela no liceu: uma parte para os vivos, outra para os mortos, onde ambas “espécies” coexistem sem que os vivos tenham conhecimento dos mortos. A especulação do que está para além da morte torna-se a parte mais divertida, com aulas sobre morte e algumas “poderes” que os mortos têm.
O que mais me encantou não foi a história, nem as personagens, muito menos o fim, mas sim as citações que abrem os capítulos com nomes sonantes como: Edgar Allan Poe, Kurt Cobain, Sylvia Plath (esta foi uma surpresa), Emily Brontë, William Blake (outra surpresa) e Oscar Wilde. São referências e talvez incentivos para a nossa juventude pegar não só em “Ghostgirl” mas também em outros autores que trataram do mesmo tema: o amor e a invisibilidade de uma forma mais adulta. Este sim foi o factor que me fez sorrir várias vezes sempre que abria um capítulo novo e dei por mim a avançar só para saber qual seria a citação seguinte.
Se sair a tradução do segundo (visto que este fora publicado em 2009 e a colecção original já vai para o 3º volume) vou comprar, visto que pelo que ouvi Tonya Hurley corrige algumas faltas que cometeu neste primeiro (e será também uma boa prendinha de Natal ou de anos).

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